Cotas de R$ 55 mil prometem até R$ 1 milhão em fazendas de investimento — oportunidade ou alerta?

Modelo de investimento em terras agrícolas no Ceará atrai investidores com promessas de altos retornos, reacendendo debates sobre segurança e regulamentação no setor

Na esteira da expansão do agronegócio no Ceará, uma nova modalidade de investimento tem ganhado destaque: a aquisição de cotas de fazendas produtivas. Empreendimentos localizados no interior do estado, como em Itarema, oferecem aos investidores a oportunidade de adquirir frações de terras destinadas ao cultivo de culturas como tâmara, açaí e abóbora japonesa. Cada cota, no valor inicial de R$ 55 mil, representa uma área de 3.400 metros quadrados, conferindo ao investidor a propriedade da respectiva faixa de terra.

Segundo o empresário Luís André Bastos, envolvido nesse segmento, o retorno projetado para o investimento é de R$ 1 milhão ao longo de 16 anos, com um payback estimado de três anos. O cronograma de implementação do projeto inclui etapas como aquisição do terreno, estudos topográficos e de solo, perfuração de poços, confecção de mudas, coveamento, adubagem e plantio, todas realizadas pela empresa gestora.

O primeiro módulo, voltado para o cultivo de mogno africano e tamareiras, teve o plantio concluído no final de 2023 e está na fase de manutenção, com a primeira safra de tâmaras prevista para o final de 2027. Já o novo módulo está em fase de obras, com o primeiro plantio programado para março de 2026.

Atenção aos riscos: lições do passado

Embora o modelo de investimento em cotas de fazendas produtivas pareça promissor, é essencial lembrar de casos anteriores que resultaram em prejuízos significativos para investidores.

Fazendas Reunidas Boi Gordo: Fundada em 1988, a empresa oferecia contratos de investimento coletivo em gado, prometendo retornos de até 42% em 18 meses. No entanto, o esquema se revelou insustentável, funcionando como uma pirâmide financeira que dependia da entrada de novos investidores para pagar os antigos. A empresa faliu em 2004, deixando cerca de 30 mil investidores lesados e prejuízos estimados em até R$ 6 bilhões. (CompreRura)

Avestruz Master: Nos anos 2000, a empresa vendia Certificados de Produto Rural (CPRs) que garantiam a propriedade de avestruzes, com promessa de recompra e rendimentos de até 10% ao mês. Na prática, tratava-se de um esquema de pirâmide, onde o dinheiro de novos investidores era usado para pagar os antigos. A empresa faliu em 2005, deixando um prejuízo de R$ 1 bilhão e cerca de 40 mil investidores prejudicados. (Gazeta do Povo)

Conclusão

Investimentos no agronegócio podem oferecer oportunidades atrativas, mas é fundamental que os investidores realizem uma análise criteriosa antes de aplicar seus recursos. Verificar a transparência da empresa, a viabilidade do projeto, a existência de garantias reais e a regulamentação junto aos órgãos competentes são passos essenciais para mitigar riscos e evitar prejuízos.

Resumo dos casos históricos:

  • Fazendas Reunidas Boi Gordo: Prometia altos retornos com engorda de gado, mas operava como uma pirâmide financeira. Faliu em 2004, deixando milhares de investidores no prejuízo.
  • Avestruz Master: Vendia CPRs de avestruzes com promessa de recompra e rendimentos elevados. Funcionava como esquema de pirâmide e faliu em 2005, causando prejuízos bilionários.

Esses casos ressaltam a importância de cautela e diligência ao considerar investimentos que prometem retornos elevados em prazos curtos.

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