Morre King Leatherbury, gigante do turfe com mais de 6,5 mil vitórias

Referência absoluta nas corridas de cavalos dos Estados Unidos, o treinador King Leatherbury construiu uma trajetória histórica ao transformar animais comuns em campeões, ultrapassar 6,5 mil vitórias e influenciar gerações do turfe mundial.

O turfe internacional amanheceu de luto com a notícia da morte de King Leatherbury, um dos treinadores mais vitoriosos e respeitados da história das corridas de cavalo nos Estados Unidos. Ele faleceu aos 92 anos, na terça-feira (10), em sua residência, conforme confirmou o Maryland Jockey Club. A causa da morte não foi divulgada.

A despedida marca o fim de uma era para o esporte. Ao longo de mais de seis décadas de dedicação às pistas, Leatherbury construiu uma trajetória rara, combinando longevidade, eficiência e uma leitura técnica apurada do cavalo de corrida — atributos que o colocaram entre os maiores nomes do turfe mundial.

Os números ajudam a dimensionar a grandeza do treinador. Foram 6.508 vitórias e mais de US$ 64,7 milhões em premiações — cerca de R$ 337 milhões na cotação atual — resultado que o posiciona entre os três treinadores com maior número de triunfos na história do turfe americano.

Mais do que estatísticas, sua carreira foi marcada por regularidade quase incomparável. Entre 1972 e 1997, venceu ao menos 100 corridas por ano, um nível de desempenho extremamente difícil de sustentar em um esporte altamente competitivo.

O auge veio entre 1974 e 1984, quando ultrapassou a marca de 200 vitórias anuais, incluindo temporadas históricas:

  • 322 vitórias em 1977
  • 304 vitórias em 1978

Esses resultados consolidaram sua reputação como um treinador capaz de manter alto rendimento independentemente da geração de cavalos sob sua responsabilidade.

Foto: Divulgação/Maryland Jockey Club

Natural de Shady Side, Maryland, Leatherbury chegou ao turfe após se formar em administração de empresas pela Universidade de Maryland — um detalhe que ajuda a explicar sua habilidade na gestão de plantéis e na tomada de decisões estratégicas ao longo da carreira.

Seu primeiro triunfo veio em 1959, início de uma jornada que rapidamente se conectaria ao circuito de Maryland, região onde se tornaria praticamente uma instituição.

No tradicional Maryland Jockey Club, conquistou 52 títulos de treinador, evidenciando uma hegemonia regional rara no esporte.

Durante as décadas de 1970 e 1980, integrou o seleto grupo conhecido como “Big Four”, ao lado de Grover Delp, Richard Dutrow e John Tammaro Jr. — quarteto que dominou as corridas na região e elevou o nível técnico das competições.

Leatherbury ficou nacionalmente conhecido como o “Rei dos Reivindicadores”, apelido que traduzia sua principal especialidade: transformar cavalos de baixo custo — frequentemente inscritos em provas de claiming — em vencedores consistentes.

Essa habilidade exigia:

  • olhar clínico para identificar potencial atlético
  • profundo conhecimento fisiológico do cavalo
  • estratégia de treinamento personalizada
  • gestão inteligente de calendário

Na prática, ele provou que sucesso no turfe não dependia apenas de grandes investimentos, mas também de competência técnica e sensibilidade na preparação dos animais.

Entre os inúmeros cavalos que passaram por suas cocheiras, nenhum simbolizou tanto sua trajetória quanto Ben’s Cat — animal de sua propriedade que se transformou em um verdadeiro ídolo das pistas de Maryland.

O cavalo venceu 32 corridas, sendo 26 stakes, e acumulou US$ 2,64 milhões em prêmios. A parceria elevou Leatherbury ao reconhecimento internacional e foi decisiva para sua entrada no Hall da Fama, conquistada aos 84 anos.

O feito teve um significado especial: foi o reconhecimento de uma carreira construída majoritariamente fora das provas mais midiáticas, mas sustentada por décadas de consistência.

Foto: The Maryland Jockey Club

Além do domínio em Pimlico e Laurel Park, Leatherbury também conquistou quatro títulos de treinador no Delaware Park, ampliando sua influência no circuito do Meio-Atlântico americano.

Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens, incluindo prêmios de lifetime achievement do Maryland Athletic Hall of Fame — distinção reservada a profissionais que transformaram o esporte.

Sua relevância foi tamanha que uma prova anual passou a carregar seu nome no Laurel Park, gesto simbólico que perpetua sua contribuição ao turfe.

Leatherbury se aposentou oficialmente em 2023, após participar de apenas uma corrida naquele ano, encerrando uma carreira que atravessou gerações, mudanças tecnológicas e transformações profundas no mercado das corridas.

Sua morte provocou manifestações de pesar em todo o meio equestre, que reconhece nele não apenas um campeão de estatísticas, mas um formador de profissionais e um defensor da evolução técnica do esporte.

King Leatherbury deixa a esposa Linda Marie Heavener Leatherbury, de 82 anos, os filhos gêmeos Taylor e Todd, ambos com 58, e o neto Heavener, de 18.

Com sua partida, o turfe norte-americano perde uma de suas referências mais sólidas — um treinador que demonstrou, ao longo de mais de 60 anos, que disciplina, conhecimento e persistência podem construir uma trajetória verdadeiramente histórica.

Seu nome permanece associado à excelência, constância e capacidade de revelar campeões, valores que continuam a inspirar treinadores, criadores e apaixonados pelo cavalo de corrida em todo o mundo.

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