MBRF antecipa meta histórica e inaugura nova era da pecuária de baixo carbono

Com cadeia 100% monitorada antes do prazo, a multinacional MBRF prepara selo ambiental, bônus ao produtor e se posiciona à frente das exigências globais por sustentabilidade na pecuária.

A pecuária brasileira segue avançando em direção a um modelo mais transparente e alinhado às exigências ambientais globais. Um dos exemplos mais recentes desse movimento vem da MBRFmultinacional formada a partir da fusão entre Marfrig e BRF — que encerrou 2025 com 100% de rastreabilidade dos bovinos provenientes de fornecedores diretos e indiretos em todos os biomas brasileiros. O objetivo inicial, segundo informação do Agro Estadão, era alcançar esse patamar apenas em 2030, mas foi antecipado como parte da estratégia de sustentabilidade da companhia.

Na prática, a empresa passou a monitorar toda a jornada do animal — do nascimento ao abate — garantindo controle total sobre a origem dos bovinos e fortalecendo os mecanismos de conformidade socioambiental da cadeia produtiva. Esse nível de rastreabilidade posiciona a companhia de forma competitiva diante de mercados que exigem cada vez mais transparência na produção de alimentos.

Com a cadeia integralmente monitorada, o próximo passo estratégico da MBRF é ampliar a adesão dos produtores ao Protocolo de Carne de Baixo Carbono (CBC), metodologia criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a própria multinacional e lançada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30).

O protocolo certifica propriedades que adotam práticas capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa ao longo do ciclo produtivo. Além de permitir o uso de um selo específico nos produtos, a iniciativa prevê bonificação financeira aos pecuaristas certificados, criando um estímulo econômico direto para a produção sustentável.

A expectativa é que os primeiros cortes identificados com o selo de baixo carbono cheguem aos supermercados ainda no primeiro semestre, posicionados como produtos premium e com maior valor agregado.

Embora a certificação represente um novo estágio, a companhia avalia que parte relevante dos bovinos já apresenta menor pegada ambiental devido à adoção de tecnologias e boas práticas no campo.

Entre os principais avanços observados na cadeia estão:

  • uso crescente da integração lavoura-pecuária, que melhora o aproveitamento do solo;
  • melhorias genéticas, permitindo ciclos produtivos mais curtos;
  • redução da idade média de abate, que caiu de 35 meses em 2019 para 29 meses em 2024;
  • aumento de 17% no rendimento de carcaça, elevando a eficiência da produção.

Nesse contexto, o protocolo surge como um mecanismo de identificação formal desses sistemas mais eficientes. Para obter a certificação, os produtores precisarão realizar ajustes técnicos quando necessário e passar por processos de verificação conduzidos por auditorias independentes.

O selo não indica que apenas esses cortes possuem baixa emissão, mas funciona como um atestado oficial de sustentabilidade e qualidade, agregando diferenciação comercial ao produto.

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MBRF – Produção de bovinos em Mato Grosso. Divulgação MBRF

A multinacional também já se prepara para atender às exigências ambientais crescentes nos mercados internacionais, especialmente a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) — cuja entrada em vigor foi adiada para o final de 2026.

A avaliação interna é de que as práticas operacionais atuais já atendem aos principais protocolos globais relacionados ao tema, reduzindo riscos regulatórios e comerciais no futuro.

Mais do que reagir às novas regras, a estratégia da empresa tem sido se antecipar a elas, mantendo a operação alinhada aos padrões internacionais antes mesmo de sua obrigatoriedade.

A leitura da companhia é que tanto o mercado interno quanto o externo devem adotar critérios ambientais cada vez mais rigorosos. O comportamento do consumidor, mais atento a temas como bem-estar animal, responsabilidade social e impacto ambiental, tende a elevar o nível mínimo exigido para atuação no setor.

Com isso, a sustentabilidade deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a funcionar como requisito básico para permanência no mercado — movimento que já redefine as estratégias das grandes empresas da proteína animal.

A consolidação da rastreabilidade total e a criação de incentivos financeiros para produtores certificados indicam uma transformação estrutural na cadeia bovina brasileira. A tendência é que programas desse tipo ampliem:

  • o acesso a mercados mais exigentes;
  • as oportunidades de bonificação;
  • a valorização da carne com atributos ambientais comprovados.

Ao mesmo tempo, fortalecem a imagem do Brasil como fornecedor confiável no comércio global de proteína bovina.

Com rastreabilidade integral já implementada e a certificação de baixo carbono prestes a chegar ao varejo, a MBRF sinaliza uma mudança clara no rumo da pecuária moderna: eficiência produtiva e responsabilidade ambiental passam a caminhar juntas — não mais como tendência, mas como novo padrão competitivo do setor.

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