José Amauri Dimarzio, ex-ministro interino da Agricultura e ícone da raça Brahman, deixa um legado histórico de liderança técnica e política para a pecuária nacional
O setor produtivo brasileiro amanheceu em profundo luto no agronegócio com a confirmação do falecimento de José Amauri Dimarzio, ocorrido nesta terça-feira (17). Aos 81 anos, o engenheiro agrónomo e antigo governante deixa uma trajetória marcada pela excelência na gestão pública e pelo papel fundamental na internacionalização da genética bovina do país.
Dimarzio foi uma das vozes mais respeitadas na transição da agricultura tradicional para a potência tecnológica que o setor representa na atualidade.
Trajetória de liderança no Ministério da Agricultura
Formado pela prestigiada USP/Esalq, Dimarzio não foi apenas um técnico, mas um articulador estratégico em Brasília. Entre 2002 e 2004, desempenhou funções cruciais como secretário-executivo e assumiu a pasta como ministro interino da Agricultura e Pecuária.
A sua visão sistémica do campo permitiu que contribuísse em diversas frentes, ocupando cargos de relevo em instituições como a Embrapa, o Conselho Nacional de Política Agrícola e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O seu currículo inclui ainda passagens pelo Instituto Agronómico de Campinas (IAC) e pela gestão de centros logísticos como a Ceagesp e Ceasa, consolidando uma carreira de dedicação absoluta ao desenvolvimento rural.
O impacto na raça Brahman e o luto no agronegócio
Para além da esfera política, o nome de Dimarzio é indissociável da raça Brahman. Como criador na Fazenda Montreal, em São Pedro (SP), ele foi o grande responsável por elevar o patamar da raça no Brasil. Durante a sua presidência na Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), entre 2008 e 2010, o país acolheu, pela primeira vez, o Congresso Mundial da Raça Brahman, um marco que colocou a pecuária brasileira sob os holofotes globais.
O impacto da sua liderança foi tão vasto que ele presidiu a World Brahman Federation, projetando a qualidade do gado zebuíno nacional para o mundo. Em reconhecimento ao seu trabalho, a ACBB instituiu em 2016 a Comenda Dr. José Amauri Dimarzio, uma distinção voltada para os profissionais que mais se destacam no fomento da raça. Este momento de luto no agronegócio recorda o homem que transformou a paixão pelo campo em progresso institucional.
Reconhecimento e legado intelectual
O falecimento de Dimarzio gerou uma onda de homenagens de diversas entidades. O presidente da ACBB, Gustavo Rodrigues, destacou que o legado do antigo ministro é fundamental para a consolidação do Brahman no país. “Sua atuação deixa marcas importantes para a pecuária nacional”, afirmou Rodrigues em nota oficial.
Escritor e pensador do setor, Dimarzio publicou em 2017 a obra “50 anos da Agricultura Tradicional ao Agronegócio”, livro que se tornou uma referência para compreender a evolução das políticas agrícolas brasileiras. Com a sua partida, o luto no agronegócio simboliza o encerramento de um capítulo brilhante de um dos maiores defensores do produtor rural.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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