ICAP aponta recuo de até -16,9% no custo alimentar anual, com lucros de até R$ 1.127 por cabeça nos sistemas intensivos. Sudeste fecha o ano com o menor índice mensal
O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) encerrou o ano de 2025 com um dos cenários mais favoráveis da história recente para a pecuária intensiva brasileira. Em dezembro, o ICAP caiu para o menor patamar anual no Sudeste, enquanto o Centro-Oeste apresentou leve alta mensal. Mesmo com oscilações pontuais, os custos alimentares ficaram estruturalmente abaixo dos níveis de 2024, garantindo margens expressivas para os confinadores.
No Centro-Oeste, o ICAP fechou dezembro em R$ 12,69, com alta de 1,28% frente a novembro. No Sudeste, o índice caiu para R$ 11,74, queda mensal de 4,40%, marcando o menor valor do ano.
Na média anual, o ICAP de 2025 ficou 12,01% abaixo de 2024 no Centro-Oeste e 3,84% menor no Sudeste. Entre os principais fatores que sustentaram esse movimento estão a supersafra de grãos, especialmente milho e soja, e a maior disponibilidade de coprodutos como DDG, polpa cítrica, bagaço de cana e caroço de algodão, com preços mais competitivos.
Visão trimestral dos insumos por Região
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, apesar da queda do milho grão úmido (-6,61%), o movimento não foi suficiente para garantir redução do ICAP regional. A dieta de terminação encerrou dezembro em R$ 1.092,25 por tonelada de matéria seca, com leve alta de 0,29% em relação ao trimestre anterior. As reduções no farelo de arroz (-37,0%) e no milho grão (-3,9%) foram parcialmente compensadas pelas altas dos volumosos (+5,78%), casca de soja (+4,20%) e polpa cítrica (+4,36%).
Sudeste
A redução observada no Sudeste foi generalizada entre os insumos, com destaque para os volumosos, que recuaram 7,28% no mês. O movimento foi sustentado pela maior oferta de bagaço de cana e silagens durante o período de moagem. No Sudeste, o custo da dieta de terminação fechou dezembro em R$ 1.143,86 por tonelada de matéria seca, praticamente estável (-0,13%), com destaque para a expressiva queda dos volumosos (-13,06%).
Porteira pra Fora x Porteira pra Dentro
Dezembro de 2025 apresentou as melhores margens do ano para o confinamento bovino, reforçando um cenário altamente favorável para a atividade. Apesar do preço da arroba não ter superado a casa dos R$ 330,00, a supersafra de grãos, somada à ampliação de mercados, recordes na exportação e demanda interna firme, garantiram as condições para a alta performance dos confinadores.
Com base no ICAP de dezembro, os custos de produção da arroba ficaram praticamente iguais: R$ 186,23 no Centro-Oeste e R$ 186,36 no Sudeste.
No Centro-Oeste, a margem estimada foi de R$ 124,77 por arroba, resultando em lucro médio de R$ 1.040,62 por cabeça. No Sudeste, a margem alcançou R$ 139,14 por arroba, com lucro estimado de R$ 1.127,06 por cabeça.
Em relação a dezembro de 2024, o lucro por cabeça avançou 83,0% no Centro-Oeste e 38,1% no Sudeste, reforçando o caráter excepcional do cenário de 2025.
*Estimativa de lucratividade realizada com cotação de arroba balcão, sem a adição de bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade e protocolos de mercado.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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