Empresa brasileira lança primeira colhedora de pimenta-do-reino do mundo e mira fim da dependência de mão de obra no campo; implemento desenvolvido foi apresentado durante a Agrishow 2026
A pimenta-do-reino está presente em praticamente todas as cozinhas do planeta. Da mesa do brasileiro ao mercado europeu e asiático, a especiaria é considerada um dos temperos mais consumidos do mundo e movimenta uma cadeia bilionária no agronegócio global. Agora, um lançamento brasileiro promete mudar completamente a forma como ela é colhida.
Durante a Agrishow 2026, a MIAC, empresa da Indústrias Colombo, apresentou aquela que está sendo considerada a primeira colhedora de pimenta-do-reino do mundo: a BP Master, implemento desenvolvido para mecanizar uma atividade que, até hoje, dependia quase exclusivamente do trabalho manual.
A novidade chega em um momento estratégico para o setor. O Brasil ocupa atualmente a segunda posição no ranking global de produção de pimenta-do-reino, com volume próximo de 125 mil toneladas anuais, segundo dados do IBGE. A produção nacional está concentrada principalmente nos estados do Espírito Santo e Pará, responsáveis por mais de 90% da safra brasileira, além de áreas relevantes na Bahia.
Além do peso econômico, a cultura vem ganhando espaço como alternativa de diversificação agrícola, especialmente em regiões produtoras de café conilon. Boa parte da produção brasileira segue para exportação, abastecendo principalmente mercados da Ásia e da Europa, onde a demanda pela especiaria segue aquecida.
No mercado interno, a pimenta-do-reino também mantém protagonismo. Presente em molhos, carnes, embutidos, pratos industrializados e receitas tradicionais, ela se tornou ingrediente praticamente indispensável na culinária brasileira e internacional.
“O maior problema hoje é mão de obra”
Segundo Luiz Vizeu, gerente de Relações Institucionais da Colombo, a criação da máquina nasceu justamente da dificuldade crescente enfrentada pelos produtores para encontrar trabalhadores durante os períodos de colheita. “A pimenta-do-reino ainda depende muito de mão de obra. Em algumas propriedades, produtores chegam a contratar até 100 pessoas por dia durante o pico da safra para conseguir colher tudo”, afirmou Vizeu durante entrevista ao CompreRural na Agrishow.

Ele explica que a empresa aproveitou a experiência já consolidada na mecanização da colheita do café conilon para desenvolver uma solução específica para a pimenta-do-reino. “Nós percebemos que era possível adaptar nossa tecnologia. Redimensionamos a máquina, trocamos componentes e conseguimos criar uma solução para semi mecanizar a colheita da pimenta-do-reino”, destacou.
De acordo com ele, os testes práticos mostraram impacto direto na redução da necessidade de mão de obra. “Um produtor que utilizava cerca de 100 trabalhadores conseguiu fazer o mesmo serviço com aproximadamente 30 pessoas”, revelou.
Tecnologia promete reduzir custos e aumentar eficiência
A BP Master foi desenvolvida para operar acoplada ao trator, utilizando acionamento por tomada de potência (TdP). O sistema conta com alimentação contínua por lona, cilindro de trilha, peneiras de limpeza e elevador de canecas plásticas, permitindo a separação dos grãos sem comprometer sua integridade. 
Outro diferencial apontado pela empresa é a possibilidade de reduzir custos com secagem. Como os cachos podem permanecer sobre a lona perdendo umidade antes do beneficiamento, parte do processo ocorre naturalmente ainda no campo.
O equipamento foi projetado tanto para pequenas propriedades quanto para operações de maior escala e busca atender uma demanda crescente por mecanização em culturas consideradas de nicho.
Além da estrutura robusta, a máquina possui manutenção simplificada, regulagem rápida e sistema de ensaque que organiza o fluxo de descarga durante a operação.
Mercado vê corrida por mecanização
A chegada da primeira colhedora de pimenta-do-reino do mundo reforça um movimento crescente dentro do agro brasileiro: a busca por mecanização em culturas que historicamente dependem de trabalho intensivo.
Segundo Vizeu, existe atualmente mais demanda por novas máquinas do que capacidade da indústria em desenvolver soluções. “Hortifruti, culturas especiais e diversas outras áreas têm uma necessidade enorme de mecanização. Estamos trabalhando em novos projetos e teremos outras novidades em breve”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, como juros altos, crédito restrito e oscilações das commodities, a indústria aposta no caráter cíclico do agro para sustentar novos investimentos. “O horizonte ainda está nebuloso, mas a agropecuária sempre foi cíclica. Isso vai passar”, concluiu o executivo.
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