A Embrapa lança tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura. Conheça o GeoFert, sistema que garante segurança ambiental no uso de biofertilizantes.
A produção intensiva de suínos no Brasil, especialmente nos grandes polos do Sul do país, esbarra frequentemente em um gargalo ambiental severo: o destino final dos resíduos gerados nas granjas. Para solucionar esse impasse e garantir que o material seja convertido em adubo de forma segura, a Embrapa lança tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura. Batizado de GeoFert, o novo sistema digital atua como um monitoramento georreferenciado de ponta a ponta, registrando o caminho exato do efluente desde o momento da coleta até a sua aplicação no solo como biofertilizante.
O oeste catarinense, região com altíssima concentração animal, ilustra bem a urgência por inovações desse porte. Estudos do setor apontam que cerca de 95% do volume de resíduos gerado nas propriedades é líquido. Embora seja um material rico em nutrientes, quando mal administrado, ele se torna uma ameaça direta aos lençóis freáticos e à saúde do solo.
Até então, Santa Catarina já contava com o Sistema de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS) para agilizar o licenciamento das granjas. O problema, no entanto, persistia na etapa do pós-licenciamento: como provar aos órgãos de fiscalização que o descarte ocorreu dentro da lei, especialmente quando o transporte depende de maquinário cedido por prefeituras ou associações rurais?
Como funciona a nova tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura
É exatamente nesse vácuo de controle que o GeoFert entra em cena. Diferente de um simples rastreador de frotas comerciais, a plataforma foi arquitetada especificamente para o agronegócio, cruzando a movimentação dos caminhões-tanque com as informações oficiais do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Segundo Cláudio Miranda, pesquisador da Embrapa, o sistema elimina a dependência de anotações manuais e planilhas fragmentadas. Na prática, a ferramenta armazena em nuvem dados cruciais da operação, incluindo:
- A origem exata do efluente;
- Qual propriedade está recebendo o material;
- O horário e a data cravados da atividade;
- As coordenadas geográficas reais de onde o biofertilizante foi despejado.
Segurança jurídica e gestão pública transparente
A adoção do sistema traz um alívio imediato para toda a cadeia produtiva. Para o produtor rural, o principal ganho é a conformidade ambiental. O sistema gera evidências totalmente auditáveis, blindando o pecuarista contra multas e sanções.
Para a gestão pública, o benefício é a transparência. Como muitas operações de transporte de dejetos utilizam frotas de prefeituras, o monitoramento via painéis e mapas interativos garante que o dinheiro público e o maquinário subsidiado estão sendo utilizados de forma correta e otimizada.
Validação da tecnologia para rastrear dejetos na suinocultura já começou
A novidade já ultrapassou a fase de laboratório e está no campo. Desde agosto de 2025, a cidade de Presidente Castello Branco (SC) abandonou as pranchetas e tornou-se o primeiro município a implementar o sistema oficialmente.
Conduzida em parceria com a iniciativa privada, essa fase de testes práticos permite que a Embrapa ajuste a interface e o fluxo de dados conforme a realidade de quem está na ponta operando as máquinas. A expectativa é que, com a expansão da ferramenta, a suinocultura familiar ganhe um reforço robusto na sustentabilidade, transformando definitivamente o que antes era um passivo ambiental em um biofertilizante seguro e rastreável.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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