Com a queda dos preços internacionais especialmente da soja e do milho, a avaliação do Ministério da Agricultura é que o setor precisa de 17,5 bilhões de reais para equalização de juros.
BRASÍLIA (Reuters) – Uma disputa entre os valores pedidos pelo Ministério da Agricultura para equalização de juros e o que a equipe econômica diz ser possível pagar está emperrando ainda o anúncio do Plano Safra 2023/2024, disseram à Reuters fontes do governo envolvidas nas negociações.
A distância entre um lado e outro é de 12,8 bilhões de reais, segundo pessoas próximas das negociações, que falaram na condição de anonimato. Com a queda dos preços internacionais especialmente da soja e do milho, a avaliação do Ministério da Agricultura é que o setor precisa de 17,5 bilhões de reais para equalização de juros. O plano de 2023/2024 previu apenas 3,8 bilhões.
A Fazenda, no entanto, oferece nesse momento 4,7 bilhões, depois de ter iniciado a negociação tentando apenas manter os valores do ano passado.
“É aquela negociação que começa lá embaixo para tentar se chegar a um meio termo. Estamos nos primeiros ‘rounds’ da negociação”, disse uma fonte ligada ao Ministério da Agricultura.
O valor total disponível para financiamentos no plano deverá ficar em torno de 400 bilhões de reais, contra 340,9 bilhões de 2022/2023, disse uma das fontes.
A alegação do Ministério da Agricultura é que a queda considerável no preço dos grãos exige um aporte maior do governo para fazer frente à queda dos preços. Em entrevista no final de maio, o ministro Carlos Fávaro afirmou que seria necessário um Plano Safra “robusto” para contrapor a variação negativa das cotações.
Após passarem a maior parte de 2022 próximos de 200 reais a saca, os preços da soja recuaram para cerca de 135 reais/saca, segundo o indicador da Esalq em Paranaguá (PR). No caso do milho, a cotação acumula queda de mais de 35% neste ano, para cerca de 55 reais/saca. Os valores têm sido pressionados, entre outros fatores, por safras recordes no Brasil.
A preocupação do governo é que a falta de dinheiro no bolso dos produtores afeta diretamente a economia, com venda menor de insumos, de equipamentos, e menos emprego. No entanto, a Fazenda alega que não há recursos para se dar um salto do tamanho do pretendido pela pasta de assuntos agropecuários.
Os 17,5 bilhões de reais seriam uma atualização dos valores de 2014, ainda no governo de Dilma Rousseff.
De lá para cá, no entanto, não houve outro momento próximo daquele valor. Desde o plano de 2017/2018, o maior valor para equalização foi pago em 2021/22, 6,6 bilhões de reais.
Já para agricultura familiar, de acordo com uma das fontes, os valores devem ser os mesmos do ano passado, de 8,6 bilhões de reais para a equalização dos juros, uma vez que pequenos produtores contam com maiores subsídios. Esse foi o pedido do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que deve ser aceito pela Fazenda.
A perspectiva é que haja um acerto entre as partes até a semana que vem, mas o mais provável é que o anúncio seja feito apenas na última semana de junho, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja na próxima terça-feira e só volta ao Brasil no domingo.
Antes de ser colocado nos bancos, o plano precisa ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne no dia 30 deste mês.
Procurados, os ministérios da Agricultura e da Fazenda não comentaram o assunto imediatamente.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu)
Fonte: Reuters
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