Lucro líquido da Boa Safra cai 62,68% no 4º tri de 2024, para R$ 80,26 milhões

A Boa Safra encerrou 2024 com lucro líquido de R$ 160,51 milhões, queda de 53,47% em relação ao ano anterior

São Paulo, 26 – A Boa Safra, produtora brasileira de sementes de soja, obteve lucro líquido de R$ 80,263 milhões no quarto trimestre do ano passado, disse a empresa na terça-feira, 25, depois do fechamento do mercado. O resultado representa queda de 62,68% ante igual período do ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado no período recuou 7,36%, para R$ 131,4 milhões. Já a receita líquida cresceu 13,78%, para R$ 957 milhões, impulsionada pela concentração das vendas no fim do ano.

A Boa Safra encerrou 2024 com lucro líquido de R$ 160,51 milhões, queda de 53,47% em relação ao ano anterior. O recuo, segundo a empresa, refletiu a redução nas vendas e na rentabilidade, refletindo fatores climáticos, mudanças no mix de produtos e maior carga tributária.

O Ebitda ajustado no ano passado caiu 35,45% em relação a 2023, para R$ 183,3 milhões. A receita líquida somou R$ 1,841 bilhão, recuo de 11,43% frente a 2023. A margem operacional ficou em 9,96%, abaixo dos 13,66% registrados no ano anterior.

A empresa destacou que as perdas climáticas – seca no início do plantio e excesso de chuvas na colheita – afetaram diretamente a produção. No total, a Boa Safra vendeu 161 mil sacas industriais de sementes em 2024, uma redução de 4% ante 2023. Essas sacas, também conhecidas como big bags, são unidades de comercialização de sementes com grande volume, destinadas a produtores rurais. A participação de mercado recuou de 8,5% para 8,0%, com impacto mais forte em regiões como Mato Grosso, Pará e Goiás.

Mesmo com tíquete médio menor, a empresa aumentou a participação em sementes tratadas com proteção contra pragas e doenças. A diversificação também avançou: a fatia de outras culturas e serviços dobrou, passando de 5% para 10% da receita em 2024. As vendas de sementes de feijão, por exemplo, cresceram 64% em relação ao ano anterior.

A Boa Safra reforçou sua estrutura com a abertura de dois centros de distribuição em Mato Grosso e ampliação das fábricas em Minas Gerais. Para 2025, a empresa projeta aumento da capacidade de produção para 280 mil sacas industriais, ante 240 mil em 2024, e contratou área de plantio com produtores parceiros equivalente a 274 mil hectares, 20% acima do ano anterior.

A companhia terminou o ano com posição de caixa líquida de R$ 171,2 milhões e dívida bruta de R$ 414 milhões. Um dos destaques foi a captação de R$ 500 milhões por meio da emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), mecanismo financeiro usado para antecipar receitas futuras com base em contratos firmados com clientes. “O aprendizado obtido em um ano desafiador como 2024 nos permitiu aprimorar nossos processos e reforçar nosso compromisso com a eficiência operacional”, disse em comunicado o CEO da Boa Safra, Marino Colpo. Segundo ele, a Boa Safra seguirá ajustando sua estratégia para “buscar margens mais saudáveis e um crescimento sustentável no longo prazo”.

Cenário para 2025

A Boa Safra pretende manter ativa sua agenda de aquisições ao longo de 2025, mesmo após um ano desafiador. “Tem boas empresas numa situação um pouco mais difícil. Essas novidades, produtos mais técnicos, são mais difíceis de vender, e a gente acha que está num momento bom de fazer parcerias”, disse o CEO Marino Colpo durante entrevista coletiva. Segundo ele, a companhia deve anunciar novos movimentos ao longo do ano, apoiada em uma posição financeira sólida e capacidade de atuação estratégica em um setor ainda impactado por margens apertadas, juros altos e maior seletividade bancária.

Com estrutura de capital robusta e baixa alavancagem, a empresa prevê um crescimento de até 40% no volume de produção de sementes neste ano, com a meta de atingir 280 mil big bags. Em 2024, a Boa Safra entregou 205 mil big bags, abaixo da capacidade instalada, por conta de adversidades climáticas. “A gente continua investindo, mesmo com os desafios do ano passado. A capacidade foi ampliada e estamos contratando mais área com parceiros para garantir esse avanço”, afirmou Colpo.

Entre os investimentos estratégicos, a companhia ingressou no segmento de forrageiras ao adquirir participação na SBS Green Seeds, joint venture voltada à agricultura regenerativa. “Se a gente não achasse que esse é o futuro, não teríamos investido. Estamos falando de mais plantas de cobertura, mais biológicos, menos químicos e foco na saúde do solo”, explicou o executivo.

Na frente financeira, a Boa Safra reforçou seu caixa com a emissão de um CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) de R$ 500 milhões em janeiro. Segundo o CFO Felipe Marques, os recursos estão sendo usados principalmente para capital de giro, como antecipação de royalties, compra de estoque e financiamento a clientes. “Mesmo com juros altos e um mercado mais fechado para o agro, tivemos demanda total. Emitimos uma das séries mais longas, de cinco anos, o que mostra confiança dos investidores na nossa resiliência”, disse.

A companhia terminou 2024 com R$ 585 milhões em caixa e R$ 414 milhões em dívida bruta. A maior parte do passivo vence a partir de 2026. A dívida líquida consolidada encerrou o ano próxima de zero. “Estamos numa posição de conforto que poucas empresas do agro têm hoje. Isso nos dá liberdade para tomar boas decisões de alocação e buscar crescimento com segurança”, afirmou Marques.

Na operação, Colpo afirmou que a Boa Safra continua ampliando sua atuação comercial direta com os clientes. “Temos uma meta interna de mais de mil visitas por mês. Investimos muito em inteligência de mercado para ampliar a base. Estamos indo fundo nessa estratégia”, disse. A pulverização da carteira tem sido reforçada com a redução gradual da exposição a grandes revendas, que caiu de 64% do faturamento em 2021 para 19% em 2024.

O executivo também destacou o avanço das novas biotecnologias em sementes. Em 2023, essas variedades representavam cerca de 11% das vendas da companhia; em 2024, a fatia dobrou para 22%. “A tendência é crescer ainda mais este ano. O produtor está cada vez mais exigente e buscando tecnologias que realmente entreguem resultado no campo”, afirmou. Ao comentar o uso de sementes não certificadas, Colpo afirmou que “a semente salva ou pirata já foi 40%, 50% do volume”, mas hoje estaria em torno de 10%. “Na minha visão, ela tem caído ao longo do tempo. Quando você vai para o Cerrado, que é dois terços do mercado, estamos falando de 6%”, disse. Segundo ele, o produtor tem buscado mais qualidade, o que ajuda a reduzir esse mercado informal.

Mesmo com os efeitos da retração do setor em 2024, a Boa Safra encerrou o ano com inadimplência de apenas 1,7% da carteira. “A receita caiu 12%, o que é uma retração pequena comparado com o que vimos em outras empresas do agro. E mais de 90% da carteira de recebíveis tem algum tipo de proteção. Estamos conservadores, mas com capital para seguir investindo”, destacou o CFO.

Na avaliação de Colpo, o pior momento do agro já passou. “O produtor está menos endividado. Eu, inclusive, até o momento, tenho visto bem menos recuperações judiciais de produtores do que no ano passado. O que a gente tem é um problema em algumas revendas, revendas grandes, que estavam muito endividadas”, disse. Segundo ele, a produção nas lavouras está, em média, 10% superior à do ciclo anterior, o que indica um cenário mais favorável para 2025.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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