Aposta estratégica da companhia no maior polo avícola do Brasil visa atender a reabertura do mercado europeu e a crescente demanda chinesa por proteína animal
A MBRF investe R$ 1 bilhão no estado do Paraná para consolidar sua infraestrutura produtiva e acelerar seu plano de expansão internacional. O anúncio ocorre em um momento crucial para o agronegócio brasileiro, após a reabertura do mercado da União Europeia, ocorrida no final de 2025, para unidades que estavam restritas desde os desdobramentos da Operação Carne Fraca em 2018.
Com o novo aporte, a empresa pretende não apenas ampliar o volume de embarques, mas também elevar a oferta de produtos com maior valor agregado no mercado doméstico.
Liderança paranaense e eficiência produtiva
A escolha do destino para o aporte não é casual. Segundo dados consolidados de 2025, o Paraná reafirmou sua hegemonia no setor, sendo responsável por 42% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil e detendo 39% do total de abates nacionais. Santa Catarina aparece na sequência, com 23% dos embarques e 14% da produção.
Para José Ignacio Scoseria, vice-presidente de finanças da companhia, a relevância do estado justifica a concentração de capital. Em declaração ao jornal Valor, o executivo pontuou que a prioridade da gestão está em projetos que garantam acesso a novos mercados e aumentem a eficiência operacional. O plano de expansão da companhia conta com o suporte do Programa Paraná Competitivo, que viabilizará a liberação de créditos de ICMS para acelerar o cronograma de obras.
Onde a MBRF investe R$ 1 bilhão: Modernização e Expansão
A estratégia de alocação de recursos foi dividida em duas frentes principais para garantir o suprimento de matéria-prima e a capacidade de processamento final:
1. Fomento tecnológico no campo
Cerca de R$ 300 milhões serão injetados no Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Paraná). Somado à contrapartida de R$ 75 milhões do governo estadual, o montante total de R$ 375 milhões será destinado à construção de novas granjas e à implementação de tecnologias de ponta em aviários já operantes. O objetivo é elevar o teto de produtividade dos produtores integrados.
2. Ampliação do parque industrial
Os outros R$ 700 milhões serão pulverizados entre as sete plantas da empresa no Paraná. Os destaques incluem:
- Francisco Beltrão: Unidade focada em perus terá a produção dobrada com a implementação de um segundo turno para atender o mercado europeu.
- Toledo: Ampliação de 40% na linha de empanados e fortalecimento dos envios de pés de frango para a China.
- Ibiporã (Gelprime): Duplicação da capacidade produtiva de gelatina e colágeno com cronograma até 2027.
- Ponta Grossa: Aumento de 12% na produção de itens processados, como pizzas e lasanhas, visando as margens de lucro do mercado interno.
Perspectivas financeiras e cronograma
A execução financeira do projeto será dividida entre o Capex de 2026 e 2027. O movimento é visto por analistas como uma resposta necessária após a companhia registrar uma queda de 92% no lucro líquido no último trimestre de 2025. Ao garantir a liberação de R$ 1 bilhão em créditos tributários junto ao governo estadual, a empresa ganha fôlego para concluir as obras de Ponta Grossa e Francisco Beltrão ainda no segundo semestre deste ano, consolidando o Paraná como o coração de sua estratégia global.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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