Mercado de terras rurais em Goiás passa por momento de maturidade, não de desvalorização

Mercado mais seletivo, alta na produtividade, avanço das exportações e valorização do hectare mostram que o campo goiano vive um novo ciclo de profissionalização — e não uma queda de preços no mercado de terras rurais em Goiás

A falsa ideia de que as terras rurais em Goiás estão em processo de desvalorização no Estado é mais uma das narrativas rasas que, vira e mexe, aparecem para tentar explicar movimentos mais complexos. Quem lida diariamente com a produção rural e observa seus efeitos no setor imobiliário do campo entende que o cenário é justamente o oposto. Goiás está produzindo mais, melhor e com mais eficiência.

Pegando somente a safra 2024/25, passamos das 37 milhões de toneladas, com ganhos relevantes de produtividade em culturas como soja e milho. Ao mesmo tempo, a agroindústria segue avançando, agregando valor dentro do próprio estado. E sabemos que terra boa, com capacidade produtiva elevada, não perde valor nesse cenário. 

A pecuária reforça esse movimento. O estado tem um dos maiores rebanhos do país e segue gerando caixa. Com a arroba valorizada nos últimos ciclos, a rentabilidade da atividade aumenta e impacta diretamente o valor econômico da terra. Entre aqueles que enxergam a fazenda como ativo financeiro, existe um senso comum de que receita recorrente sustenta preço.

Outro ponto que costuma ser ignorado nessa discussão é o fluxo de capital. O agro goiano continua forte nas exportações, com mais de R$ 10 bilhões embarcados em 2025 e crescimento tanto em valor quanto em volume. Isso significa dinheiro novo entrando no sistema. E onde há capital, há investimento. Onde há investimento, há valorização de ativos.

Somente no primeiro trimestre de 2026, o comportamento do comprador, observado em tempo real pelo Chãozão, revelou um interesse massivo vindo de investidores e produtores, com mais de 18 mil buscas por terras em Goiás. Influência de preços mais baixos? Pelo contrário. Neste período, o preço médio por hectare em propriedades rurais goianas, segundo o Índice Chãozão Valor do Hectare, ficou em R$ 49.034,07. Nos três primeiros meses de 2025, esse valor era de R$ 41.370,00. Ou seja, tivemos, na verdade, uma valorização próxima de 20%. 

Isso não é sinal de mercado em queda. É sinal de interesse ativo, de gente olhando, comparando e pronta para comprar aquilo que faça sentido.

Neste contexto, temos o ponto central dessa discussão que é a mudança de comportamento, com o mercado ficando cada vez mais seletivo.

De fato, existem propriedades que perderam valor. Mas isso não define o estado. Em geral, são áreas com baixa produtividade, problemas documentais ou preços que já estavam desconectados da realidade. Também há casos pontuais de aumento de oferta em determinadas regiões. Isso é ajuste. É o mercado separando o que entrega resultado do que não entrega.

Generalizar esses casos e transformar em “queda de 50%” [o preço das terras rurais em Goiás] é uma simplificação perigosa. Cria ruído que pode afastar bons investidores e dificultar tomada de decisão séria.

O que vemos hoje em Goiás é um mercado mais profissional. O comprador está mais criterioso, faz conta, compara retorno e exige qualidade. No fim, isso fortalece o setor, sem prejuízos.

A terra continua sendo um ativo de fundamento. E os fundamentos de Goiás seguem sólidos, com produção em alta, rentabilidade crescente, exportações fortes e demanda real.

É preciso, portanto, que os players aprendam a crescer em conjunto com essa maturidade, ao invés de se assustar com ela. 

Por Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão

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