Hipismo movimenta mais de R$ 1,1 bilhão e revela força econômica bilionária no agronegócio paulista

Estudo inédito da FPH e ESALQ mostra que o hipismo já gera mais de 42 mil empregos, movimenta bilhões em patrimônio e impulsiona setores como turismo, genética, veterinária, eventos e equoterapia em São Paulo

O hipismo brasileiro deixou há muito tempo de ser apenas um esporte ligado ao lazer ou à elite. Um estudo inédito realizado pela Federação Paulista de Hipismo (FPH) em parceria com a ESALQ/USP revelou números que colocam a atividade entre os segmentos de maior impacto econômico dentro da equideocultura nacional. Somente no Estado de São Paulo, o setor movimenta mais de R$ 1,113 bilhão por ano, gera 42.183 empregos diretos e indiretos e possui um patrimônio estimado em aproximadamente R$ 7,8 bilhões.

Os dados fazem parte do relatório “Pesquisa sobre o Impacto Econômico do Hipismo no Estado de São Paulo”, divulgado em abril de 2026, e ajudam a dimensionar a força econômica de uma cadeia que envolve não apenas competições e criação de cavalos, mas também genética, turismo, hotelaria, alimentação, saúde, transporte, marketing, infraestrutura e serviços especializados.

Além da movimentação financeira, o levantamento estima que o hipismo paulista seja responsável pela geração de R$ 581,9 milhões em Produto Interno Bruto (PIB), consolidando o setor como uma atividade relevante dentro do agronegócio e da economia do esporte no Brasil.

Crescimento acelerado do hipismo impressiona

O estudo identificou uma forte expansão da atividade entre 2020 e 2025, especialmente no número de atletas e animais registrados na Federação Paulista de Hipismo.

Segundo os dados:

  • o número de atletas federados cresceu 405%;
  • o total de animais federados aumentou 290% no período.

Em 2020, o Estado possuía 868 animais federados. Já em 2025, esse número saltou para 3.727 cavalos registrados.

A pesquisa aponta que esse avanço ocorre junto com um processo de renovação do esporte, marcado pela entrada de novos praticantes e pela redução da idade média dos atletas.

Entre as modalidades, o grande destaque ficou para o salto voltado a iniciantes. A categoria apresentou crescimento de:

  • 475% no número de atletas;
  • aumento de 54% na representatividade dentro das competições.

O levantamento mostra ainda que, em 2025, cerca de 81% das provas realizadas foram destinadas às categorias de salto e salto para iniciantes, evidenciando um forte processo de popularização do esporte.

Mais de 1.200 provas em um único ano

O calendário oficial do hipismo paulista também demonstra o tamanho da atividade. Apenas em 2025 foram realizados:

  • 81 campeonatos;
  • 1.219 provas oficiais.

As modalidades mais presentes foram:

  • salto;
  • salto para iniciantes;
  • adestramento;
  • enduro;
  • concurso completo de equitação;
  • paraequestre;
  • volteio.

Segundo o estudo, o crescimento do número de competições acaba irradiando impactos para diversos setores da economia, já que cada evento mobiliza profissionais, fornecedores, hotéis, restaurantes, equipes técnicas e serviços especializados.

Um evento de hipismo gera dezenas de empregos

A pesquisa detalha que uma competição média de hipismo em São Paulo gera aproximadamente 65 empregos diretos e indiretos.

Entre os profissionais envolvidos estão:

  • juízes;
  • veterinários;
  • cronometristas;
  • ferradores;
  • fotógrafos;
  • tratadores;
  • equipe médica;
  • segurança;
  • locutores;
  • montadores de pista;
  • profissionais de marketing e administração.

O relatório destaca que a estrutura necessária para a realização de uma competição hípica é ampla e altamente especializada, exigindo mão de obra qualificada em diferentes áreas.

Além dos empregos, os eventos também movimentam cifras relevantes. Considerando inscrições, patrocínios e receitas operacionais, a estimativa é que os campeonatos movimentem cerca de R$ 27,7 milhões por ano no Estado de São Paulo.

Comércio de cavalos movimenta centenas de milhões

Outro ponto que chama atenção no estudo é o impacto econômico ligado ao comércio de animais.

Os pesquisadores estimam que aproximadamente 7% da tropa paulista seja comercializada anualmente, o equivalente a cerca de 1.262 cavalos por ano.

Com valor médio estimado em R$ 160 mil por animal, o setor movimenta:

  • aproximadamente R$ 222 milhões anuais apenas na comercialização de equinos.

O relatório ainda ressalta que esse valor pode ser ainda maior devido à existência de animais de altíssimo valor genético e esportivo, especialmente ligados às modalidades de salto, adestramento e reprodução.

Hipismo fortalece genética e reprodução equina

A pesquisa também reforça a importância do hipismo no desenvolvimento genético dos cavalos esportivos brasileiros.

De acordo com os dados levantados:

  • existem mais de 25 mil animais registrados da raça Brasileiro de Hipismo;
  • cerca de 16 mil estão no Estado de São Paulo.

Os pesquisadores destacam que o avanço do esporte impulsiona investimentos em:

  • reprodução;
  • biotecnologia;
  • seleção genética;
  • transferência de embriões;
  • importação de linhagens internacionais.

Essa valorização ajuda a consolidar o Brasil como um dos mercados emergentes mais importantes da equideocultura esportiva mundial.

Competições internacionais ampliam impacto econômico

As disputas internacionais também possuem peso importante dentro da cadeia econômica do hipismo.

O estudo aponta que a participação de conjuntos brasileiros em provas no exterior — além da vinda de atletas estrangeiros ao Brasil — gera impactos relevantes em:

  • transporte aéreo especializado;
  • quarentena sanitária;
  • seguros;
  • hospedagem;
  • veterinária;
  • logística;
  • equipes técnicas.

Segundo o relatório, as competições internacionais relacionadas ao setor movimentam aproximadamente R$ 25,8 milhões e geram cerca de 179 empregos diretos.

Stephan e Primavera, produto 100% brasileiro, deram show em pista
Foto: CBH/Luis Ruas

Equoterapia ganha destaque social e econômico

Além do aspecto esportivo, o documento dedica espaço importante à equoterapia, considerada uma das atividades de maior relevância social dentro da equideocultura.

O Estado de São Paulo possui:

  • 185 centros de equoterapia;
  • equivalente a 27,5% do total nacional.

Cada centro movimenta, em média, cerca de R$ 375 mil por ano, somando aproximadamente R$ 65 milhões anuais em atividade econômica.

O estudo ressalta ainda os benefícios físicos, cognitivos e emocionais proporcionados pela interação com os cavalos, especialmente para pacientes em tratamentos terapêuticos.

Hipismo deixa de ser nicho e se consolida como potência econômica

As conclusões do relatório indicam que o hipismo brasileiro atravessa uma transformação histórica. O esporte amplia sua base de praticantes, atrai novos investimentos e fortalece toda a cadeia ligada à equideocultura.

Além da movimentação bilionária, os pesquisadores destacam que o setor:

  • estimula inovação tecnológica;
  • fortalece o turismo rural e esportivo;
  • gera milhares de empregos;
  • impulsiona o agronegócio;
  • valoriza a genética equina nacional;
  • amplia a internacionalização do cavalo brasileiro.

Ao final do estudo, os autores reforçam que o hipismo já deve ser visto como uma atividade econômica estratégica dentro do agronegócio paulista, com impacto direto sobre renda, consumo, serviços e desenvolvimento regional.

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