Com 70% do escoamento de grãos em Santarém paralisado, a invasão de um terminal no Pará mobiliza entidades contra o vandalismo e levanta alertas sobre o desabastecimento de serviços essenciais e a insegurança jurídica no Arco Norte
A invasão de um terminal no Pará, ocorrida na madrugada do último sábado (21) em Santarém, disparou um sinal vermelho para o agronegócio brasileiro e para a infraestrutura logística do país. O episódio, que envolve a ocupação da unidade portuária da Cargill, gerou uma mobilização imediata de gigantes do setor, como a Abiove e o IBP, que classificam o ato como uma ameaça direta à segurança jurídica e ao fluxo de exportações de grãos no Arco Norte.
Impacto logístico e a invasão de um terminal no Pará
A preocupação das entidades não é meramente simbólica; ela está lastreada em números que evidenciam a importância estratégica do ativo. Segundo dados consolidados do setor portuário, o terminal de Santarém foi responsável pela movimentação de mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025. Esse volume representa mais de 70% de todos os grãos embarcados no porto paraense, consolidando a região como um escoadouro vital para a produção nacional.
A Cargill confirmou que as operações estão totalmente paralisadas. Em nota, a empresa relatou evidências de vandalismo e danos estruturais, priorizando, no momento, a integridade de colaboradores e da comunidade. Para os especialistas, a invasão de um terminal no Pará expõe a fragilidade dos corredores logísticos diante de conflitos sociais e políticos.
Riscos de desabastecimento e o impasse social
Além do prejuízo direto ao agro, a nota conjunta assinada por associações como ABTP, Amport e Abani alerta para um efeito cascata na economia local. A paralisação forçada gera um risco iminente de desabastecimento de gás e combustíveis. Essa interrupção pode afetar serviços essenciais, incluindo:
- Transporte público municipal;
- Operações em aeroportos;
- Funcionamento de hospitais que dependem de suprimentos transportados via porto.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) reforçou que o ataque a uma propriedade privada desvirtua o diálogo democrático, especialmente porque as pautas dos manifestantes são de competência exclusiva do Governo Federal, e não da empresa ocupada.
Motivações políticas por trás da invasão de um terminal no Pará
No epicentro do conflito está o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita). O grupo protesta contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que incluiu os rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). Para os indígenas, os rios são fontes de identidade e sustento, e não meros “canais de exportação”.
Embora o governo sustente que o projeto passará por consultas prévias e informadas, a tensão escalou. No campo jurídico, a Justiça Federal de Santarém optou pela cautela. O juiz Eneias Alexandre Gonçalves Torres negou o pedido de reintegração de posse imediata em regime de plantão, citando a presença de crianças e idosos no local e o risco de um conflito armado. Com a contestação do Ministério Público Federal (MPF) sobre a validade das intimações de desocupação, o setor produtivo permanece em vigília, aguardando uma solução que restabeleça a ordem e a segurança operacional no Pará.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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