Morre Jess Arisen Moon, garanhão que carregava uma das genéticas mais valiosas do Quarto de Milha mundial

Filho do lendário Mr Jess Perry, Jess Arisen Moon era visto por criadores como um dos projetos genéticos mais promissores da velocidade no Brasil e deixa legado que seguirá por gerações.

O universo do cavalo Quarto de Milha amanheceu menor com a notícia da morte de Jess Arisen Moon, garanhão que se tornou referência genética dentro da criação de cavalos de corrida no Brasil e que carregava uma das combinações sanguíneas mais respeitadas da velocidade mundial. Sua partida encerra uma trajetória construída não apenas por pedigree e desempenho reprodutivo, mas principalmente pelo impacto que seu sangue representou para criadores que apostavam nele como um verdadeiro transformador da genética nacional.

Mais do que um reprodutor, Jess Arisen Moon representava um elo direto com algumas das famílias mais lendárias da história da raça. Filho de Mr Jess Perry, considerado um dos maiores garanhões reprodutores da história da American Quarter Horse Association (AQHA), e de Moon Arisen, filha direta do icônico Beduino (TB), ele reunia em sua genética duas linhagens que ajudaram a construir o padrão de excelência das corridas de velocidade no mundo.

Nascido em 20 de maio de 2007, de pelagem zaino e presença marcante, Jess Arisen Moon rapidamente conquistou admiradores no Brasil. Seu valor jamais esteve apenas no pedigree impressionante. Para muitos dos principais criadores que apostaram em seu potencial, ele carregava algo raro: capacidade comprovada de transmitir estrutura, velocidade, padrão morfológico e características altamente desejadas para futuras gerações.

Segundo apurações do Compre Rural junto aos seus criadores, o animal acabou sofrendo uma morte-súbita, situação não incomum no mundo equino. Outra grande perda para a raça quartista nesta semana foi o falecimento do Ricardo Rezende Barbosa, filho do primeiro presidente da ABQM e um dos nomes mais importantes da história do Quarto de Milha no Brasil; criador ajudou a manter viva uma das linhagens mais tradicionais da raça e deixa legado histórico na equinocultura brasileira.

Nos últimos anos, o garanhão se tornou o centro de um seleto condomínio formado por importantes nomes da criação nacional, entre eles Haras Sampaio, Haras Guarani, Rancho Horizonte, Stud GPI e Parque Nina Alencar. O projeto reunia criadores que enxergavam em Jess Arisen Moon não apenas um animal valioso, mas um verdadeiro formador de linhagem capaz de deixar marcas profundas no futuro da criação brasileira.  

Para Guilherme Jacobsen, do Haras Guarani, a relação com o animal ultrapassava qualquer negociação comercial. Era, na verdade, a realização de um sonho construído desde a infância.

“Essas histórias sempre me chamavam atenção. Então, eu sempre quis ter essa genética de excelência dentro do meu plantel”, relembrou o criador em depoimento recente.

A admiração por Jess Arisen Moon também marcou profundamente a trajetória de Francisco Sampaio Júnior, do Haras Sampaio, que recordava com clareza o primeiro encontro com o garanhão.

“Eu me deparei com um verdadeiro monstro. Um cavalo lindo, de morfologia exemplar, comprido, com uma estrutura impressionante.”

Ao longo de sua trajetória como reprodutor, Jess Arisen Moon construiu uma reputação sustentada em três pilares que ajudaram a consolidar sua importância dentro do Quarto de Milha de corrida: pedigree internacional de elite, morfologia diferenciada e enorme capacidade de transmitir qualidade aos descendentes.

Mas quem conviveu de perto com ele garante que havia algo impossível de medir apenas em registros genealógicos.

Andrea Quidute Sampaio, uma das proprietárias ligadas ao projeto, descreveu uma característica frequentemente mencionada por quem conheceu o animal.

“O Jess Arisen Moon tem uma presença rara. É grande, forte, imponente. Os olhos dele têm uma cor de mel incrível, cheia de expressão. Ele observa tudo ao redor e transmite uma energia difícil de explicar.”

Nos bastidores da reprodução equina, especialistas sempre trataram Jess Arisen Moon como um projeto genético ainda longe de atingir todo o seu potencial. A médica veterinária Dra. Edna Cláudio, responsável por acompanhar o trabalho recente de resgate da genética do garanhão desde 2020, tinha convicção sobre o futuro que ele ainda construiria.

“Jess Arisen Moon tem o que existe de melhor na velocidade mundial. Ele possui um pai raçador e uma mãe oriunda de uma das famílias mais importantes da história da raça. É sangue de campeão dos dois lados.”

Sua morte interrompe uma trajetória que ainda prometia escrever novos capítulos dentro da criação brasileira, mas não apaga aquilo que verdadeiramente importa: o legado genético que permanecerá vivo em seus descendentes espalhados pelo país e nas futuras gerações que continuarão carregando sua marca dentro das pistas.

No mundo do cavalo, poucos animais conseguem ultrapassar a condição de simples reprodutores e se transformar em patrimônio genético. Jess Arisen Moon pertence a esse grupo restrito.

Sua partida deixa tristeza entre proprietários, criadores e apaixonados pelo Quarto de Milha, mas também reforça algo que sempre esteve claro para quem conhecia sua história: alguns grandes animais nunca desaparecem completamente.

Eles seguem vivos naquilo que deixam para trás.

E Jess Arisen Moon, certamente, continuará galopando através do legado que construiu para a história da raça no Brasil.

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