Gigante chinesa assume controle da Companhia Brasileira de Alumínio

Venda do controle da Companhia Brasileira de Alumínio para Chinalco e Rio Tinto envolve 68,6% do capital, prevê OPA obrigatória e pode resultar no fechamento de capital da empresa na B3.

O Grupo Votorantim firmou um acordo para alienar o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para a chinesa Chinalco (Aluminum Corporation of China) e para a mineradora anglo-australiana Rio Tinto. A operação, divulgada ao mercado por meio de fato relevante, envolve a transferência de 68,6% do capital da companhia, atualmente pertencente ao grupo da família Ermírio de Moraes.

O valor da transação é de aproximadamente R$ 4,69 bilhões, pagos integralmente em dinheiro, o que equivale a cerca de US$ 904 milhões. Pelo acordo, a Chinalco ficará com cerca de dois terços da participação adquirida, enquanto a Rio Tinto deterá o terço restante, formando uma joint venture para o controle da CBA.

Cada ação foi avaliada em R$ 10,50, preço que representa um prêmio expressivo em relação à média de negociação dos últimos meses. Após a conclusão da venda, os novos controladores deverão lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) obrigatória para as ações em circulação no mercado.

Os compradores também indicaram que avaliam a possibilidade de fechar o capital da CBA na B3, embora essa decisão ainda possa ser revista após a efetiva conclusão do negócio. A companhia destacou, em comunicado, que a intenção inicial é conduzir uma oferta para cancelamento do registro de companhia aberta de forma simultânea à OPA, sem caráter definitivo.

No mercado internacional, os reflexos do anúncio foram imediatos. As ações da Chinalco chegaram a recuar mais de 10% na bolsa de Hong Kong, antes de reduzir perdas ao longo do dia. Já os papéis da Rio Tinto encerraram o pregão em Sydney com queda de 3,5%.

A operação se insere em um contexto mais amplo de consolidação no setor global de mineração, marcado por uma ofensiva de empresas chinesas em busca de ativos estratégicos fora do país. Recentemente, grupos do país asiático anunciaram aquisições relevantes em minas de ouro, cobre e outros metais, impulsionados pelo cenário de preços elevados das commodities metálicas.

Cobre, ouro e prata atingiram recordes recentes, enquanto o alumínio e outros metais básicos seguem em trajetória de valorização. Esse movimento tem estimulado companhias do setor a buscarem crescimento por meio de fusões, aquisições e novos investimentos, muitas vezes financiados por emissões de títulos.

Antes da conclusão do acordo, o Grupo Votorantim buscava parceiros para viabilizar um investimento estimado em US$ 2,5 bilhões no Projeto Rondon, da CBA, voltado à exploração de uma mina de bauxita na Amazônia. Ao longo das negociações, a Chinalco — ao lado de outros interessados — acabou avançando para a aquisição do controle da companhia.

A CBA possui três minas de bauxita, com produção conjunta em torno de 2 milhões de toneladas anuais, minério que é transformado em alumina e posteriormente em alumínio. Segundo a Rio Tinto, o negócio amplia a presença da companhia na cadeia de suprimentos de bauxita e alumina na região do Atlântico.

Fundada em 1941, a CBA é a única produtora de alumínio totalmente integrada do Brasil, com atuação que vai da mineração ao processamento final. A empresa abriu capital em 2021 e se destaca pelo uso exclusivo de energia renovável, com capacidade de autoprodução de 1,6 gigawatts, oriundos de usinas hidrelétricas e parques eólicos.

Atualmente, a companhia produz cerca de 720 mil toneladas de alumina e 364,5 mil toneladas de alumínio líquido por ano, respondendo por mais de um terço do mercado primário brasileiro. Seu complexo industrial inclui uma refinaria de alumina com capacidade de 800 mil toneladas anuais e uma fundição de alumínio eletrolítico de até 400 mil toneladas.

O acordo reforça o papel do Brasil como destino estratégico para investimentos chineses, especialmente em setores ligados a recursos naturais, além de aprofundar as relações comerciais entre grandes grupos globais da mineração e da metalurgia.

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