Haddad diz que ainda não sabe estimar impacto da safra no PIB, mas que deve ser positiva

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirma que bom desempenho no campo não garante, por si só, aceleração do crescimento econômico, mas reforça papel do agro no controle da inflação; Safra 2026 deve ser positiva

O desempenho do agronegócio brasileiro voltou ao centro do debate econômico nesta quinta-feira (29), após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre as perspectivas para a safra de 2026. Segundo ele, a colheita tende a ser positiva, mas ainda não há elementos suficientes para estimar se o resultado será forte o bastante para impulsionar diretamente o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

As declarações foram dadas em conversa com jornalistas, no fim da manhã, na chegada de Haddad ao Ministério da Fazenda. O ministro adotou um tom cauteloso ao tratar da relação entre produção agrícola e crescimento econômico, destacando que bons volumes de safra nem sempre se traduzem automaticamente em avanço do PIB.

Safra forte nem sempre significa crescimento estatístico, segundo Haddad

De acordo com Haddad, a repetição de um bom resultado agrícola não garante, do ponto de vista estatístico, aceleração do crescimento econômico. Isso ocorre porque o PIB mede variação e não volume absoluto.

“Eu acredito que a safra vai vir bem. Eu não sei o quão bem ela virá para impactar crescimento. Porque, às vezes, se você repetir um bom resultado, você não garante — estatisticamente — o crescimento”, afirmou o ministro.

Na prática, isso significa que, mesmo com uma produção elevada, o impacto no PIB pode ser limitado caso o patamar de comparação já seja alto, como ocorreu em anos recentes em que o agronegócio bateu recordes sucessivos.

Papel estratégico do agro no controle da inflação

Embora tenha evitado fazer projeções sobre o PIB, Haddad foi enfático ao ressaltar o papel do agronegócio como aliado no controle dos preços e da inflação. Segundo ele, a expectativa é de uma oferta robusta de alimentos, o que tende a reduzir pressões inflacionárias ao longo de 2026, especialmente no grupo de alimentos, um dos mais sensíveis para o consumidor.

“O agro vai continuar colaborando, na minha opinião, com o controle de preços. Você tem uma oferta muito boa. Se não tiver uma intercorrência muito forte — e isso não está no nosso radar neste momento — tudo indica que a safra vai continuar ajudando a controlar preços de alimentos e a inflação”, completou Haddad .

Expectativa positiva, mas com riscos no radar

Apesar do otimismo moderado, o ministro reconheceu que eventuais intercorrências climáticas ou logísticas ainda podem alterar o cenário, mesmo que, neste momento, não haja alertas relevantes no radar do governo. O cuidado com previsões mais assertivas reflete o histórico recente do setor, marcado por extremos climáticos, como secas e excessos de chuva, que impactaram produtividade e custos em diferentes regiões do país.

Agro segue como pilar da economia brasileira

As falas de Haddad reforçam uma leitura recorrente na política econômica: o agronegócio segue sendo um dos principais amortecedores da inflação no Brasil, além de um pilar estrutural da economia. Ainda que o impacto direto no PIB possa variar ano a ano, o setor continua exercendo influência decisiva sobre preços, balança comercial e segurança alimentar.

Assim, mesmo sem garantir uma contribuição estatística expressiva para o crescimento econômico em 2026, a safra agrícola mantém papel central na estabilidade macroeconômica, especialmente em um cenário de atenção redobrada à inflação e ao poder de compra da população.

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