Investidores denunciam Vibra na CVM por inadimplência em aluguel

O problema começou em maio de 2024, quando a Vibra não pagou uma parcela do aluguel do imóvel, que comprou em um leilão judicial.

Rio e São Paulo, 18 – Um grupo de investidores do Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) lastreados no aluguel do prédio onde fica a sede da Vibra, no centro do Rio de Janeiro, protocolou uma notificação contra a distribuidora na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e promete também acionar, nas próximas semanas, a Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM dos Estados Unidos.

Os investidores pedem que a autarquia intervenha e adote medidas urgentes para solucionar o imbróglio que já dura 23 meses em torno da inadimplência do aluguel do prédio, que é lastro dos títulos e que ultrapassa a casa dos R$ 600 milhões.

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Origem

O problema começou em maio de 2024, quando a Vibra não pagou uma parcela do aluguel do imóvel, que comprou em um leilão judicial um mês antes, por R$ 127 milhões.

Na tentativa de buscar uma solução extrajudicial para o caso, o grupo de investidores contratou a KonSCIO Finanças Corporativas, consultoria especializada em M&A e Finanças Corporativas.

“Procuramos a Companhia com o objetivo de negociar uma solução para o default dos CRIs”, afirma o diretor da KonSCIO, Marcelo Bortman.

Construção

O prédio no Rio foi construído entre 2012 e 2013, pela construtora Confidere, que financiou a obra com a captação de um CRI de R$ 700 milhões, que atraiu 1700 investidores.

Esse valor seria pago por meio de “contrato atípico de aluguel” do prédio, até 2031.

O aluguel mensal do prédio era de R$ 5,2 milhões e era cobrado pela Opea Securitizadora, a empresa que fez o CRI e em 2024 soltou comunicado ao mercado falando do não pagamento do aluguel.

Compra

A construção do prédio no Rio era um projeto da Vibra, então chamada de Petrobras Distribuidora, que queria uma nova sede. Anos depois, em 2023 a Confidere entrou em falência e o imóvel foi leiloado em 2024, arrematado pela Vibra.

O argumento da Vibra é que ao comprar o prédio, a empresa passou a ser proprietária e não precisa mais pagar o aluguel, o que na visão da empresa extingue o contrato atípico de aluguel.

Já o grupo de investidores alega que a empresa só não precisaria pagar o aluguel se não usasse mais o imóvel.

Nos EUA

O grupo de investidores que entrou na CVM afirma que a Vibra deve, ao todo, 88 alugueis, de maio de 2024 a junho de 2031, quando vence o contrato. Além de procurar a CVM, o grupo vai entrar nas próximas semanas com denúncia na SEC, porque a Vibra tem papéis negociados na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), onde tem American Depositary Receipts (ADRs) nível 1, que são recibos de ações da empresa na B3 negociados nos EUA.

Arbitragem

O imbróglio está em discussão também por meio de Procedimento de Arbitragem, onde as partes já apresentaram suas alegações. A primeira audiência foi marcada para o período entre 3 e 6 de novembro deste ano. Após essa audiência, as partes vão apresentar suas considerações finais e será proferida a sentença.

Com a palavra

Procurada, a Vibra não se pronunciou. Em 2024, quando o caso veio a publico, a Vibra informou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) em nota que não descumpriu nenhuma obrigação por ela assumida perante o mercado e não tem relação direta com os titulares do CRI.

Naquele momento, a empresa disse ainda que tal operação feita ainda na época da BR Distribuidora “é um caso extraordinário de CRI emitido sem nenhuma garantia além do patrimônio da própria Confidere e de seus sócios”.

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