Autoridades espanholas confirmam foco em fazenda da Catalunha e determinam o abate de todo o rebanho para conter a propagação da doença viral que ameaça a pecuária europeia.
A Espanha confirmou o primeiro surto da doença de pele nodular contagiosa em seu território, após detectar casos em uma fazenda de gado leiteiro na região da Catalunha, no nordeste do país. A confirmação foi feita pelo Ministério da Agricultura espanhol no último fim de semana, que anunciou uma série de medidas rigorosas para impedir a disseminação da enfermidade. Entre as ações imediatas está o abate de todos os 123 animais da propriedade afetada, localizada em Castelló d’Empúries, Girona.
A dermatite nodular contagiosa é uma doença viral transmitida por picadas de insetos, comum no norte da África e que vem se espalhando rapidamente pela Europa. O vírus provoca lesões cutâneas, febre e queda na produção de leite, causando impactos econômicos significativos para produtores. Embora não ofereça risco à saúde humana, a enfermidade frequentemente leva à imposição de restrições comerciais, além de perdas financeiras relacionadas ao abate e à paralisação das atividades.
Segundo o comunicado oficial, o foco foi identificado em 1º de outubro, quando três novilhas apresentaram sintomas clínicos. Após análises laboratoriais, a infecção foi confirmada, tornando a Espanha o terceiro país europeu afetado pela doença nesta nova onda, que já atingiu França e Itália, somando mais de 140 surtos desde junho, conforme dados franceses.
Para conter o avanço do vírus, as autoridades sanitárias espanholas implementaram um protocolo de emergência que inclui:
- Abate total dos animais da fazenda infectada;
- Bloqueio do transporte e movimentação de gado dentro de um raio de 20 km da propriedade;
- Criação de uma zona de vigilância ampliada de 50 km, com monitoramento constante de propriedades vizinhas;
- Investigação de duas fazendas relacionadas, que somam mais de 1.200 cabeças de gado em risco.
A França, que faz fronteira com a Catalunha, também anunciou uma zona de vigilância preventiva na região sul do país, reforçando inspeções e medidas de biossegurança.
Embora inofensiva para humanos, a doença representa grande ameaça ao comércio internacional de produtos pecuários. Países importadores tendem a impor barreiras sanitárias ao gado vivo e seus derivados, o que pode afetar severamente o mercado leiteiro e de carne bovina. Além disso, os custos com abate, desinfecção e monitoramento são altos, impactando diretamente os produtores locais.
O surto espanhol reforça o alerta sanitário na União Europeia, que já vinha intensificando campanhas de vacinação e vigilância desde os registros na França e na Itália. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) recomenda ações rápidas e coordenadas entre os países para evitar uma propagação em larga escala.
A dermatite nodular contagiosa (Lumpy Skin Disease) já é endêmica em regiões da África e do Oriente Médio e, nos últimos anos, vem se expandindo para a Europa Oriental e Balcãs. O aumento dos casos no continente europeu está relacionado às mudanças climáticas, que ampliam o período de atividade de insetos vetores, como moscas e mosquitos.
Com o novo foco na Espanha, a União Europeia deve revisar protocolos sanitários e reforçar campanhas de informação e biossegurança junto aos pecuaristas, para detecção precoce e controle eficiente da enfermidade.
Autoridades espanholas reforçaram que não há risco ao consumo de carne ou leite, mas pedem atenção redobrada de produtores rurais para identificar sintomas suspeitos e notificar imediatamente os serviços veterinários oficiais.
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