A pecuária bovina sofrerá os impacto da alta das commodities, principalmente o milho que é utilizado na ração de animais terminados.
A guerra entre Rússia e Ucrânia deve aumentar os custos da pecuária de corte brasileira neste ano e postergar ainda mais qualquer possibilidade de queda nos preços da carne bovina ao consumidor final no país. Segundo o boletim mais recente do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) da Embrapa, a continuidade do conflito exigirá “calibragens” nos sistemas produtivos de proteínas do Brasil para contrabalançar a alta dos alimentos e dos fertilizantes.
“A elevação dos custos de produção na cadeia produtiva da carne bovina brasileira deve fazer com que haja um aumento no processo inflacionário e uma pressão, ao longo da cadeia de produção, de repasse para o consumidor final, que já se defronta com uma situação inflacionária no mercado doméstico. Mesmo antes da guerra, o cenário mais otimista para trajetória de queda no preço da carne era 2023”, diz o documento.
De acordo com os pesquisadores da Embrapa, o aperto na oferta global, causado pela guerra, fortaleceu as exportações brasileiras de carne bovina e manteve firmes os preços pagos pelos animais terminados, o que pressionou os valores do produto no mercado doméstico. “A forte demanda chinesa e norte-americana deve manter o bom desempenho das exportações de carne bovina brasileira enquanto durar o conflito”.
Uma evidência disso, segundo a estatal, foi o recorde nas exportações no mês passado. O volume cresceu 26,6% em relação a março de 2021, para 169,41 mil toneladas.
Rússia e Ucrânia não são grandes compradores de carnes do Brasil, mas o conflito entre os dois países afeta a dinâmica global de alimentos, já que os dois países são importantes produtores de trigo, milho, óleo de girassol e fertilizantes. A guerra também amplifica as incertezas no comércio internacional, travando as negociações.
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Queda do consumo per capita
Com a lentidão da retomada da economia e a queda da renda da população, o consumo per capita de carne pode ter novas quedas, alerta a Embrapa. Apesar de prever maior impacto na cadeia de aves e suínos, a estatal diz que a pecuária bovina também sofrerá os impacto da alta das commodities, principalmente o milho utilizado na ração de animais terminados. Na pecuária intensiva, o cereal representa entre 20% e 30% do custo de produção.
O reflexo no custo da proteína animal brasileira dependerá diretamente do tempo de duração do conflito, diz o boletim da Embrapa. A produção de bovinos de corte no Brasil é feita em pastagens que demandam práticas de adubação e que também será impactada pelo avanço nos preços dos fertilizantes.
“Para mitigar ao máximo o aumento desses produtos, o setor precisará urgentemente de calibragens nos sistemas produtivos. A expectativa é de enfraquecimento do Produto Interno Bruto (PIB) da pecuária de corte em 2022, tendo como principal fator de pressão o forte aumento dos custos com insumos ao longo de todas as etapas da cadeia produtiva”, completa o texto.
Fonte: Valor Econômico