Entenda como o manejo inadequado e a falta de bem-estar animal causam prejuízos, carne DFD e perda de rendimento na carcaça, afetando o lucro do pecuarista.
O crescimento das exigências dos mercados consumidores, aliado à busca por qualidade e sustentabilidade, tem colocado o bem-estar animal no centro das atenções da cadeia produtiva da carne. No entanto, em muitos sistemas de produção, ainda se observa a prática de manejos inadequados, especialmente nas fases finais antes do abate, como a recepção dos animais no frigorífico.
A forma como o animal é tratado nesses momentos críticos pode comprometer de forma irreversível a qualidade da carne, a eficiência do processo industrial e a imagem do produtor. O manejo incorreto, sem atenção ao bem-estar animal, deixa de ser apenas uma falha operacional para se tornar um problema econômico e ético, afetando toda a rede frigorífica.
Consequências do manejo inadequado
Quando os animais são submetidos a estresse excessivo, dor, medo ou desconforto — especialmente durante o embarque, transporte e desembarque — o organismo libera grandes quantidades de hormônios como o cortisol e a adrenalina. Essa resposta fisiológica afeta diretamente o metabolismo muscular, gerando consequências como:
- Carne DFD (Dark, Firm, Dry): escura, firme e seca, causada pelo esgotamento de glicogênio muscular antes do abate;
- Perda de rendimento de carcaça: animais estressados perdem peso e apresentam mais hematomas;
- Maior incidência de contusões e fraturas: decorrente de manejo bruto, uso de choques e instalações mal projetadas;
- Desvalorização da carne no frigorífico: tanto por questões visuais quanto por alterações no pH e na textura.
Bem-estar animal: Reflexo na indústria frigorífica
Frigoríficos que recebem animais mal manejados enfrentam prejuízos diretos, como a necessidade de maiores cortes na carcaça, redução do aproveitamento da carne e aumento do descarte. Além disso, há impacto na produtividade da linha de abate, riscos de contaminação e, muitas vezes, rejeição por mercados mais exigentes que cobram certificações e boas práticas de bem-estar animal.
Importância da capacitação e estrutura adequada
Evitar esse cenário exige investimento em treinamentos para peões, caminhoneiros, técnicos e todos os envolvidos no manejo. Além disso, é fundamental que as propriedades e os frigoríficos tenham currais bem planejados, equipamentos adequados, pisos não escorregadios, rampas com ângulo correto e práticas que respeitem o comportamento natural dos animais.
Conclusão
O manejo inadequado e a negligência com o bem-estar animal antes e durante o transporte para o frigorífico trazem consequências diretas e severas para toda a cadeia produtiva da carne. Além de comprometer a qualidade do produto final — por meio de perdas por contusões, hematomas e carnes DFD (escurecidas, firmes e secas) —, essas falhas operacionais também impactam a rentabilidade do produtor e a credibilidade da indústria frente a um mercado cada vez mais exigente em ética e responsabilidade social.
Portanto, adotar práticas corretas de manejo, respeitando o comportamento e os limites fisiológicos dos animais, não é apenas uma exigência legal e moral, mas uma estratégia inteligente de produção. Investir em capacitação de equipes, estrutura adequada e protocolos de bem-estar é garantir eficiência, qualidade e sustentabilidade para o sistema como um todo. O futuro da pecuária passa pelo respeito ao animal — e o sucesso na rede frigorífica começa muito antes do abate.
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