Mesmo com avanço mais moderado no volume embarcado, valorização da proteína brasileira impulsiona faturamento e mantém cenário positivo para as exportações de carne bovina
O desempenho das exportações de carne bovina in natura segue positivo em 2026, mas já apresenta sinais claros de mudança no ritmo. Após meses de forte aceleração, os embarques começam a crescer de forma mais moderada em março, enquanto os preços internacionais da proteína seguem em alta, garantindo receitas robustas ao setor.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Compre Rural, mostram que o Brasil exportou 115,68 mil toneladas de carne bovina nas duas primeiras semanas de março (10 dias úteis), com média diária de 11,57 mil toneladas. O volume representa alta de 2,1% frente ao mesmo período de março de 2025, quando a média foi de 11,33 mil toneladas.
Apesar do crescimento, o número revela um movimento importante: o ritmo de expansão perdeu força quando comparado aos meses anteriores e até mesmo à semana anterior do próprio mês.
Se por um lado o avanço em volume desacelera, por outro, o faturamento segue em forte expansão. As exportações brasileiras somaram US$ 666,9 milhões na parcial de março, com média diária de US$ 66,69 milhões — um salto de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse descolamento entre volume e receita evidencia um fator central no mercado atual: o aumento consistente dos preços da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Nos primeiros 10 dias úteis de março, o preço médio da proteína atingiu US$ 5.765 por tonelada, o que representa valorização de 17,6% na comparação anual, frente aos US$ 4.900 por tonelada registrados em março do ano passado. Esse movimento reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor valorizado no cenário global, mesmo em um ambiente de ajuste no ritmo de embarques.
Exportações de carne bovina: Desaceleração não apaga sequência de recordes em 2026
A perda de fôlego observada em março ocorre após um início de ano extremamente forte para o setor exportador brasileiro. Os meses de janeiro e fevereiro de 2026 registraram volumes e receitas históricas, consolidando o Brasil como protagonista no comércio global de carne bovina.
Em fevereiro, os embarques atingiram 235,9 mil toneladas, avanço de 23,9% em relação a fevereiro de 2025. Já janeiro também foi recorde, com 231,8 mil toneladas exportadas, crescimento de 28,6% na comparação anual .
No faturamento, o desempenho foi ainda mais expressivo:
- Fevereiro de 2026: US$ 1,33 bilhão (+42%)
- Janeiro de 2026: US$ 1,292 bilhão (+42,5%)
Esses resultados mostram que o setor entrou em 2026 em um ciclo extremamente positivo, sustentado por forte demanda internacional e preços elevados.
O que explica a desaceleração em março?
A desaceleração no ritmo de crescimento não indica retração do mercado, mas sim um ajuste natural após meses de forte expansão. Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento nas exportações de carne bovina estão:
- Base de comparação mais elevada, após recordes recentes
- Possível ajuste logístico e de demanda de grandes importadores
- Reposicionamento de compras diante dos preços mais altos
Ainda assim, o cenário segue amplamente favorável ao Brasil, principalmente pela capacidade de manter preços elevados sem comprometer significativamente o volume exportado.
Preço passa a ser o principal motor do mercado
Os dados mais recentes reforçam uma mudança importante na dinâmica das exportações de carne bovina brasileiras: o crescimento do setor está cada vez mais atrelado à valorização da proteína, e não apenas ao aumento de volume. Isso indica um mercado mais sofisticado, com maior valor agregado e reconhecimento internacional da carne brasileira.
Mesmo com a desaceleração do ritmo, o setor mantém fundamentos sólidos e segue como um dos principais pilares do agronegócio nacional em 2026.
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