Falso comprador de gado aplica golpe e causa prejuízo de quase R$ 100 mil no Pará

Estelionatário se passou por produtor rural, retirou 28 cabeças de gado sem pagar e desapareceu; Polícia Civil investiga o caso em Tailândia.

Um golpe de estelionato envolvendo a falsa compra de gado e propriedade rural deixou um prejuízo estimado em quase R$ 100 mil para produtores da zona rural de Tailândia, no nordeste do Pará. O crime foi registrado na madrugada da última semana, na localidade conhecida como Chumbo Grosso, região da Vicinal 19, e já está sob investigação da Polícia Civil.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, o suspeito se apresentou às vítimas como “Júlio Soares” e demonstrava conhecimento do setor agropecuário, o que acabou transmitindo confiança durante as negociações. Ele alegava ser proprietário de terras no município de Tomé-Açu e dizia atuar no ramo de gado leiteiro, argumento utilizado para convencer dois produtores locais a fechar negócio.

Segundo os relatos, o homem negociou a compra de uma área rural e de dezenas de cabeças de gado bovino, pertencentes a dois produtores — um deles o comunicante do caso e o outro identificado como Genival. O acordo previa que os animais só seriam retirados após a conclusão do pagamento, o que, inicialmente, reforçou a sensação de segurança das vítimas.

Durante o processo, o gado chegou a ser levado para uma propriedade vizinha, onde passou por pesagem, etapa comum em negociações desse tipo. No entanto, ainda antes de qualquer pagamento, o suspeito retornou ao local por volta das 6h da manhã, já com um caminhão boiadeiro de cor vermelha, e realizou o carregamento completo dos animais.

Ao todo, foram levadas 28 cabeças de gado, sendo 17 animais de um produtor e 11 do outro, conforme os primeiros relatos — posteriormente ajustados no boletim policial para 17 cabeças de um e 10 do outro, totalizando o prejuízo estimado em quase R$ 100 mil.

O motorista do caminhão afirmou à polícia que não tinha conhecimento da fraude, dizendo ter sido contratado apenas para realizar o transporte dos animais. O falso comprador informou que seguiria para sua suposta propriedade em Tomé-Açu, onde faria o pagamento tanto do gado quanto da terra. Como não havia espaço no veículo, ficou combinado que um dos produtores iria ao encontro dele mais tarde — o que nunca ocorreu.

Desconfiadas, as vítimas chegaram a verificar, em uma barreira policial, se o caminhão boiadeiro havia passado pelo local, mas não houve registro de passagem. Posteriormente, foi constatado que o veículo teria utilizado uma rota alternativa, pela Vicinal 13, dificultando o rastreamento do trajeto e a identificação imediata do destino dos animais.

Após a retirada do gado, o homem desapareceu completamente e não realizou nenhum dos pagamentos prometidos. As vítimas então confirmaram que haviam sido alvo de um golpe cuidadosamente planejado.

O suspeito foi descrito como homem moreno, com cerca de 40 anos de idade, que costuma circular em uma picape Fiat Strada. Essas informações já foram repassadas às autoridades para auxiliar nas investigações.

A Polícia Civil de Tailândia informou que já iniciou diligências para identificar e localizar o autor do crime, bem como tentar recuperar o gado furtado. O caso é tratado como estelionato, crime que tem se tornado recorrente em regiões de forte atividade pecuária, especialmente quando envolve negociações presenciais e sem garantias formais.

As autoridades orientam produtores rurais a redobrar a atenção em negociações, exigindo contratos formais, verificação prévia da identidade do comprador e, sempre que possível, pagamento antecipado ou garantias bancárias, como forma de evitar prejuízos semelhantes.

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