A empresa ressaltou que as fábricas não conseguem se sustentar de maneira independente, o que motivou a decisão; O anúncio veio em um momento delicado para o setor de fertilizantes, que enfrenta desafios tanto no Brasil quanto globalmente.
A Fertilizantes Heringer, uma das principais fornecedoras de adubos e insumos agrícolas no Brasil, anunciou a hibernação de duas de suas plantas industriais devido ao baixo desempenho financeiro e à falta de perspectivas econômicas favoráveis. A decisão afeta as unidades localizadas em Dourados (Mato Grosso do Sul) e RdC (Sergipe). O anúncio veio em um momento delicado para o setor de fertilizantes, que enfrenta desafios tanto no Brasil quanto globalmente.
De acordo com o comunicado oficial da Heringer, a medida foi tomada considerando a baixa performance financeira histórica das plantas afetadas e a baixa perspectiva de viabilidade econômica no contexto atual do mercado. A empresa ressaltou que as fábricas não conseguem se sustentar de maneira independente, o que motivou a decisão de reduzir custos operacionais e diminuir a necessidade de novos investimentos de capital (Capex) nessas unidades.
A hibernação será feita de maneira gradual, com uma redução progressiva das operações ao longo dos próximos meses. Segundo a Heringer, os volumes operados por essas fábricas serão redirecionados para outras unidades da empresa, garantindo que a demanda dos clientes continue sendo atendida sem interrupções significativas.
“Considerando a baixa performance financeira histórica e baixa perspectiva de viabilidade econômica ‘standalone’ das plantas em questão no atual contexto de mercado, reduzindo assim a necessidade intensiva de capex e demais custos operacionais das referidas unidades”, disse a empresa de fertilizantes no comunicado.
Impactos no Mercado de Fertilizantes
A decisão de hibernar duas plantas reflete um cenário mais amplo de dificuldades enfrentadas pela indústria de fertilizantes no Brasil. Nos últimos anos, o país tem visto uma crescente dependência da importação de fertilizantes, com cerca de 85% dos insumos sendo adquiridos de mercados externos. Esse contexto tem pressionado empresas nacionais a buscar alternativas para se manterem competitivas em meio a oscilações de preços no mercado internacional, além dos altos custos logísticos e operacionais.
O mercado brasileiro de fertilizantes é de extrema importância para o agronegócio, já que o Brasil é um dos maiores exportadores globais de produtos agrícolas, como soja, milho, café e carne bovina. O uso intensivo de fertilizantes é essencial para garantir a produtividade das lavouras, mas a escalada dos preços e a instabilidade na cadeia de fornecimento global têm sido um desafio para produtores e fornecedores.
Alternativas e Futuro das Plantas
A Fertilizantes Heringer também deixou claro que avaliará a destinação futura das unidades de Dourados e RdC. Entre as alternativas estudadas, estão a reativação das plantas, caso as condições de mercado se tornem mais favoráveis, ou até mesmo a venda dos ativos por meio de processos competitivos.

Embora a empresa tenha optado por essa solução no curto prazo, o setor de fertilizantes no Brasil está em constante transformação. Mudanças nas condições econômicas globais, no preço dos insumos e nas políticas públicas podem reverter o cenário atual, trazendo novas oportunidades de mercado para reativação das plantas ou exploração de novos negócios.
O Cenário no Brasil
O Brasil é hoje um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, sendo essencial para sustentar a produção agrícola de grande escala que caracteriza o agronegócio nacional. Contudo, essa alta demanda contrasta com a dependência massiva da importação de fertilizantes, especialmente após a guerra na Ucrânia, que afetou a oferta global de insumos como potássio, ureia e fósforo.
O governo brasileiro, por meio do Plano Nacional de Fertilizantes, tem buscado estimular a produção interna e a exploração de recursos minerais disponíveis no país, como depósitos de potássio na Amazônia. No entanto, esse processo é lento e enfrenta desafios, incluindo questões ambientais e a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura.
Empresas como a Fertilizantes Heringer são parte fundamental dessa cadeia de fornecimento, mas precisam lidar com o cenário de volatilidade do mercado global, o que torna decisões como a hibernação de plantas uma estratégia de sobrevivência. A busca por soluções mais sustentáveis e competitivas dentro do Brasil é uma tendência que pode moldar o futuro do setor nos próximos anos.
Desafios no Mercado de Fertilizantes
A hibernação das plantas da Fertilizantes Heringer em Dourados e RdC é um reflexo claro dos desafios enfrentados pela indústria de fertilizantes no Brasil. Com a crescente demanda agrícola e a dependência de insumos externos, empresas do setor precisam constantemente reavaliar suas estratégias para se adaptarem às mudanças de mercado. O futuro dessas plantas dependerá de condições econômicas mais favoráveis, e a reativação ou venda dos ativos será uma possibilidade dependendo do cenário global e das oportunidades de negócios que possam surgir.
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