Deriva de secante aplicado em lavoura de grãos em fazenda vizinha teria contaminado pastagem e causado perdas irreversíveis a produtores do Oeste do Paraná; Pulverização com drone agrícola provoca aborto de bezerras e expõe risco quanto a fiscalização sobre a tecnologia
Produtores de leite do distrito de Moreninha, no interior de Santa Helena (PR), foram surpreendidos por uma cena devastadora ao amanhecer: quatro bezerras foram abortadas no oitavo mês de gestação, após vacas prenhas ingerirem pasto que teria sido contaminado por um secante aplicado com drone agrícola em uma propriedade vizinha, conforme informação divulgada pelo Correio do Lago. Em resumo: Pulverização com drone agrícola provoca aborto de bezerras e arrasa projeto genético de produtores no Paraná.
O episódio, além de gerar forte abalo emocional, acende um alerta importante sobre os impactos indiretos da pulverização aérea com drones — tecnologia que cresce rapidamente no campo — e levanta questionamentos sobre segurança operacional, comunicação entre propriedades e responsabilidade técnica.
Anos de investimento perdidos em poucos dias
Os animais faziam parte de um trabalho contínuo de melhoramento genético do rebanho, estratégia fundamental para elevar produtividade, qualidade do leite e renda familiar. Segundo a produtora Solange Schneider, a perda vai muito além do prejuízo financeiro.
“Foram muitos anos de investimento e dedicação. Encontrar as bezerras prematuras mortas é uma tristeza enorme, é como perder um filho no último mês de gestação”, relatou a produtora.
As bezerras representavam um avanço relevante na qualificação genética do plantel — etapa considerada estratégica para a sustentabilidade da atividade leiteira, especialmente em pequenas propriedades. A perda compromete planos de médio e longo prazo, frustrando expectativas construídas ao longo de anos de seleção e manejo.
Suspeita recai sobre deriva de produto químico após pulverização com drone agrícola
De acordo com os produtores, a única explicação encontrada até o momento é a deriva do produto químico aplicado por meio de pulverização aérea com drone, que teria alcançado a pastagem onde as vacas se alimentavam. O equipamento chegou a ser avistado durante a aplicação, mas os riscos associados à dispersão não eram conhecidos por quem acabou sendo atingido indiretamente.

O fenômeno da deriva ocorre quando partículas do defensivo são carregadas pelo vento ou se espalham além da área alvo — situação que pode afetar lavouras vizinhas, recursos hídricos e, como neste caso, sistemas pecuários.
Drone agrícola provoca aborto de bezerras, mas prejuízo pode aumentar
A preocupação dos produtores não se limita às perdas já confirmadas. Outras vacas estão em fase final de gestação e também consumiram o pasto supostamente contaminado, o que pode resultar em novos abortos e ampliar os danos econômicos e emocionais.

Esse cenário reforça a sensação de insegurança dentro da propriedade e aumenta a incerteza sobre a recuperação do rebanho — processo que pode levar anos, especialmente quando envolve genética superior.
Impacto econômico e estrutural na pequena propriedade
Na bovinocultura leiteira, cada decisão genética influencia diretamente o fluxo de caixa futuro. Bezerras prenhas ou filhas de matrizes selecionadas costumam representar:
- aumento da produtividade por animal
- maior eficiência alimentar
- melhoria na qualidade do leite
- valorização do plantel
Quando essas fêmeas são perdidas, não se trata apenas da morte de animais — mas da interrupção de um projeto produtivo inteiro.
Debate sobre drone agrícola ganha novo capítulo
O caso reacende discussões relevantes dentro do agro brasileiro. O uso de drones na aplicação de defensivos cresce por oferecer vantagens como precisão operacional, redução do amassamento da lavoura e maior agilidade.
Por outro lado, o episódio evidencia a necessidade de:
✔ maior orientação técnica nas aplicações
✔ fiscalização efetiva
✔ planejamento para evitar deriva
✔ comunicação prévia entre vizinhos
Especialistas apontam que regiões onde convivem lavouras e pecuária exigem protocolos ainda mais rigorosos para evitar impactos severos a terceiros.

Um alerta para todo o setor
Mais do que um caso isolado, a ocorrência em Santa Helena revela um desafio crescente: equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade operacional.
À medida que o agro incorpora ferramentas cada vez mais modernas, episódios como este mostram que o avanço tecnológico precisa caminhar junto com boas práticas, treinamento e gestão de risco — sob pena de transformar soluções produtivas em fontes de prejuízo.
Para os produtores atingidos, resta agora lidar com as consequências imediatas e tentar reconstruir um trabalho genético que levou anos para ser estruturado.
No campo, onde cada safra e cada gestação carregam expectativas de futuro, perdas desse tipo não atingem apenas a produção — atingem sonhos, planejamento e a própria continuidade do negócio familiar.
Fonte: Compre Rural com Correio do Lago
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