Erro no primeiro dia do confinamento pode comprometer todo o desempenho do lote

Especialista alerta que o protocolo sanitário inicial é decisivo para evitar doenças, reduzir prejuízos e garantir melhor desempenho dos animais.

Por muitos anos, o confinamento foi visto apenas como uma estratégia nutricional para acelerar o ganho de peso dos bovinos. No entanto, a experiência prática demonstra que o sucesso de um lote começa muito antes da dieta chegar ao cocho. O verdadeiro resultado econômico de um confinamento está diretamente ligado à saúde dos animais durante sua adaptação.

A chegada ao confinamento representa um dos momentos mais críticos da vida produtiva do bovino. Transporte, mudança de ambiente, formação de novos lotes, alterações alimentares e desafios sanitários provocam estresse, redução da imunidade e aumento da susceptibilidade a doenças.

Por esse motivo, um protocolo sanitário de entrada bem estruturado é fundamental para reduzir perdas, melhorar o desempenho zootécnico e garantir segurança alimentar até o momento do abate.

Na propriedade, o protocolo sanitário é iniciado ainda antes da entrada oficial no confinamento. Os animais recebem duas aplicações prévias de Agebendazol, com intervalo de 30 dias entre elas. A terceira aplicação ocorre no manejo de entrada, juntamente com as demais vacinas e medicamentos, garantindo um controle parasitário eficiente antes do início da terminação intensiva.

Por que investir em um protocolo sanitário de entrada no confinamento?

Animais saudáveis convertem melhor os alimentos, apresentam maior ganho médio diário, menor incidência de doenças e menor necessidade de tratamentos corretivos ao longo do ciclo.

Além disso, um protocolo preventivo reduz significativamente as perdas econômicas causadas por:

  • Doenças respiratórias;
  • Parasitas internos e externos;
  • Clostridioses;
  • Raiva bovina;
  • Quedas de desempenho produtivo;
  • Mortalidade.

O investimento realizado no primeiro dia geralmente representa apenas uma pequena parcela do custo total do confinamento, mas exerce influência direta sobre o resultado final da operação.

Controle de Parasitas Internos

Agebendazol 15% – 20 mL por animal

O Agebendazol possui como princípio ativo o sulfóxido de albendazol, um antiparasitário de amplo espectro utilizado no controle de nematódeos gastrointestinais. Sua atuação ocorre sobre vermes adultos, formas imaturas e ovos, reduzindo significativamente a carga parasitária dos animais.

Os vermes intestinais provocam:

  • Redução do ganho de peso;
  • Menor aproveitamento dos nutrientes;
  • Diarreias;
  • Anemia;
  • Queda na imunidade;
  • Piora da conversão alimentar.

Muitas vezes o produtor não percebe a presença desses parasitas, mas eles podem representar perdas expressivas no desempenho do lote.

Na fazenda, o protocolo contempla duas aplicações preventivas com intervalo de 30 dias e uma terceira dose no momento da entrada do confinamento, estratégia que promove uma limpeza parasitária eficiente antes da fase de engorda intensiva.

Dose utilizada: 20 mL por animal. Observação: Agebendazol é aplicado em duas doses 30/30 dias antes da entrada, com uma terceira aplicação na entrada, garantindo um controle parasitário completo.

Nitromic 34% – 12 mL por animal

O Nitromic possui nitroxinil como princípio ativo e apresenta ação fasciolicida e vermicida. Seu principal alvo é a Fasciola hepatica, conhecida popularmente como “baratinha do fígado” ou “verme do fígado”.

A fasciolose é uma enfermidade silenciosa que provoca:

  • Danos hepáticos;
  • Redução do ganho de peso;
  • Queda da eficiência alimentar;
  • Anemia;
  • Desvalorização de fígados nos frigoríficos.

Além disso, o produto auxilia no controle de outros parasitas internos que comprometem o desempenho produtivo.

Dose utilizada: 12 mL por animal.

Controle de Parasitas Externos

Máximo Pour-On – 40 mL por animal

O controle dos ectoparasitas é indispensável em sistemas intensivos. O Máximo Pour-On atua no combate a:

O primeiro dia define o resultado do confinamento: A importância do protocolo sanitário de entrada
  • Carrapatos: Os carrapatos causam anemia, irritação constante, redução do consumo alimentar e transmissão de doenças como babesiose e anaplasmose.
  • Mosca-dos-chifres: A mosca-dos-chifres provoca intenso estresse nos animais, reduzindo o tempo de descanso e alimentação. Infestações severas podem resultar em perdas significativas de ganho de peso.
  • Berne: As larvas do berne provocam lesões cutâneas que depreciam o couro e aumentam o desconforto dos animais.

Dose utilizada: 40 mL por animal.

Proteção Contra Doenças Respiratórias

Bovilis Vista Once SQ – 2 mL por animal (Frasco com 100 mL)

A doença respiratória bovina é considerada uma das principais causas de prejuízo em confinamentos ao redor do mundo. A vacina Bovilis Vista Once SQ oferece proteção contra importantes agentes virais e bacterianos envolvidos nesse complexo respiratório.

  • IBR – Rinotraqueíte Infecciosa Bovina: Provoca febre, corrimento nasal, conjuntivite, tosse e redução do desempenho.
  • BVD – Diarreia Viral Bovina: Além de causar diarreias, a doença provoca imunossupressão, deixando os animais vulneráveis a outras infecções.
  • PI3 – Parainfluenza Tipo 3: Afeta o sistema respiratório e favorece infecções secundárias.
  • BRSV – Vírus Respiratório Sincicial Bovino: Um dos agentes mais importantes das pneumonias em bovinos confinados. Pode provocar febre alta, tosse intensa, dificuldade respiratória e mortalidade.
  • Mannheimia haemolytica e Pasteurella multocida: São bactérias frequentemente associadas aos surtos de pneumonia em confinamentos. Quando encontram animais debilitados pelo estresse do transporte, podem causar quadros graves e perdas econômicas expressivas.

Dose utilizada: 2 mL por animal.

Proteção Contra Clostridioses

Bovilis Poli-Star +Te (Vacina polivalente contra clostridiose) – 5 mL por animal (Frasco 250 mL)

As clostridioses estão entre as enfermidades mais temidas da pecuária de corte devido à sua evolução rápida e alta mortalidade. Muitas vezes o produtor encontra o animal morto sem observar sinais clínicos prévios.

Ela protege contra:

  • Carbúnculo sintomático
  • Gangrena gasosa (Infecção extremamente agressiva causada por bactérias do gênero Clostridium)
  • Hepatite necrótica (Doença associada à presença de lesões hepáticas e proliferação bacteriana)
  • Enterotoxemias (dependendo da formulação)
  • Outros clostrídios importantes

A vacinação é a forma mais eficiente de prevenção.

Dose utilizada: 5 mL por animal.

Proteção Contra a Raiva

Resguard Raiva – 2 mL por animal (Frasco com 50 mL)

A raiva bovina continua sendo uma preocupação em diversas regiões do Brasil, especialmente em áreas com presença de morcegos hematófagos. A doença é fatal e não possui tratamento.

O primeiro dia define o resultado do confinamento: A importância do protocolo sanitário de entrada

Os sinais clínicos incluem:

  • Alterações comportamentais;
  • Salivação excessiva;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Paralisia;
  • Morte.

Além do prejuízo econômico causado pela perda do animal, a enfermidade representa um importante risco sanitário.

Dose utilizada: 2 mL por animal.

Doenças e Importância de Cada Produto

  • IBR, BVD, PI3, BRSV e bactérias respiratórias: Previnem pneumonias, febre e diarreias, reduzindo mortalidade e melhorando GMD.
  • Clostridioses / Carbúnculo sintomático: Evitam morte súbita, gangrena gasosa e prejuízos econômicos graves.
  • Raiva: Previne perdas fatais e garante segurança epidemiológica.
  • Vermes gastrointestinais e Fasciola: Reduzem prejuízo de desempenho, conversão alimentar e saúde intestinal.
  • Carrapatos, moscas e bernes: Reduzem estresse, anemia, lesões na pele e transmissões secundárias de doenças.

Custo Total do Protocolo Sanitário por Cabeça no Confinamento

Somando todas as vacinas e medicamentos aplicados no protocolo de entrada:

💰 Custo total do protocolo por cabeça: R$ 28,79

O primeiro dia define o resultado do confinamento: A importância do protocolo sanitário de entrada

Benefícios do Protocolo

  • Redução de perdas por doenças respiratórias, digestivas e parasitárias.
  • Maior ganho médio diário (GMD) e conversão alimentar eficiente.
  • Diminuição da mortalidade e do risco de morte súbita por clostridioses.
  • Cumprimento rigoroso das normas de carência e segurança alimentar antes do abate.
  • Proteção econômica do investimento do produtor.

A Importância dos Períodos de Carência

Um dos pilares da pecuária moderna é o respeito aos períodos de carência dos medicamentos veterinários. A carência corresponde ao tempo necessário entre a última aplicação do produto e o envio do animal para o frigorífico.

Esse período garante que não existam resíduos medicamentosos acima dos limites permitidos na carne destinada ao consumo humano. O cumprimento rigoroso dessas recomendações assegura:

  • Segurança alimentar;
  • Qualidade da carne;
  • Atendimento às exigências dos frigoríficos;
  • Conformidade com a legislação sanitária.

Por que isso importa?

O confinamento não perde dinheiro no cocho, perde na entrada.

Animais sem protocolo adequado:

  • comem menos;
  • adoecem mais;
  • convertem pior;
  • morrem mais;

Animais bem preparados:

  • estabilizam rápido;
  • ganham peso mais cedo;
  • reduzem custo de tratamento;
  • maximizam rendimento de carcaça;

Fechamento Técnico

O protocolo sanitário representa menos de R$ 30 por cabeça, mas tem impacto direto em todo o ciclo produtivo. Em sistemas intensivos, sanidade não é custo, é alavanca de resultado.

Conclusão

O protocolo sanitário de entrada no confinamento não deve ser encarado como custo, mas como investimento estratégico. Cada dose aplicada protege o desempenho, reduz perdas e garante que o confinamento alcance seu máximo potencial produtivo.

O controle eficiente de verminoses, fasciolose, carrapatos, moscas, doenças respiratórias, clostridioses e raiva cria as condições ideais para que os bovinos expressem todo seu potencial genético, convertam melhor os alimentos e cheguem ao abate com saúde, desempenho e segurança alimentar.

Em um sistema cada vez mais tecnificado, o primeiro dia do confinamento pode determinar o resultado econômico de toda a operação.

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