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Se posicionando de forma restritiva, China e Rússia, grandes detentoras das reservas de fertilizantes, estão mais preocupadas em abastecer o próprio mercado!
Além do aumento do preço do gás natural, que impacta a exportação de fertilizantes da China, a crise também tem motivos localizados nas implicações geopolíticas da Bielo-Rússia e seu ditador Aleksandr Lukashenko. A afirmação é dos analistas de mercado da TF Consultoria Agroeconômica. Fertilizantes dobram de preço em 2021 e pressionam agronegócio, deixando em alerta a situação da safra 22/23, que pode ficar sem adubo suficiente, levando a uma redução da área plantada!
Um dos componentes mais problemáticos e, ao mesmo tempo, fundamentais para o plantio das safras agrícolas, os fertilizantes ficaram mais de 100% mais caros no período de janeiro a setembro, segundo a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Crise nos Insumos
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirma que o governo está se antecipando para evitar que as sanções econômicas contra Belarus, de onde sai 20% do potássio usado como fertilizante no campo brasileiro, provoquem novo aumento no preço dos alimentos e venham a prejudicar o fornecimento do produto para a próxima safra de verão.
Segundo a ministra, existe uma preocupação, “porque importamos de 20 países, entre eles 20% de Belarus, que vai sofrer sanções econômicas dos Estados Unidos e da União Europeia no dia 8 de dezembro. Não é que vamos ter problemas de fornecimento, mas vamos ter problemas quanto ao pagamento. É mais ou menos o que já acontece com o Irã e que traz alguns transtornos na hora do pagamento. Estamos nos antecipando a isso, conversando com outros parceiros para que a gente tenha um porcentual nas exportações de produtos, para que a gente tenha segurança que nossos fertilizantes vão chegar a tempo”, afirmou.
Substância essencial para a produção agrícola registrou alta de 100% entre janeiro e setembro de 2021
Ainda na entrevista, a ministra disse que o Brasil não tem problemas na safra de verão, que já está 70% plantada. “Já temos produtos chegando para a segunda safra, não há também problemas maiores, mas estamos nos antecipando para a safra de verão, que vem daqui a um ano, em setembro, outubro e novembro. Saio daqui e vou para a Rússia conversar com alguns fornecedores, para garantir que teremos 100% dos fertilizantes de que precisamos”, contou.
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É possível adotar uma solução similar à do Irã, de trocar produtos, com Belarus, apontou ela. “Sim, é uma solução. É um limitador que o Brasil tenta compensar. No caso do Irã a gente entrega milho, eles trocam por fertilizantes (uréia). A gente já conversou com Belarus, eles nos procuraram na semana passada no Ministério da Agricultura. Agora estamos indo à Rússia ver se a gente consegue uma entrega um pouco maior do que a gente já tem para caso precise compensar a gente tenha compensações.”
De acordo com o IBGE, no Brasil, a alta no preço dos alimentos foi de 12,54% no acumulado de 12 meses e de 21,39% desde o início da pandemia de covid-19.
Plano ambicioso para oferta de fertilizantes
Cenários traçados pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB-CPRM) para a elaboração do Plano Nacional de Fertilizantes, que deverá ser lançado em novembro, ao menos atenuam a preocupação dos produtores rurais com a possibilidade de escassez dos insumos no país.
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Em dezembro, o governo federal pretende lançar um plano nacional de fertilizantes. Segundo entrevistas anteriores, o objetivo é reduzir a dependência do Brasil de fornecedores internacionais. Em alguns casos, a importação chega a 95% do que o país consome.
A meta, segundo o Ministério da Agricultura , é reduzir a participação estrangeira de, em média, 85% para algo em torno de 60% nos próximos 30 anos.