Com alta superior a 53% no volume embarcado e receita em forte crescimento, estado inicia 2026 com desempenho robusto nas exportações de carne bovina, impulsionado principalmente pela China.
Mato Grosso começou 2026 consolidando sua posição como um dos maiores polos exportadores de carne bovina do planeta. Em janeiro, o estado registrou o maior volume já exportado para o período, evidenciando não apenas a competitividade da proteína brasileira, mas também a resiliência da demanda externa mesmo diante de oscilações de preços e fatores sazonais.
De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o volume embarcado somou 83,06 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), estabelecendo um novo recorde para meses de janeiro e representando crescimento de 53,18% em relação ao mesmo período de 2025.
Além do avanço em volume, a receita também surpreendeu: foram US$ 356,45 milhões, resultado que configura alta anual de 68,02%, sustentada pela valorização do preço médio da carne bovina exportada.
Demanda aquecida e preço valorizado
O preço médio da carne bovina mato-grossense atingiu US$ 4.291,52 por TEC, refletindo valorização de 9,69% na comparação anual — um indicador claro da disposição dos compradores internacionais em pagar mais pela proteína brasileira.
Apesar do cenário positivo, houve queda de 26,02% frente ao mês anterior, movimento considerado compatível com a menor quantidade embarcada, influenciada pela sazonalidade típica do início do ano.
Esse comportamento reforça uma leitura importante para o mercado: ainda que existam ajustes pontuais nos preços, a tendência estrutural segue sendo de demanda firme.
China mantém protagonismo nas exportações de carne bovina brasileira
No ranking dos destinos, a China permaneceu como principal compradora, concentrando 57,50% de todo o volume exportado por Mato Grosso. O país asiático ampliou suas aquisições em 89,23% frente a janeiro de 2025, consolidando-se como o grande motor das exportações brasileiras.
O dado evidencia uma dependência estratégica, mas também demonstra a capacidade do estado em atender mercados exigentes e de grande escala.
Na prática, isso significa que a cadeia pecuária mato-grossense entra em 2026 com sustentação internacional — fator essencial para manter preços e escoamento da produção.
Exportações fortes em meio ao avanço dos abates
O recorde de embarques ocorre em um momento de elevada atividade nas indústrias frigoríficas. Em janeiro, os abates de bovinos no estado chegaram a 641,04 mil cabeças, também um recorde para o mês, com alta de 5,45% sobre dezembro de 2025.
Do total abatido:
- 330,49 mil cabeças foram de machos
- 310,55 mil cabeças de fêmeas
O aumento foi atribuído principalmente ao descarte de matrizes vazias após a estação de monta, somado à maior oferta de animais terminados.
Ainda assim, na comparação com janeiro do ano anterior, os abates de fêmeas registraram queda de 5,86%, sinalizando um possível início de redução no envio dessas categorias para o gancho — um movimento que o mercado costuma interpretar como ajuste de ciclo pecuário.
O que esperar dos próximos meses
Para fevereiro, a expectativa é de redução no volume de animais enviados à indústria, reflexo do menor número de dias úteis e do feriado de Carnaval.
Ainda assim, o desempenho de janeiro sugere um ano promissor para as exportações, especialmente se a demanda asiática permanecer aquecida.
Os dados indicam que o mercado externo segue firme e que o patamar elevado das exportações deve continuar sustentando a pecuária mato-grossense no início de 2026.
Leitura estratégica para o produtor
O cenário atual traz três sinais relevantes para quem atua na cadeia pecuária:
- Demanda internacional consistente, mesmo com ajustes de preços;
- Capacidade de produção alinhada ao ritmo das exportações;
- Influência crescente da China na formação do mercado.
Se mantido esse contexto, Mato Grosso tende a continuar como protagonista nas vendas externas, reforçando o papel do Brasil como fornecedor-chave de carne bovina no comércio global.
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