Gargalo logístico: Estradas ruins em MT prejudicam escoamento da produção de soja

Atoleiros na rodovia MT-240 paralisam o escoamento de soja em MT, deixando caminhoneiros retidos por dias e produtores de Paranatinga sob risco real de perderem áreas inteiras de colheita

A eficiência produtiva de Mato Grosso, gigante nacional na produção de grãos, está esbarrando em um problema histórico: a infraestrutura precária. No município de Paranatinga, a rodovia MT-240 tornou-se um cenário de paralisia e prejuízos, onde o escoamento de soja em MT é interrompido por atoleiros que se estendem por cerca de 40 quilômetros.

Com a intensificação das chuvas, o que deveria ser uma rota de escoamento transformou-se em uma armadilha de lama, colocando em risco o resultado financeiro de produtores que investiram alto na atual safra.

O gargalo da MT-240 e os impactos no escoamento de soja em MT

A situação no trecho crítico da rodovia é de colapso. Caminhoneiros relatam jornadas de espera que ultrapassam as 24 horas para vencer distâncias curtas. O transporte, elemento vital para a viabilidade do setor, está estagnado. Segundo o caminhoneiro Valter José da Silva, a rotina de dormir na estrada tornou-se a regra: “Cheguei às 15h de ontem e agora já é hora do almoço e continuo parado. Não tem tração e o barro é muito”, lamenta o profissional.

A falta de manutenção adequada impede que os veículos pesados desenvolvam tração, resultando em atoleiros sucessivos. O resgate constante de caminhões não apenas atrasa as entregas, como também eleva drasticamente os custos com manutenção mecânica e desgaste de pneus, encarecendo o frete regional e dificultando a logística necessária para o escoamento de soja em MT.

Campo parado e perdas na colheita

Dentro das fazendas, o desespero é evidente. Sem caminhões para retirar o grão colhido — já que muitos estão presos na estrada — o ritmo das máquinas no campo diminui. O produtor rural Heliton exemplifica o drama vivido na região: de um total de 1.800 hectares cultivados, cerca de 800 hectares ainda aguardam colheita.

A demora no transporte eleva o risco de perda de qualidade dos grãos que permanecem no campo sob chuva. “Não adianta o tempo abrir se não tem caminhão. Já estamos começando a calcular perdas. Se continuar assim, podemos perder pelo menos 500 hectares“, afirma o agricultor.

Inviabilidade econômica e destruição de solo

O impacto financeiro é direto e severo. Com custos de arrendamento estimados em cerca de 10 sacas por hectare, muitos produtores temem não conseguir sequer cobrir as despesas operacionais deste ciclo. Além disso, a precariedade da via forçou soluções desesperadas: propriedades vizinhas estão sendo usadas como desvio improvisado, o que destrói investimentos feitos na correção e conservação do solo. Relatos indicam perdas de cerca de 15% em áreas de lavoura que foram transformadas em estrada por necessidade de tráfego.

A crise logística na MT-240 já é de conhecimento das autoridades e foi alvo de ações junto ao Ministério Público, mas a ausência de uma solução definitiva mantém o agronegócio de Paranatinga sob constante ameaça.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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