Guerra no Oriente Médio coloca o agro brasileiro em alerta; veja o tamanho do comércio com a região

Comércio com países do Oriente Médio representa parcela menor das exportações brasileiras, mas concentra mercados estratégicos para commodities do agronegócio — e uma escalada do conflito pode gerar efeitos no fluxo de alimentos, fertilizantes e petróleo.

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a acender um sinal de alerta para a economia global — e também para o agronegócio brasileiro. Ao divulgar os dados da balança comercial mais recentes, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) destacou que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode impactar diretamente o fluxo de commodities alimentícias exportadas pelo Brasil para a região.

Embora o Oriente Médio represente apenas cerca de 4,2% das exportações totais do Brasil, o bloco de países tem papel estratégico para diversos produtos agrícolas e industriais brasileiros, especialmente alimentos básicos e commodities do agronegócio.

Na prática, isso significa que qualquer instabilidade geopolítica ou interrupção logística na região pode afetar mercados importantes para produtos como carne de frango, carne bovina, milho, açúcar e soja, itens que fazem parte da base da pauta exportadora brasileira.

Guerra no Oriente Médio: destino importante para alimentos do Brasil

Os dados do comércio exterior mostram que o Brasil envia para o Oriente Médio principalmente produtos da agropecuária e da indústria de transformação. Entre os itens mais vendidos estão:

  • Carne de aves
  • Açúcares e melaços
  • Milho

Além desses produtos, também aparecem na pauta exportadora para a região minério de ferro, soja, ouro, petróleo bruto e café.

Apesar da participação relativamente pequena nas exportações totais brasileiras, alguns produtos dependem significativamente desse mercado.

Segundo dados consolidados de 2025:

  • 32% de todo o milho exportado pelo Brasil teve como destino o Oriente Médio
  • 30% das exportações de carne de frango foram para a região
  • 17% das vendas externas de açúcar tiveram esse destino
  • 7% das exportações de carne bovina também seguiram para países do Oriente Médio

Esses números mostram que, mesmo não sendo o principal parceiro comercial do Brasil, a região funciona como um mercado-chave para determinadas cadeias produtivas do agro.

Demanda por alimentos tende a continuar forte

Apesar das preocupações geradas pelo conflito, especialistas avaliam que o impacto sobre o consumo de alimentos pode ser limitado, uma vez que se trata de produtos essenciais.

A demanda por alimentos básicos, como carnes e grãos, costuma apresentar baixa elasticidade, ou seja, não varia tanto mesmo diante de choques econômicos ou instabilidades geopolíticas.

Ainda assim, uma eventual intensificação da guerra poderia gerar dificuldades logísticas, encarecimento do transporte marítimo e atrasos nos embarques, fatores que afetariam temporariamente o comércio internacional.

Estreito de Ormuz preocupa o mercado de energia

Outro ponto sensível para a economia mundial é o risco de interrupção no fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado no mundo.

Caso haja bloqueio ou redução no fluxo da região, o impacto pode ser sentido diretamente no preço internacional da energia e dos combustíveis.

Mesmo sendo um produtor relevante de petróleo, o Brasil ainda depende de importações do combustível, o que torna o país sensível às oscilações do mercado internacional.

Entre os produtos que o Brasil compra do Oriente Médio, os óleos combustíveis derivados de petróleo representam 43,5% das importações provenientes da região.

Isso significa que uma escalada do conflito pode gerar reflexos indiretos no país, especialmente no custo do transporte e da produção.

Irã ganha peso nas relações comerciais com o Brasil

Dentro do Oriente Médio, o Irã ocupa posição relevante na relação comercial com o Brasil. O país encerrou 2025 como o terceiro maior parceiro comercial brasileiro na região, posição que mantém no início de 2026.

Mesmo assim, quando se considera o comércio global brasileiro, o Irã aparece em posições mais modestas:

  • 28º parceiro comercial nas exportações brasileiras
  • 72º nas importações

Ainda assim, a importância do país aparece claramente em produtos específicos.

Irã é grande comprador do milho brasileiro

O caso mais emblemático envolve o milho brasileiro. Em 2025, o Irã foi o maior comprador do grão produzido no Brasil, sendo responsável por 23,1% das exportações brasileiras do cereal.

No início de 2026, o país segue entre os principais destinos do produto:

  • 2º maior comprador de milho brasileiro
  • 24,1% das compras no período de janeiro a fevereiro

Nesse ranking, o Irã aparece logo atrás do Vietnã, que lidera as compras.

Mesmo com o cenário de tensão na região, especialistas indicam que o impacto imediato sobre as vendas de milho tende a ser limitado, já que o pico das exportações brasileiras do grão ocorre principalmente a partir de maio, com o avanço da safra.

Além do milho, o país persa também compra volumes relevantes de soja, açúcar e derivados do setor sucroenergético.

Fertilizantes iranianos entram no radar do agro

A relação comercial entre Brasil e Irã também envolve um insumo fundamental para a agricultura: fertilizantes.

Em 2025, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes provenientes do Irã.

Nos primeiros meses de 2026, as compras cresceram de forma expressiva. Entre janeiro e fevereiro:

  • Foram importados R$ 21,6 milhões em fertilizantes iranianos
  • O volume representa quase um terço de tudo que foi comprado em 2025
  • Houve alta de mais de 9.700% em relação ao mesmo período do ano anterior

Mesmo representando cerca de 1,2% das importações brasileiras de fertilizantes químicos, o tema merece atenção porque o mercado global de adubos depende fortemente da logística e da produção em países do Oriente Médio.

Além disso, os fertilizantes correspondem a mais de 90% de tudo que o Brasil importa do Irã.

Guerra no Oriente Médio: Alta de fertilizantes pode encarecer alimentos

Economistas apontam que eventuais choques no mercado internacional de fertilizantes podem gerar impactos diretos no agronegócio brasileiro.

Isso acontece porque a agricultura nacional é fortemente dependente de insumos importados para manter sua produtividade.

Caso os preços globais dos fertilizantes subam, o efeito pode aparecer em cadeia:

  • Aumento do custo de produção no campo
  • Pressão sobre preços agrícolas
  • Possível alta de alimentos no mercado interno

Esse cenário reforça como conflitos geopolíticos em regiões estratégicas podem influenciar diretamente a produção agrícola brasileira, mesmo ocorrendo a milhares de quilômetros de distância.

Agro brasileiro observa cenário internacional

A relação comercial entre Brasil e Oriente Médio mostra que o agronegócio nacional está profundamente conectado à dinâmica global de comércio.

Enquanto o país exporta grandes volumes de alimentos para a região, também depende de insumos estratégicos — como fertilizantes e energia — que passam por rotas comerciais sensíveis do ponto de vista geopolítico.

Por isso, analistas acompanham com atenção a evolução do conflito, já que qualquer alteração na logística internacional, nos preços do petróleo ou no comércio regional pode gerar reflexos diretos nas cadeias produtivas do agro brasileiro.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM