Desenvolvida pela Embrapa e UnB, nova ferramenta utiliza inteligência artificial e sensoriamento remoto para localizar fazendas inativas no Cerrado com 95% de precisão, visando a restauração ambiental e o sequestro de carbono.
A tecnologia de ponta acaba de entregar um diagnóstico preciso sobre a ocupação do solo em um dos biomas mais importantes para o agronegócio brasileiro. Uma parceria estratégica entre a Embrapa e a Universidade de Brasília (UnB) resultou no desenvolvimento de um sistema capaz de localizar fazendas inativas no Cerrado com um índice de acerto de 95%.
Através de algoritmos de Inteligência Artificial e sensoriamento remoto, a ferramenta mapeia áreas que já integraram o setor produtivo, mas que hoje se encontram em estado de abandono.
Como a tecnologia rastreia fazendas inativas no Cerrado
O monitoramento, que se estendeu por quatro anos, utilizou imagens de satélite para processar a evolução histórica das propriedades. Para o estudo, foram classificadas como fazendas inativas no Cerrado aquelas terras que, apesar de terem sido convertidas para o uso agrícola no passado, não registraram qualquer atividade produtiva ou manejo durante o período de análise.
Diferente do pousio (descanso temporário do solo), o abandono identificado pela ferramenta revela um vácuo econômico e ambiental que agora pode ser quantificado. O sistema permite separar o “ruído” de variações sazonais da real inatividade, oferecendo uma base de dados sólida para políticas públicas de ordenamento territorial.
O impacto econômico e o caso Buritizeiro (MG)
Os dados brutos da pesquisa trazem luz a cenários regionais preocupantes. No norte de Minas Gerais, o município de Buritizeiro surge como um exemplo emblemático do fenômeno. Entre 2018 e 2022, a IA detectou que cerca de 13 mil hectares de áreas agrícolas foram abandonados — o que corresponde a 5% da área total monitorada na abertura do estudo naquela localidade.
Segundo a análise técnica da Embrapa, o surgimento dessas fazendas inativas no Cerrado é impulsionado por um tripé de fatores:
- Elevação dos custos de produção: Insumos e logística que tornam a operação inviável em certas faixas.
- Degradação da produtividade: Perda de vigor do solo sem o investimento necessário em recuperação.
- Mudanças estruturais: Alterações na dinâmica de mercado que forçam a mudança no uso da terra ou sua completa paralisia.
O futuro sustentável das fazendas inativas no Cerrado
A conclusão da pesquisa não visa apenas o diagnóstico, mas a solução. Os dados já estão sendo compartilhados com gestores municipais e estaduais para fundamentar estratégias de restauração ambiental e fomento ao sequestro de carbono.
A expectativa é que essas áreas não fiquem ociosas: o mapeamento abre caminho para a criação de corredores ecológicos e para a reintegração dessas terras a sistemas de produção sustentáveis, evitando que novas áreas de vegetação nativa precisem ser suprimidas para a expansão da fronteira agrícola.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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