Com bagos de 30g e doçura extrema, a uva Ruby Roman redefine o mercado de luxo global; entenda os rigorosos critérios da “Premium Class” e o alerta dos especialistas sobre a venda de sementes falsas no Brasil
No Japão, a fruticultura de elite ignora as regras das commodities e opera sob a lógica da alta joalheria. O maior exemplo dessa economia de prestígio é a uva Ruby Roman. Em leilões realizados na província de Ishikawa, o preço de um único cacho chega a atingir 1,1 milhão de ienes (cerca de R$ 40 mil). Dividindo esse valor pela média de 24 bagos por cacho, o resultado é impressionante: cada uva custa aproximadamente R$ 1.600 a R$ 2.000.
Essa exclusividade não é fruto do acaso, mas de um controle estatal rígido. A uva Ruby Roman é produzida apenas por um grupo selecionado de cerca de 400 agricultores em Ishikawa, e a fruta fresca raramente atravessa as fronteiras japonesas, o que alimenta o misticismo e o valor de mercado global.
O que define a uva Ruby Roman?
A barreira para que um cacho receba o selo oficial de autenticidade é altíssima. O Governo da Província de Ishikawa e a cooperativa JA Zennoh estabeleceram métricas que eliminam a maior parte da colheita anual:
- Peso por bago: Cada uva individual precisa pesar, no mínimo, 20 gramas (quase o tamanho de uma bola de pingue-pongue).
- Teor de Açúcar (Brix): A doçura deve ser superior a 18%, medida por refratômetros de precisão.
- Cor e Uniformidade: O tom vermelho-rubi deve ser homogêneo em todo o cacho.
Acima do padrão comum, existe a categoria “Premium Class”. Para entrar nesse grupo de elite, cada uva deve pesar mais de 30 gramas. O rigor é tanto que, em safras inteiras, nenhum cacho consegue atingir os critérios para ser classificado como Premium, tornando as raras unidades que aparecem no Leilão de Kanazawa objetos de disputa entre donos de hotéis de luxo e colecionadores.
14 anos de pesquisa e o segredo da exclusividade
Diferente de variedades tradicionais, a uva Ruby Roman é o resultado de um investimento massivo em biotecnologia. O programa de melhoramento genético começou em 1995 e exigiu 14 anos de testes rigorosos antes de ser lançada comercialmente em 2008.
O segredo do valor não está apenas no DNA da planta, mas no manejo. Os produtores monitoram individualmente a incidência de luz em cada bago e realizam o raleio manual extremo para garantir que os nutrientes da videira se concentrem apenas nos frutos perfeitos. É uma viticultura de precisão levada ao limite, onde o volume de produção é sacrificado em prol da perfeição estética.

Fuja dos golpes de sementes da uva Ruby Roman
A popularidade desta variedade gerou um mercado paralelo perigoso no Brasil. É comum encontrar anúncios de “sementes de Ruby Roman” em plataformas como Mercado Livre e Shopee. No entanto, o setor técnico alerta: é impossível cultivar a Ruby Roman autêntica via sementes.
As características genéticas de tamanho e sabor só são transmitidas por mudas (clones), e o material genético original é protegido por leis de propriedade intelectual e biopirataria. Além disso, no Brasil, há uma confusão frequente com a Uva Rubi. Embora o nome seja parecido e a fruta seja excelente para o consumo diário (custando cerca de R$ 13 a bandeja), a Rubi nacional não possui relação genética com a gigante japonesa.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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