Ministério da Agricultura espanhol amplia monitoramento e intensifica busca por carcaças em área de alto risco, com reforço de cercamento e plano de redução populacional de javalis.
A Espanha confirmou a detecção de dois novos surtos secundários de Peste Suína Africana (PSA) em javalis, reforçando o alerta sanitário e a necessidade de medidas rígidas de contenção. A atualização mais recente foi divulgada pelo Ministério da Agricultura espanhol, que vem monitorando com atenção o avanço da doença em fauna silvestre, especialmente em áreas próximas aos focos iniciais.
A PSA é considerada uma das enfermidades mais preocupantes para a cadeia suinícola global, não apenas pelo impacto direto na mortalidade dos animais infectados, mas principalmente pelos efeitos econômicos, com riscos de restrições comerciais, endurecimento de protocolos sanitários e aumento dos custos para evitar disseminação.
De acordo com as informações oficiais, 13 javalis foram encontrados mortos, todos localizados dentro da chamada área de alto risco, definida como um raio de 6 quilômetros ao redor dos casos iniciais. A confirmação desses novos registros classifica os episódios como surtos secundários, ou seja, associados a uma mesma área de disseminação já identificada.
Com essa atualização, a Espanha soma agora:
- 15 surtos relatados no total
- 3 surtos primários
- 12 surtos secundários
- 60 animais positivos confirmados até o momento
O cenário indica que a doença continua circulando na região afetada, exigindo ações de vigilância mais agressivas e controle populacional para impedir que o vírus se espalhe para outros territórios.
Além das confirmações positivas, o relatório destaca que 622 animais foram testados e apresentaram resultado negativo, o que demonstra a amplitude do esforço de vigilância e também a tentativa de delimitar com precisão a área contaminada.
Esses testes negativos incluem:
- 300 animais capturados
- 322 animais amostrados por vigilância passiva
A vigilância passiva, mencionada pelo governo espanhol, inclui a análise de carcaças inteiras ou restos mortais encontrados na natureza, além de casos de animais com sintomas, que foram submetidos à eutanásia para coleta e avaliação sanitária.
Esse tipo de monitoramento é considerado essencial em situações de PSA em javalis, porque a doença muitas vezes é identificada inicialmente por mortes súbitas e achados de carcaças, e não necessariamente por sinais clínicos acompanhados em tempo real.
Um dos pilares do controle da PSA em fauna silvestre é a remoção rápida de carcaças infectadas, já que os restos mortais podem permanecer como fonte de contaminação ambiental e favorecer a continuidade do ciclo do vírus na região.
Por isso, o Ministério da Agricultura espanhol informou que os esforços intensivos de busca por carcaças de javalis continuam dentro da área infectada e em seu entorno.
A intensificação dessa estratégia indica que, mesmo com os testes negativos em centenas de animais, o risco de manutenção do vírus ainda é tratado como alto, principalmente em regiões com grande circulação e densidade populacional de javalis.
Além do monitoramento e da retirada de carcaças, as autoridades espanholas já trabalham na preparação de medidas práticas para reduzir a pressão sanitária na zona infectada.
Entre as ações em andamento está a organização de atividades de captura com o objetivo de reduzir as populações de javalis em áreas de baixo risco dentro da zona infectada. A lógica por trás dessa medida é diminuir a mobilidade, a concentração e a transmissão entre indivíduos, reduzindo a probabilidade de novos episódios.
Esse tipo de manejo, no entanto, exige planejamento e execução cuidadosa, pois intervenções desordenadas podem acabar provocando o efeito contrário, com deslocamento dos animais e dispersão do vírus para novas áreas.
Outro ponto destacado na atualização é o reforço de medidas de contenção física para limitar o trânsito dos animais silvestres e impedir que eles ampliem o raio de disseminação.
O governo espanhol informou que está reforçando as ações de:
- isolamento
- cercamento
- aproveitamento de cercas existentes em estradas e ferrovias
- priorização do controle de corredores de javalis
O foco nesses corredores é estratégico, já que rotas naturais ou estruturais (como margens de rodovias e trilhos) costumam funcionar como caminhos preferenciais para movimentação e expansão territorial desses animais.
A confirmação de surtos em javalis acende um alerta por um motivo central: a fauna silvestre pode atuar como reservatório do vírus, dificultando o controle e prolongando a presença da doença no território.
Quando a PSA se instala em populações selvagens, o desafio sanitário tende a ser maior do que em sistemas controlados, já que:
- o monitoramento é mais complexo
- o controle populacional exige logística e autorização
- o ambiente pode permanecer contaminado por mais tempo
- o risco de reintrodução do vírus aumenta, mesmo após medidas iniciais
Além disso, casos em javalis elevam o nível de atenção em toda a cadeia, exigindo reforço de biosseguridade especialmente em granjas e no transporte, para evitar qualquer contato indireto com áreas contaminadas.
Com 15 surtos reportados até agora e 60 animais positivos, a Espanha mantém o status de alerta e segue com a estratégia baseada em vigilância ativa e passiva, remoção de carcaças, captura para controle populacional, e reforço de cercas e barreiras, principalmente nos corredores mais sensíveis.
A tendência é que novas atualizações sejam divulgadas conforme avançarem os testes e o trabalho de campo, já que, nesse tipo de ocorrência, o controle depende de consistência e rapidez na execução das medidas sanitárias.
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