Uma ação conjunta entre órgãos federais e estaduais desarticulou um esquema clandestino de manipulação e venda de químicos em Minas Gerais, retirando de circulação substâncias de alto risco
O setor produtivo mineiro foi palco de uma ofensiva estratégica contra o mercado ilegal de químicos no campo. A megaoperação apreende R$ 3 milhões em insumos agrícolas irregulares após uma fiscalização intensiva realizada nos dias 3 e 4 de fevereiro.
A ação, denominada Operação Ronda Agro, interceptou mais de 17 toneladas de agrotóxicos e fertilizantes que operavam fora de qualquer controle sanitário ou legal em um estabelecimento clandestino.
Combate à clandestinidade e aos riscos fitossanitários
A investida teve como foco principal desmantelar um complexo sistema de importação, fabricação e manipulação ilícita. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o prejuízo estimado ao infrator ultrapassa a marca dos R$ 3 milhões, considerando o valor de mercado dos produtos apreendidos.
O cenário encontrado pelos fiscais revelou um grave risco à saúde pública e ao meio ambiente. Os insumos agrícolas irregulares eram armazenados de forma precária em um galpão que servia, simultaneamente, como centro de manipulação e fracionamento. A ausência de receituário agronômico e de bulas reforça a periculosidade do esquema, que comercializava produtos sem qualquer garantia de eficácia ou segurança.
Fraudes na importação e substâncias restritas
Um dos pontos mais alarmantes detectados pela fiscalização foi a tentativa deliberada de burlar as normas de importação. Foram encontrados itens com rotulagem em língua estrangeira que não correspondiam à tradução impressa, além de diversos produtos sem identificação.
Com o auxílio de tecnologia avançada, como o espectrômetro de infravermelho portátil, as equipes identificaram princípios ativos como:
- Benzoato de emamectina e Fipronil;
- Metsulfuron e Diuron;
- Tiametoxan, Imazetapir e Etefon.
O Mapa alerta que algumas das substâncias manipuladas possuem uso restrito no Brasil, o que torna a comercialização clandestina um crime que vai além da infração administrativa, podendo ser enquadrado como contrabando e crime contra a saúde pública.
Integração entre forças de segurança
A megaoperação apreende R$ 3 milhões em insumos agrícolas irregulares graças à atuação coordenada pelo programa Vigifronteiras (Mapa), em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a Polícia Civil de Boa Esperança (MG). O suporte logístico e de inteligência contou ainda com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás e o Ministério da Justiça.
Os responsáveis pelo esquema foram conduzidos à delegacia de Boa Esperança, onde responderão pelos ilícitos. A operação reafirma o compromisso das autoridades em proteger o agronegócio legalizado e garantir que o produtor rural receba apenas insumos certificados, preservando a competitividade e a sustentabilidade das exportações brasileiras.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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