
Com um cenário promissor, a macaúba pode, em breve, se tornar a “nova soja” do Brasil, abrindo portas para um futuro mais sustentável e lucrativo para o setor agropecuário. Árabes investem bilhões no Brasil nessa planta que pode virar uma “nova soja”
A pouco conhecida macaúba está se tornando o centro das atenções no setor agroindustrial brasileiro. Esta planta nativa das regiões tropicais e subtropicais do Brasil, também conhecida como bocaiúva, macaíba, coco-babão e coco-de-espinho, foi escolhida como a mais nova aposta para a produção de biocombustíveis. Com um aporte de R$ 15 bilhões de investidores árabes, a macaúba pode transformar o mercado nacional, criando uma ‘nova era’ no agronegócio brasileiro, ocupando um lugar de destaque ao lado da soja.
Os recursos estão direcionados para o cultivo em larga escala da macaúba, com o objetivo de produzir diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF). Essas alternativas energéticas são vistas como fundamentais para a transição energética global, oferecendo uma solução sustentável frente às crescentes demandas ambientais e de descarbonização.
Neste cenário, a palmeira brasileira macaúba, pesquisada há 18 anos pelo Instituto Agronômico (IAC-Apta), é uma fonte de biocombustíveis altamente estratégica para o futuro, apresentando alta produtividade por hectare.
Enquanto a soja produz cerca de 500 litros de óleo vegetal por hectare, a macaúba rende aproximadamente 2.500 litros no mesmo espaço produtivo, demandando 5 vezes menos área plantada.
O que é a “nova soja” e como funciona seu plantio
A macaúba é uma palmeira rústica, adaptada a diferentes tipos de solo e clima, típica das regiões tropicais e subtropicais do Brasil. Ela pode atingir até 20 metros de altura e é conhecida pela sua capacidade de produzir grandes quantidades de óleo vegetal. Cada palmeira pode gerar frutos ao longo de 30 a 40 anos, garantindo uma produtividade estável por décadas.
O plantio da macaúba não requer grandes intervenções no solo, sendo possível integrá-la em sistemas agroflorestais e em áreas de pastagem degradadas. Essa característica torna o cultivo da macaúba altamente sustentável, pois contribui para a recuperação de solos e evita o desmatamento, uma das principais críticas ao cultivo de soja.
Vantagens da macaúba em relação à soja para biocombustíveis
Em comparação à soja, a macaúba apresenta diversas vantagens para a produção de biocombustíveis. Primeiramente, a quantidade de óleo extraída por hectare é superior à da soja, o que resulta em uma maior eficiência no processo de produção de biodiesel e SAF. Além disso, o ciclo de vida mais longo das palmeiras e a possibilidade de cultivos em áreas não adequadas para outras culturas fazem da macaúba uma alternativa mais viável e sustentável.

Outra vantagem significativa é a baixa exigência de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que são amplamente utilizados no cultivo de soja. Isso não só reduz os custos de produção como também minimiza o impacto ambiental, alinhando-se às exigências globais por práticas agrícolas mais ecológicas.
“Estamos diante de uma nova era no agronegócio brasileiro,” afirmou o economista José Alves, especialista em biocombustíveis. “A macaúba pode se tornar um dos pilares do Brasil como líder mundial na produção de energias renováveis.”
Além de ser uma planta resistente e adaptável a diferentes climas, a macaúba apresenta vantagens econômicas significativas. Ela é capaz de gerar alta produtividade em áreas que hoje estão subutilizadas, contribuindo para a economia local sem a necessidade de desmatamento adicional.
Os investidores árabes veem o Brasil como um parceiro estratégico para a produção desses combustíveis, especialmente devido à expertise nacional no manejo de culturas como a soja, que também começou como uma promessa e hoje é um dos principais produtos de exportação do país.
O projeto também conta com o apoio do governo brasileiro, que vê na macaúba uma oportunidade para consolidar o país como líder em energia limpa. “Estamos comprometidos em apoiar essa iniciativa, que não só diversifica nossa matriz energética, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico e social das regiões envolvidas,” destacou o ministro da Agricultura.
O interesse do setor energético na planta é mais recente, acompanhando o conhecimento científico promovido pelas instituições da Secretaria de Agricultura. Com meta de cultivar 200 mil hectares para a produção de biodiesel nos estados da Bahia e norte de Minas Gerais, o programa de melhoramento genético da macaúba da Acelen Renováveis vem sendo conduzido pelo IAC, por meio de Projeto de Pesquisa de cinco anos de duração, com interveniência da Fundag.
Para o pesquisador Carlos Colombo, o setor privado só entrou no negócio com garantias de sua rentabilidade, exigindo anos de pesquisa para demonstrar o potencial da oleaginosa na economia paulista e nacional. “As atividades de pesquisa do Programa Macaúba do IAC tiveram início em 2006, há 18 anos. A construção de uma cadeia de produção competitiva de uma espécie com baixo grau de domesticação, como o da macaúba, exige muito investimento em pesquisa, pois os desafios são enormes”, afirma.
Com um cenário promissor, a macaúba pode, em breve, se tornar a “nova soja” do Brasil, abrindo portas para um futuro mais sustentável e lucrativo para o setor agropecuário.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98. A raça Pêga, símbolo da tradição brasileira, ganha o mundo com a excelência genética do Rancho Abate, que transforma sua paixão em referência internacional, se tornando maior exportador de jumentos Pêga do Brasil. Continue Reading Rancho Abate é o maior exportador de jumentos Pêga do Brasil A Anvisa esclareceu que o ora-pro-nóbis, também conhecido como “pereskia” ou “cacto comestível”, não é um ingrediente aprovado para ser utilizado em suplementos alimentares no Brasil Continue Reading Anvisa proíbe a comercialização de suplementos alimentares com ora-pro-nóbis O preço do gás natural que chega às indústrias brasileiras tem sido, em média, de US$ 20 (cerca de R$ 112) por milhão de BTUs (unidade de medida térmica). Continue Reading Gás natural para a indústria é um dos mais caros do mundo, diz CNI Estudo aponta que o país superará os Estados Unidos na produção mundial de carne bovina e consolidará sua posição como potência global na pecuária Continue Reading Brasil deve liderar produção mundial de carne bovina até 2027, projeta Datagro No acumulado dos dois primeiros meses do ano, houve crescimento de 14,2% das vendas de tratores Continue Reading Vendas de tratores sobem 15,9% em fevereiro frente ante um ano, afirma Fenabrave Um dos principais argumentos da Casa Branca para o tarifaço desta semana é que os parceiros comerciais têm adotado tarifas aos produtos estadunidenses superiores aos que os EUA aplicam nas suas importações e cita o caso do Brasil Continue Reading Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para BrasilRancho Abate é o maior exportador de jumentos Pêga do Brasil
Anvisa proíbe a comercialização de suplementos alimentares com ora-pro-nóbis
Gás natural para a indústria é um dos mais caros do mundo, diz CNI
Brasil deve liderar produção mundial de carne bovina até 2027, projeta Datagro
Vendas de tratores sobem 15,9% em fevereiro frente ante um ano, afirma Fenabrave
Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para Brasil