Haddad busca pecuarista no PDT para tentar conter a fúria do agronegócio contra o PT

Estratégia foca na pecuarista Teresa Vendramini para tentar romper a barreira de rejeição no interior paulista e atrair o setor rural, que hoje demonstra apoio majoritário à reeleição de Tarcísio de Freitas

O tabuleiro eleitoral em São Paulo movimenta-se com uma estratégia clara de aproximação ao setor produtivo. Diante da resistência histórica do interior paulista, a equipe de campanha de Fernando Haddad (PT) intensificou as articulações nos bastidores.

O objetivo é pragmático: Haddad busca vice no PDT para tentar conter a fúria do agronegócio contra o PT, mirando um nome que transite com facilidade entre os grandes produtores rurais e o eleitorado conservador. O nome da vez é o de Teresa Vendramini, a “Teka”, pecuarista de renome e figura central no diálogo com o campo.

Por que Haddad busca vice no PDT com perfil conservador?

A escolha de um nome ligado ao agronegócio não é apenas simbólica, mas uma necessidade matemática para a chapa. Dentro do comitê petista, a avaliação é de que a candidatura precisa de um “efeito Alckmin” em escala estadual para suavizar a imagem do partido nas cidades do interior. Como Haddad busca vice no PDT, a recente filiação de Teka Vendramini ao partido de Carlos Lupi caiu como uma luva para os estrategistas.

Haddad busca vice no PDT para tentar conter a fúria do agronegócio contra o PT
Foto: Divulgação

Teka carrega um currículo de peso: foi a primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e possui liderança reconhecida na Federação das Associações Rurais do Mercosul. Para os coordenadores da campanha, ela seria a ponte ideal para dialogar com um setor que hoje apoia majoritariamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Precisamos achar um Alckmin para Haddad”, resume um dos articuladores da aliança, evidenciando a busca por moderação.

O desafio da aceitação e os entraves políticos

Apesar do entusiasmo da cúpula petista, a concretização dessa chapa enfrenta barreiras importantes. Embora Haddad busca vice no PDT focando em Teka, a pecuarista já sinalizou, por meio de sua assessoria, que não tem planos imediatos de disputar cargos eletivos. Sua intenção declarada é manter-se na esfera técnica, defendendo pautas de desenvolvimento sustentável e avanços para o produtor rural sem necessariamente entrar na arena partidária.

Além da resistência da própria Teka, há uma disputa interna de espaço. A direção paulista do PDT demonstra preferência por Antônio Neto, nome forte do sindicalismo e que já compôs chapas majoritárias anteriormente. Neto seria uma escolha que reforça as bases tradicionais do partido, mas não resolve o dilema de Haddad: como penetrar no cinturão do agronegócio, onde o PT enfrenta seus maiores índices de rejeição.

A economia do campo como fiel da balança

O movimento de aproximação ocorre em um momento em que o agronegócio se consolidou como a principal força de oposição ao governo federal. Ao tentar trazer uma liderança da pecuária para a vice, Haddad tenta desmistificar a ideia de que o PT é um inimigo do setor.

A estratégia passa por apresentar soluções técnicas para o escoamento da produção e segurança jurídica no campo, tentando isolar o debate ideológico que domina as redes sociais. Se a articulação prosperar, a entrada de um nome do PDT com trânsito na Sociedade Rural Brasileira pode forçar uma reconfiguração nas promessas de campanha de seus principais adversários, tornando a disputa pelo interior de São Paulo a mais acirrada das últimas décadas.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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