Jeff Bezos, um dos homens mais ricos do mundo e dono da Amazon – gigante da tecnologia, doa US$ 30 milhões ( aproximadamente R$158,4 milhões) para desenvolver carne falsa; Confira as informações
A instituição de caridade do fundador da Amazon, Jeff Bezos, está estabelecendo um centro de pesquisa multimilionário na Universidade Estadual da Carolina do Norte para a fabricação de produtos de “carne falsa”, tanto proteínas vegetais quanto celulares. De acordo com um comunicado da NC State, o Bezos Earth Fund concedeu à universidade US$ 30 milhões ao longo de cinco anos para criar o Centro Bezos para Proteínas Sustentáveis.
O anúncio chega em um momento onde alguns dos estados, como Flórida e Alabama, recentemente assinaram projeto de lei proibindo a carne de laboratório. De acordo com os os projetos de lei, as penalidades civis podem variar de US$ 100 para uma violação de Classe II até US$ 10.000 para uma violação de Classe V para estabelecimentos de venda de alimentos que violem as disposições do projeto de lei sancionado. No Brasil, projetos seguem em discussão na Câmara dos Deputados, mas sem um norte muito definido para a proibição do produto no país.
Centro Bezos para Proteínas Sustentáveis
Bezos atualmente ocupa o terceiro lugar na lista da Forbes das pessoas mais ricas, com um patrimônio líquido de mais de US$ 196 bilhões. A doação para a Universidade Estadual da Carolina do Norte de US$ 30 milhões ao longo de cinco anos, terá como foco o desenvolvimento de tecnologias para a biofabricação da chamada “carne falsa”. Em resumo, Jeff Bezos quer produzir carne falsa, mas será esse o futuro bilionário?
O centro se tornará um “centro de biofabricação de proteínas dietéticas que sejam ecologicamente corretas, saudáveis, acessíveis e baratas”, afirmou o comunicado divulgado a imprensa.
A NC State também disse que o centro incluirá vários parceiros da academia e da indústria, bem como chefs e legisladores, para pesquisar, criar e comercializar novas tecnologias para a fabricação de vários produtos proteicos. Também fornecerá treinamento para a nova força de trabalho necessária para o processamento avançado de alimentos. O centro também trabalhará com os consumidores para avaliar suas percepções e preferências sobre proteínas.
O centro também trabalhará com os consumidores para avaliar suas percepções e preferências sobre proteínas.
“É pouco provável que as proteínas alternativas substituam as proteínas animais”, disse Bill Aimutis, co-investigador principal da subvenção e co-diretor do novo centro, que tem experiência de trabalho com produtores de proteínas sustentáveis e empresas start-up.
“É difícil criar um produto proteico alternativo que rivalize em sabor e textura da carne e que também seja atraente e acessível para os consumidores. Este centro está mais interessado no crescimento da indústria de proteínas sustentáveis como outra opção para os consumidores, em vez de substituir as proteínas animais.”

“É pouco provável que as proteínas alternativas substituam as proteínas animais”, disse Bill Aimutis
A primeira carne cultivada em laboratório foi criada em 2013 por Mark Post, da Universidade de Maastricht. O hambúrguer de carne cultivada foi feito com mais de 20 mil fios de tecido muscular, custou mais de US$ 325 mil e levou dois anos para ser produzido.
Hoje, mais de 150 empresas em todo o mundo vendem carne cultivada em células, incluindo 43 nos Estados Unidos.
Até agora, pelo menos sete estados consideraram projetos de lei em 2024 para proibir a venda, produção ou distribuição de carne cultivada em laboratório, incluindo Arizona, Iowa, Tennessee e Texas.
Globalmente, o parlamento italiano baniu a tecnologia do seu país. O projeto de lei é semelhante ao proposto em França, e a Áustria e a Croácia poderão seguir o exemplo em breve.
Carne falsa gera debate no Brasil
No Brasil, a discussão sobre carne cultivada em laboratório ainda está nos estágios iniciais em termos regulatórios e legislativos. Apesar da inovação tecnológica prometer revolucionar a indústria alimentícia ao produzir carne de maneira mais sustentável e ética, o produto ainda não recebeu aprovação do governo brasileiro para ser comercializado, enquanto já obteve aprovações iniciais nos Estados Unidos.
A crescente onda da “carne cultivada em laboratório” tem trazido grandes preocupações, já que esse tipo de “carne”, também chamada de sintética, cultivada, carne de laboratório ou carne de cultura, é produzida pela reprodução in vitro de células de animais — o produto final, portanto, não requer criação e abate de gado. Diante de tal situação, o Deputado Federal Tião Medeiros (PP-PR) protocolou na Câmara um projeto o PL 4616/2023 onde, se aprovado, fica proibida a pesquisa privada, produção, reprodução, importação, exportação, transporte e comercialização de carne animal cultivada em laboratório sob qualquer técnica e seus subprodutos.
Mas, por enquanto, isso tudo são ideias e debates que começam a tornar-se assunto dentro da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, a carne cultivada segue sendo objeto de estudo e desenvolvimento, com centros de pesquisa como o de Florianópolis explorando suas possibilidades. A carne de laboratório é vista por alguns como uma aposta do agronegócio para um futuro mais sustentável, alinhando-se com as tendências globais de redução do impacto ambiental da produção de carne convencional.
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