Considerado um dos “Fórmulas 1” das pastagens, o Panicum maximum exige precisão técnica; entenda como a correção química e física do terreno é o diferencial entre o lucro e a degradação
O setor pecuário brasileiro tem no capim-mombaça uma de suas ferramentas mais potentes para a produção intensiva de carne e leite. No entanto, é frequente o relato de pecuaristas que veem o vigor da pastagem declinar após os primeiros anos de implementação. O diagnóstico, na maioria das vezes, é claro: a falha no manejo do solo capim-mombaça. Por ser uma cultivar de alta performance, ela não tolera solos pobres ou mal corrigidos, “travando” seu crescimento como um mecanismo de sobrevivência.
Nesta reportagem, mergulhamos nas recomendações da Embrapa e de especialistas em solo para entregar o roteiro definitivo de como recuperar e manter a produtividade desta gramínea.
Por que o manejo do solo capim-mombaça é diferenciado?
Diferente de cultivares como a Brachiaria decumbens, que se adapta a solos ácidos e de baixa fertilidade, o Mombaça é classificado como “exigente a muito exigente”. Segundo dados da Embrapa Gado de Corte, o potencial de produção de matéria seca (MS) desta planta pode chegar a 33 toneladas por hectare ao ano, mas essa marca só é atingida se o manejo do solo capim-mombaça fornecer os nutrientes na velocidade que a planta os consome.
Quando o solo apresenta desequilíbrio, a planta reduz o perfilhamento (emissão de novos caules) e as folhas perdem a cor verde intensa, tornando-se amareladas ou arroxeadas. Esse é o primeiro sinal de que o solo atingiu seu limite nutricional.
Calagem, Gessagem e Fosfatagem
Para destravar o crescimento, o produtor precisa olhar abaixo da superfície. O manejo do solo capim-mombaça eficiente começa com a correção da acidez e a neutralização do alumínio tóxico, que impede as raízes de explorarem as camadas profundas em busca de água.
- Calagem Estratégica: O Mombaça exige uma Saturação por Bases (V%) entre 60% e 70%. O calcário deve ser aplicado para elevar o pH e fornecer Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg). Sem isso, a eficiência de qualquer adubo aplicado cai drasticamente.
- Gessagem para Profundidade: Enquanto o calcário atua na camada superficial, o gesso agrícola é fundamental para levar o Cálcio para as camadas abaixo de 20 cm, combatendo o alumínio e aumentando a resistência da pastagem a veranicos.
- Fosfatagem de Base: O fósforo (P) é o combustível para o estabelecimento das raízes. Pesquisas da USP/ESALQ indicam que a deficiência de fósforo é a principal causa do não “fechamento” dos estandes de Mombaça, deixando o solo exposto e propício para invasoras.
O motor da rebrota
Uma vez corrigido o solo, o manejo do solo capim-mombaça entra na fase de manutenção. O Nitrogênio (N) é o nutriente que mais impacta a velocidade de rebrota após o pastejo. Em sistemas intensivos, a aplicação de nitrogênio pode elevar a taxa de lotação de 1,5 para mais de 5 UA/ha (unidade animal por hectare).
Já o Potássio (K) atua na regulação hídrica e na resistência da planta. A falta de K faz com que o capim sinta mais rápido os efeitos da seca, reduzindo a massa foliar disponível para o gado. Especialistas recomendam que a relação N:K seja monitorada de perto para evitar o esgotamento das reservas da planta.
O inimigo invisível do manejo do solo capim-mombaça
Nem todo problema de crescimento é químico. O manejo do solo capim-mombaça também envolve a saúde física da terra. O pisoteio excessivo em solos muito úmidos gera a compactação, que reduz a porosidade e impede a entrada de oxigênio.
“Um solo compactado impede que o Mombaça expresse sua genética. Você pode jogar o melhor adubo do mundo, mas se a raiz não respira, a planta não cresce”, afirmam técnicos de campo.
O uso de escarificadores ou o manejo rotacionado com períodos de descanso adequados são essenciais para manter a estrutura do solo favorável ao desenvolvimento radicular.
Planejamento é a chave do lucro
Recuperar um pasto de Mombaça que “travou” custa significativamente mais caro do que manter uma adubação de manutenção regular. O manejo do solo capim-mombaça deve ser baseado em análises de solo anuais e em um cronograma de reposição de nutrientes que acompanhe a retirada de arrobas da fazenda. Ao tratar o solo como um patrimônio vivo, o produtor garante pasto verde na seca e lucratividade máxima na safra.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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