Qual o resultado do cruzamento entre um cavalo e jumenta?

Cruza feita entre o cavalo e jumenta gera o animal nomeado de ‘bardoto’ e é opção para trabalho de vaqueiros

O bardoto é o cruzamento entre um pai Equus caballus, cavalo, e uma mãe Equus asinus, jumenta. Esses animais são estéreis devido ao fato de derivarem de espécies diferentes. A impossibilidade de se reproduzirem se dá pelo número ímpar de cromossomos.

O animal é raro, pois o cruzamento entre a jumenta e o cavalo é fisiologicamente mais difícil, devido ao porte dos animais e porque o cavalo tem dificuldades em identificar quando a jumenta está no cio. Além disso, a gestação costuma ser mais complicada.

Para égua prenha de jumento, o tempo médio de gestação é de 360 a 375 ou mais dias, enquanto leva de 335 a 345 dias o período para nascer o filhote da reprodução entre cavalo e égua. Existem hoje no mundo aproximadamente 44 milhões de mulas e burros.

Do cruzamento do jumento com a égua nasce o burro ou sua fêmea, a mula. Jumento, asno e jegue são sinônimos para o mesmo animal, da espécie Equus asinus. Jegue é uma adaptação de “jack”, uma das palavras para asno em inglês.

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O registro de um bardoto é o mesmo do de muares, primeiro é necessário comunicar a cobrição na ABCJPêga (Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga), em seguida, o nascimento. Os bardotos registrados, assim como todos muares e asininos também registrados, podem participar das competições oficiais da ABCJPêga.

Apesar das dificuldades, a raça é mais dócil e inteligente, levando apenas 2 meses para ser domado, o burro, por exemplo, leva o dobro do tempo. Fisicamente, o animal é semelhante ao cavalo, porém, o bardoto é estéril.

Mais do que uma curiosidade genética, o bardoto desponta como um híbrido funcional que traduz, na prática, a busca histórica da pecuária por animais adaptados à dureza do campo. Ao reunir a resistência metabólica e a rusticidade herdadas dos asininos com a conformação física e a aptidão para sela típicas dos equinos, o cruzamento entre cavalo e jumenta resulta em um animal capaz de suportar jornadas prolongadas, com menor exigência nutricional e boa resposta ao manejo.

Em regiões onde o trabalho ainda depende diretamente da força animal — como nas áreas de caatinga e cerrados —, o bardoto surge como alternativa estratégica, especialmente pela combinação entre desempenho e adaptação ambiental.

Análise comparativa com a mula

Embora compartilhem a esterilidade e a lógica de hibridização entre equinos e asininos, bardoto e mula apresentam diferenças que impactam diretamente seu uso no campo. Enquanto a mula, oriunda do cruzamento entre jumento e égua, consolidou-se historicamente como animal de carga pela robustez e docilidade, o bardoto — fruto da união entre cavalo e jumenta — tende a apresentar maior semelhança morfológica com o cavalo, favorecendo sua utilização também na montaria e no manejo do gado.

Além disso, sua produção é menos comum, tanto por desafios reprodutivos quanto por menor tradição zootécnica, o que confere ao híbrido um caráter mais raro dentro dos sistemas produtivos. Na prática, a mula permanece dominante nas atividades de tração, enquanto o bardoto ganha espaço como opção versátil para o trabalho direto com o vaqueiro.

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