Exportações atingem recorde histórico e Brasil embarca 17,1 milhões de toneladas de grãos em março

Com avanço das exportações de soja, milho e farelo, país mantém ritmo forte no comércio exterior e consolida expectativa de novo ano recorde no agro, reforçando seu papel como potência mundial no setor

O agronegócio brasileiro encerrou o mês de março com um desempenho expressivo no comércio exterior, consolidando mais um capítulo da força do país no cenário global. As exportações de grãos atingiram volume recorde, impulsionadas principalmente pela soja, milho e derivados, em um movimento que reforça a competitividade do Brasil no mercado internacional.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o país embarcou 17,1 milhões de toneladas de grãos no mês, considerando soja, milho e trigo — o maior volume já registrado para março com base na programação de navios .

Soja lidera e bate novo recorde mensal

A soja foi, mais uma vez, o principal motor desse desempenho. As exportações do grão somaram 15,9 milhões de toneladas, superando o recorde anterior para o mês, que era de 15,7 milhões de toneladas.

O resultado não apenas confirma a força da oleaginosa, como também indica um cenário promissor para o restante do ano. No acumulado do primeiro trimestre, as vendas externas já alcançaram 27,2 milhões de toneladas, superando o mesmo período de 2025 .

Outro destaque importante foi o farelo de soja, que também registrou desempenho histórico. Foram exportadas 2,24 milhões de toneladas em março, volume superior ao do mesmo mês do ano passado.

As projeções da indústria seguem otimistas. A expectativa é de que o Brasil exporte 111,5 milhões de toneladas de soja em 2026, além de 24,6 milhões de toneladas de farelo, consolidando mais um ano de forte presença no mercado internacional .

Milho surpreende e reforça liderança global

Mesmo fora do pico da temporada, o milho também apresentou números relevantes. As exportações chegaram a 888 mil toneladas em março, superando inclusive volumes registrados em anos anteriores marcantes para o setor .

Vale lembrar que o Brasil já alcançou o posto de maior exportador mundial do cereal, superando os Estados Unidos, e segue competitivo mesmo em períodos de menor oferta.

Além disso, o avanço da indústria de etanol de milho vem gerando novos fluxos de exportação. Um exemplo é o DDGS (subproduto rico em proteína), cujas vendas externas somaram 292 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 15% em relação ao ano anterior .

Trigo e sorgo ampliam participação

Embora em menor escala, outros grãos também contribuíram para o resultado. As exportações de trigo atingiram 398 mil toneladas, superando o mesmo período de 2025, ainda que abaixo de anos anteriores mais fortes .

O sorgo, por sua vez, começa a ganhar relevância. Foram embarcadas 35 mil toneladas no mês, indicando potencial de crescimento ao longo do ano, especialmente com a diversificação da produção agrícola .

Carnes ganham valor mesmo sem avanço em volume

No segmento de proteínas, o cenário foi de estabilidade em volume, mas com valorização nos preços. Durante março, a média diária de exportações foi de:

  • 11,1 mil toneladas de carne bovina
  • 22 mil toneladas de carne de frango
  • 5.952 toneladas de carne suína

Apesar de volumes semelhantes ao ano passado, os preços subiram de forma consistente:
+18% na carne bovina, +2% nas aves e +10% na suína, evidenciando um mercado internacional aquecido .

Leite reage após período de queda

Outro ponto relevante no cenário agropecuário foi a recuperação do leite. Após meses de retração, o preço pago ao produtor voltou a subir pelo segundo mês consecutivo, atingindo média de R$ 2,1464 por litro em fevereiro — alta de 5,4% em relação a janeiro .

A reação está ligada principalmente à redução na oferta. A captação caiu 3,6% no período, pressionada por fatores como:

  • Sazonalidade climática, que afeta pastagens
  • Redução de investimentos, após um ano de preços deprimidos

Mesmo com a recuperação recente, o setor ainda acumula queda significativa em relação ao ano anterior, mostrando que o equilíbrio do mercado ainda está em construção.

Brasil consolida protagonismo global

O conjunto dos dados reforça uma tendência clara: o Brasil segue ampliando sua presença no comércio internacional de alimentos, com capacidade de bater recordes mesmo diante de desafios logísticos e variações de mercado.

Com soja em alta, milho competitivo e novos produtos ganhando espaço, o país caminha para mais um ano de protagonismo no agronegócio global — sustentado por escala, eficiência produtiva e demanda internacional aquecida.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM