Lucro do Banco do Brasil cai 45% em 2025 pressionado pela inadimplência no agro

Avanço dos atrasos no crédito rural eleva provisões, reduz rentabilidade e acende alerta sobre a saúde financeira do campo.

O Banco do Brasil encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões, uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior e o pior desempenho desde 2020. O principal fator por trás da retração foi o aumento expressivo da inadimplência, especialmente no agronegócio — setor no qual a instituição é líder histórica em concessão de crédito e principal agente financeiro do Plano Safra.

Ao longo do ano, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17%, sendo ainda mais elevado na carteira do agro, que alcançou 6,09%. O aumento dos atrasos levou o banco a ampliar significativamente as provisões para perdas com crédito, fazendo com que o custo do risco atingisse R$ 61,9 bilhões. Esse movimento impactou diretamente o resultado final, reduzindo a rentabilidade da instituição e pressionando o retorno sobre o patrimônio líquido.

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O cenário reflete as dificuldades enfrentadas por produtores rurais em 2025. Margens mais apertadas, oscilações de preços, endividamento acumulado de safras anteriores e um volume crescente de recuperações judiciais no campo contribuíram para a deterioração da carteira rural. Mesmo assim, o Banco do Brasil manteve sua posição estratégica no financiamento ao setor, encerrando o ano com R$ 406,1 bilhões na carteira de crédito ao agronegócio, alta de 2,1% em relação a 2024.

Nos primeiros seis meses do Plano Safra 2025/2026, o banco desembolsou R$ 103,9 bilhões em operações para o setor, além de R$ 12,3 bilhões destinados a linhas voltadas à cadeia de valor do agro. O movimento demonstra que, apesar da elevação do risco, a instituição continuou sustentando o fluxo de recursos ao campo, inclusive para agricultura familiar e médios produtores.

No quarto trimestre de 2025, houve leve recuperação no resultado, com lucro de R$ 5,7 bilhões — superior ao trimestre anterior, mas ainda abaixo do registrado no mesmo período de 2024. Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com crescimento mais moderado da carteira de crédito. No entanto, a expectativa para o agronegócio é de estabilidade ou até leve retração, com projeção de variação entre -3% e 1% no crédito rural.

O desempenho de 2025 evidencia a forte correlação entre a saúde financeira do Banco do Brasil e o comportamento do agronegócio brasileiro. Quando o campo enfrenta turbulências, os reflexos aparecem no balanço da principal instituição financiadora do setor. O desafio para os próximos anos será equilibrar a manutenção do apoio ao produtor rural com maior rigor na gestão de risco, em um ambiente ainda marcado por incertezas econômicas e climáticas.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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