Gesso agrícola: Quando utilizar? Veja as regras de ouro para não errar na lavoura

O “seguro contra a seca”: entenda como essa tecnologia desbloqueia o potencial produtivo do solo em profundidade e blinda sua lavoura contra veranicos.

Quem produz sabe: a produtividade não se define apenas pelo que acontece na superfície, mas pelo que ocorre onde os olhos não veem. O gesso agrícola tem se consolidado como uma das ferramentas mais estratégicas para o produtor rural brasileiro, atuando como um verdadeiro “condicionador de solo” que permite às raízes explorarem camadas mais profundas. Mas, apesar de popular, seu uso incorreto ainda gera dúvidas e desperdício de dinheiro.

Diferente dos fertilizantes comuns, o uso do gesso (sulfato de cálcio) não visa apenas nutrir, mas reestruturar o ambiente químico do subsolo. Pesquisas da Embrapa indicam que o manejo correto com gessagem pode aumentar significativamente a resistência das plantas aos veranicos, garantindo estabilidade produtiva mesmo em anos de clima adverso.

O que é Gesso agrícola e qual sua função real?

Tecnicamente conhecido como sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO₄·2H₂O), o gesso agrícola é um subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados. Sua principal missão na lavoura não é corrigir a acidez (pH) — papel que cabe ao calcário —, mas sim atuar como um condicionador de subsuperfície.

Devido à sua alta solubilidade e mobilidade, o gesso desce no perfil do solo, levando Cálcio (Ca) e Enxofre (S) para camadas abaixo de 20 cm. O grande “pulo do gato” dessa tecnologia é sua capacidade de reduzir a toxicidade do Alumínio (Al³⁺) em profundidade. Ao neutralizar esse elemento tóxico, o gesso elimina a barreira química que impede o crescimento das raízes, permitindo que elas busquem água e nutrientes em camadas que antes eram inexploradas.

Quando utilizar Gesso agrícola?

A decisão de aplicar gesso agrícola não deve ser baseada em “achismo”, mas em dados técnicos. O erro mais comum é basear a recomendação apenas na análise de solo da camada superficial (0-20 cm).

Para não errar, a regra é clara: faça uma análise de solo nas camadas de 20 a 40 cm (ou até 60 cm). Segundo critérios técnicos consolidados pela pesquisa agronômica, a aplicação é recomendada quando a amostra de subsuperfície apresentar pelo menos uma das seguintes condições:

  • Saturação por Alumínio (m%) superior a 20%;
  • Teor de Cálcio inferior a 0,5 cmol꜀/dm³.

Se o seu solo se enquadra nesses parâmetros, a gessagem é indispensável para destravar o teto produtivo da cultura.

As regras de ouro para aplicar Gesso agrícola com sucesso

Para garantir o retorno sobre o investimento (ROI) da aplicação, especialistas recomendam seguir três diretrizes fundamentais, conhecidas como as “regras de ouro” da gessagem:

  1. Respeite a Dosagem por Teor de Argila: A dose ideal varia conforme a textura do solo. Uma fórmula prática e amplamente aceita para culturas anuais (como soja e milho) é multiplicar o teor de argila (%) por 50.
    • Exemplo: Para um solo com 40% de argila: 50 × 40 = 2.000 kg/ha de gesso.
    • Para culturas perenes, o multiplicador sobe geralmente para 75. (Sempre consulte um engenheiro agrônomo para o cálculo exato).
  2. Não precisa incorporar: Diferente do calcário, que precisa de arado ou grade para descer, o gesso agrícola é altamente móvel. A aplicação é feita a lanço na superfície, e a água da chuva se encarrega de levá-lo para as camadas inferiores.
  3. Timing é tudo: Pode ser aplicado em qualquer época do ano, mas o ideal é que haja umidade para que o produto se dissolva e desça no perfil.

Gesso agrícola vs. Calcário: Entenda a diferença fatal

A confusão entre gesso agrícola e calcário é o motivo de falha em muitas correções de solo. É vital entender que eles não são concorrentes, mas complementares.

  • Calcário: Corrige o pH (acidez) na camada arável (0-20 cm) e fornece Ca e Mg. É pouco móvel e precisa ser incorporado.
  • Gesso: Não altera o pH. Ele combate o alumínio tóxico nas camadas profundas (20-60 cm) e fornece Ca e S.

Atenção: O gesso não substitui o calcário. Se o solo estiver ácido na superfície e tóxico em profundidade, o manejo correto exige o uso de ambos — geralmente aplicando o calcário primeiro para corrigir a base, seguido pelo gesso para condicionar o perfil.

Investir na gessagem é, em última análise, investir em um sistema radicular robusto. Raízes profundas são a melhor defesa do produtor contra a instabilidade climática, transformando o solo em uma caixa d’água acessível para a planta nos momentos críticos da safra.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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