Alta umidade e temperaturas médias criam um “efeito estufa” nos currais, impedindo a troca térmica dos animais e reduzindo a produtividade em até 3 litros de leite por dia
Muitos produtores de leite cometem o erro estratégico de acreditar que o fim do sol forte e a chegada das águas trazem o alívio térmico imediato para o rebanho. No entanto, o fenômeno conhecido popularmente como “mormaço” esconde um perigo silencioso: as vacas podem estar sofrendo de calor mesmo sob chuva.
A combinação de temperaturas moderadas com umidade relativa do ar acima de 80% cria uma barreira física que impede o animal de transpirar eficientemente, impactando diretamente a saúde e o faturamento da fazenda.
O perigo do ITH: Entenda por que as vacas podem estar sofrendo de calor mesmo sob chuva
A percepção humana de conforto térmico é muito diferente da bovina. Enquanto o produtor sente o frescor da chuva, a vaca de alta produção — que funciona como uma “caldeira biológica” devido à fermentação ruminal — luta para manter sua temperatura interna estável. Neste mês de fevereiro, o desafio se intensifica: com a previsão de chuvas acima da média em grande parte do cinturão leiteiro nacional, a umidade relativa do ar tem se mantido frequentemente acima dos 85%.
Segundo especialistas da Embrapa Gado de Leite, o Índice de Temperatura e Humidade (ITH) é o indicador soberano do conforto animal. Quando a umidade está saturada, o mecanismo de resfriamento por evaporação (suor e respiração) falha. É por isso que as vacas podem estar sofrendo de calor mesmo sob chuva, pois o ar já carregado de água não absorve o calor expelido pelo animal, elevando sua temperatura retal e gerando estresse térmico severo, mesmo sem a radiação solar direta.
O sintoma invisível e a queda na ingestão
O estresse térmico nas águas é frequentemente negligenciado por ser menos óbvio que no período da seca. No entanto, os sinais clínicos são claros para quem observa o rebanho. O primeiro sintoma é o aumento da frequência respiratória. Se o animal apresenta movimentos abdominais rápidos ou está de boca aberta (ofego), ele está tentando dissipar calor de forma desesperada.
Outro ponto crítico levantado por consultores em nutrição animal é a queda na ingestão de matéria seca. Para tentar reduzir a produção de calor metabólico (gerado pela digestão), a vaca come menos. O resultado é um animal que passa mais tempo em pé, procurando correntes de ar, em vez de estar deitada ruminando, o que compromete todo o ciclo produtivo e a conversão alimentar.
Estratégias para evitar que as vacas podem estar sofrendo de calor mesmo sob chuva
A conta do estresse térmico chega rapidamente ao tanque de resfriamento. Dados de softwares de gestão de rebanho e pesquisas de campo indicam que a produtividade pode cair de 2 a 3 litros de leite por dia por animal durante picos de umidade. Para reverter esse cenário, a tecnologia de ambiência deve ser usada de forma estratégica:
- Ventilação Forçada Permanente: O uso de ventiladores na sala de espera e na pista de trato é essencial. A ventilação rompe a “capa” de ar saturado ao redor da vaca, facilitando a troca térmica mesmo em dias chuvosos.
- Monitoramento via Sensores: Utilizar sensores de umidade no curral permite que o sistema de climatização seja acionado pelo ITH, e não apenas pelo termômetro manual.
- Densidade Energética: Ajustar a dieta para compensar a menor ingestão de volume ajuda a manter o balanço energético negativo sob controle.
Ao entender que as vacas podem estar sofrendo de calor mesmo sob chuva, o produtor moderno deixa de ser refém do clima e passa a gerir a fazenda com foco em bem-estar animal e lucratividade constante.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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