Furto de cerca de 80 cabeças de gado em Ilha Solteira revela ação criminosa planejada, com embarcador improvisado, logística estruturada e alerta máximo para produtores do interior paulista
Um furto de gado em larga escala, com sinais claros de planejamento e logística sofisticada, acendeu o alerta no campo paulista. Cerca de 80 cabeças de gado desapareceram de uma propriedade rural em Ilha Solteira (SP), em um crime que, segundo a Polícia Militar, vai muito além de uma ação oportunista e se aproxima de uma operação organizada de abigeato.
A ocorrência foi atendida na tarde desta segunda-feira (2) por uma equipe da Atividade Delegada da Polícia Militar, em uma fazenda localizada às margens da Rodovia dos Barrageiros, no km 62. O proprietário informou às autoridades que a área é arrendada para a criação de gado e que os responsáveis pelo manejo do rebanho notaram o sumiço dos animais ao realizarem a conferência do plantel.
De acordo com o relato, o furto teria ocorrido entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro, período em que os criminosos agiram sem levantar suspeitas imediatas. Durante a vistoria no local, os policiais encontraram um detalhe que mudou completamente o peso da ocorrência: um embarcador improvisado de madeira, construído dentro da propriedade para facilitar o carregamento dos animais em caminhões.
O achado indica que o crime foi planejado com antecedência, demandando tempo, mão de obra, transporte adequado e conhecimento da rotina da fazenda — elementos típicos de quadrilhas especializadas em furto de gado.
Nas redes sociais, internautas repercutiram o caso com indignação e desconfiança. Muitos acreditam que o gado provavelmente já tenha sido abatido em frigoríficos clandestinos, o que reduziria significativamente as chances de recuperação dos animais. Outros chamaram atenção para o fato de não haver embarcador na propriedade, indicando que a estrutura teria sido improvisada no momento do crime, o que reforça o nível de organização da ação criminosa.
Também houve quem destacasse a importância de campear o gado diariamente como forma de prevenção, enquanto alguns comentários apontaram que os criminosos teriam levado até tábuas para montar ou consertar o embarcador, sugerindo que a investigação poderia avançar ao rastrear onde esse material foi adquirido.
Marcas podem levar aos criminosos
Segundo o boletim policial, os animais furtados possuem marcas identificadoras com as siglas “JP” ou “CB”, além de furo na orelha direita em parte do rebanho. Essas características são fundamentais para rastreamento e podem auxiliar tanto produtores quanto frigoríficos e compradores a identificar gado de origem suspeita.
O caso foi registrado pela Polícia Militar e as vítimas foram orientadas a formalizar o boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, além de solicitar eventual perícia técnica no local.
A PM reforçou o pedido de colaboração da população rural e urbana. Qualquer informação pode ser repassada de forma anônima pelo telefone 190.
Abigeato em alta no estado de São Paulo
Casos como o de Ilha Solteira não são isolados. O furto e o roubo de gado — crimes conhecidos como abigeato — seguem como um problema recorrente no estado de São Paulo, especialmente em regiões com grandes extensões rurais, acesso facilitado por rodovias e fiscalização limitada durante a madrugada.
Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) indicam que milhares de ocorrências de furto e roubo de animais são registradas anualmente no estado, com prejuízos que ultrapassam dezenas de milhões de reais, considerando não apenas o valor dos animais, mas também impactos sanitários, produtivos e jurídicos para os produtores.
Especialistas alertam que o crime vem se tornando cada vez mais organizado, envolvendo falsificação de documentos, transporte interestadual, receptação e até abate clandestino.
Como o produtor pode se proteger
Diante desse cenário, autoridades e entidades do setor recomendam uma série de medidas preventivas para reduzir os riscos:
- Controle rigoroso do rebanho, com inventários frequentes e identificação clara dos animais
- Instalação de cercas reforçadas, porteiras trancadas e iluminação estratégica
- Uso de tecnologia, como câmeras, drones, sensores de presença e rastreamento por chip ou brincos eletrônicos
- Cadastro e monitoramento de funcionários e prestadores de serviço
- Integração com vizinhos e sindicatos rurais, formando redes de comunicação rápida
- Comunicação imediata à polícia diante de qualquer movimentação suspeita
O caso de Ilha Solteira escancara uma realidade cada vez mais dura no campo: o furto de gado deixou de ser um crime simples e passou a operar com método, estrutura e ousadia. Para o produtor rural, vigilância constante deixou de ser opção — tornou-se questão de sobrevivência.
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