Juiz blinda dívidas de R$ 137 milhões e grupo familiar do agro entra em recuperação judicial

Setor agropecuário enfrenta dificuldades com colheitas afetadas por fenômenos climáticos e crise financeira; Diante do exposto, juiz blinda dívidas de R$ 137 milhões e grupo familiar do agro, Grupo Kansas, entra em recuperação judicial.

O Grupo Kansas, composto por membros de uma mesma família e responsável por empresas no ramo de transporte e agricultura, solicitou recuperação judicial após acumular dívidas que somam R$ 137.475.258,91. A decisão foi tomada pela juíza Giovana Pasqual de Mello, da comarca de Sinop, que autorizou o grupo a buscar uma reestruturação financeira para viabilizar o pagamento das obrigações.

O grupo, formado por Antonio Carlos Pelissa, Dilamar Zonta Pelissa, Anderson Wilian Pelissa e Cristian Natan Pelissa, iniciou suas atividades em 1980 com suinocultura e se expandiu ao longo dos anos para a agricultura, cultivando soja, milho e arroz, além de atuar no transporte rodoviário de grãos. A crise que levou à recuperação judicial teve início em 2021, quando a colheita de soja foi severamente impactada por chuvas excessivas, resultando em grandes perdas e impossibilitando o cumprimento de contratos.

Nos anos seguintes, o fenômeno El Niño agravou ainda mais a situação com a seca e a escassez hídrica, prejudicando tanto a produtividade da soja quanto a viabilidade da safrinha de milho. Esses fatores, juntamente com a desvalorização das commodities e o aumento nos custos de produção, colocaram o Grupo Kansas em uma posição financeira difícil.

O alto endividamento, necessário para manter as operações, somado à crise no setor de transportes, levou o grupo a não conseguir mais honrar seus compromissos sem uma reestruturação significativa.

A juíza que analisou o caso deferiu o pedido de recuperação, ressaltando que o grupo cumpriu todos os requisitos legais para o processo. Ela determinou a inclusão da expressão “em recuperação judicial” nos atos e contratos do grupo e estabeleceu um prazo de 15 dias para a correção das demonstrações contábeis, visando uma maior transparência nas dívidas e no balanço patrimonial.

A administradora judicial nomeada foi a Credibilitá Administrações Judiciais, que ficará responsável pela gestão do processo, com remuneração de R$ 2.190.853,96, a ser paga em 36 parcelas mensais. Durante o período da recuperação judicial, as ações e execuções contra o grupo serão suspensas por 180 dias. Caso o grupo não apresente o plano de recuperação dentro do prazo de 60 dias, o processo pode ser convertido em falência.

Aumento de pedidos em 2024 e perspectivas para 2025

Em 2024, o setor agropecuário brasileiro registrou um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial, refletindo os desafios enfrentados pelas empresas do setor. No último trimestre de 2024, havia 295 empresas nessa condição, representando um aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Especialistas apontam que a tendência de crescimento nos pedidos de recuperação judicial deve continuar em 2025. Fatores como a manutenção de taxas de juros elevadas, que aumentam os custos financeiros dos produtores, e a necessidade de rolagem de dívidas contraídas em 2024, colocam o setor em uma posição vulnerável. A expectativa é de que a inadimplência continue em alta, intensificando a pressão sobre o setor financeiro.

Além disso, eventos climáticos adversos, como o fenômeno El Niño, que trouxe seca e escassez hídrica, e a desvalorização das commodities, contribuíram para o aumento das dificuldades financeiras no setor agropecuário. Esses desafios, combinados com o aumento nos custos de produção e a crise no setor de transportes, resultaram em um passivo significativo para muitas empresas, tornando a recuperação judicial uma alternativa viável para evitar a falência e buscar uma reestruturação financeira. ​

Diante desse cenário, é fundamental que as empresas do setor agropecuário adotem estratégias de gestão financeira mais robustas e busquem alternativas, como a recuperação extrajudicial, para enfrentar as adversidades econômicas previstas para 2025.

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