Manejo nutricional no Matopiba: a estratégia para blindar a produtividade contra o estresse térmico

Michel Scaff, da Nitro, detalha como a construção de perfil de solo profundo e a proteção fisiológica blindam a produtividade contra o estresse térmico, enquanto alerta para o impacto da crise global do ácido sulfúrico no custo dos fertilizantes

A consolidação do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) como potência agrícola não esconde o fato de que produzir na região é uma operação de alto risco climático e logístico. O sucesso das safras de soja e milho nessa fronteira depende de uma mudança de mentalidade: sair da “receita pronta” e entrar na era da precisão fisiológica.

Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Michel Scaff, Gerente de Marketing da Nitro, explica por que o manejo nutricional no Matopiba deve ser encarado como o “seguro de seca” mais barato e eficiente disponível para o produtor.

O jogo se ganha em profundidade

Diferente das regiões tradicionais do Sul ou do Mato Grosso, onde as receitas nutricionais costumam ser replicadas, o Matopiba apresenta solos predominantemente arenosos e com baixa capacidade de retenção hídrica. Para Scaff, o foco excessivo no que acontece acima do solo é um erro estratégico. A verdadeira estabilidade produtiva é construída na camada de 20 a 40 cm de profundidade.

Quando o solo é corrigido apenas na superfície, o sistema radicular fica limitado, tornando a planta refém dos veranicos e da distribuição irregular de chuvas. Um manejo nutricional no Matopiba bem estruturado permite que as raízes explorem camadas profundas, acessando água acumulada que sustenta a lavoura durante os períodos de estresse térmico. Essa reserva hídrica é o que garante a turgescência celular e preserva a fotossíntese, evitando o abortamento floral e o estresse hormonal que drena o potencial produtivo.

A ciência da fotossíntese sob radiação extrema

Em estados como Piauí e Bahia, a radiação solar intensa impõe um desafio bioquímico às plantas C3, como a soja e o algodão. Sob calor extremo, a enzima Rubisco, essencial para a fixação de CO2 e formação de açúcares, passa a reagir com o oxigênio. Esse processo, conhecido como fotorrespiração, reduz drasticamente a eficiência energética da cultura.

O segredo para manter a “fábrica” funcionando por mais tempo durante o dia reside na nutrição específica.

  • Potássio: Atua como o maestro do controle osmótico, regulando a abertura e o fechamento dos estômatos de forma equilibrada.
  • Micronutrientes: Elementos como cobre, zinco e manganês fortalecem os sistemas enzimáticos e a defesa antioxidante, permitindo que o metabolismo continue ativo mesmo sob sol escaldante.
  • Arrefecimento foliar: O fluxo transpiratório contínuo, garantido pela água em profundidade, promove o resfriamento das folhas, protegendo o aparato fotossintético.

A crise do ácido sulfúrico e o custo dos insumos

Um ponto que exige atenção máxima no planejamento da próxima safra é a volatilidade dos preços de fertilizantes ligados à cadeia do enxofre. Globalmente, a demanda por ácido sulfúrico explodiu, impulsionada pela indústria de baterias para veículos elétricos e pelo processamento de metais como lítio e níquel.

Como o ácido sulfúrico é indispensável na fabricação de MAP, superfosfatos e sulfatos de micronutrientes, qualquer tensão geopolítica ou aumento na demanda industrial reflete no bolso do produtor. Diante desse cenário, a Nitro recomenda que o produtor avalie a antecipação de compras em momentos estratégicos para reduzir a exposição a oscilações bruscas de preço, focando sempre na eficiência agronômica para otimizar cada quilo de nutriente aplicado.

Bioestimulantes e a “vacina” contra o estresse

Para Scaff, as novas cultivares de alto desempenho são como “atletas de elite” e exigem um suporte nutricional à altura. O manejo nutricional no Matopiba moderno inclui o uso de bioestimulantes, que funcionam como um treinamento preventivo. Eles sinalizam para a planta a necessidade de produzir as HSPs (Proteínas de Choque Térmico), uma espécie de “botão de emergência” que prepara as defesas vegetais antes que o calor extremo atinja o pico.+3

Ao associar essa bioestimulação ao uso estratégico de biológicos — que em solos arenosos dependem de raízes ativas e umidade para prosperar — o produtor não apenas aumenta a eficiência do fertilizante químico, mas constrói um sistema produtivo mais estável, resiliente e competitivo para os próximos cinco anos.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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