Costa do Marfim antecipa preço do cacau e sinaliza possível corte aos produtores em meio a queda histórica das cotações

Maior produtor global da commodity acelera anúncio da safra intermediária após recuo de cerca de 50% no preço do cacau internacionais e decisão semelhante adotada por Gana

A crise no mercado internacional do cacau levou a Costa do Marfim a romper o próprio calendário oficial e antecipar a definição do preço fixo pago aos produtores para a safra intermediária. A decisão ocorre em um momento de forte deterioração das cotações globais, aumento da oferta e sinais de enfraquecimento da demanda, fatores que vêm pressionando governos e agricultores na África Ocidental.

De acordo com o ministro da Agricultura do país, Bruno Nabagne Koné, o novo valor será anunciado até o fim deste mês, antes do prazo tradicionalmente adotado . A declaração foi feita durante o Salão Agrícola de Paris, onde o ministro confirmou que o governo prepara medidas que envolvem “vários assuntos, incluindo o preço” da próxima safra intermediária, que ocorre entre abril e setembro.

Tradicionalmente, o anúncio do preço da safra intermediária acontece apenas no fim de março ou início de abril. Neste ano, porém, o governo optou por acelerar o processo diante do cenário adverso .

Preço do Cacau: Queda de 50% no mercado internacional

O pano de fundo da decisão é preocupante. Os contratos futuros globais de cacau acumulam queda expressiva, atingindo mínimas de dois anos e meio recentemente. Apenas neste ano, os preços recuaram cerca de 50%, refletindo preocupações com demanda enfraquecida e aumento da oferta global .

Essa combinação de fatores tem impactado fortemente o sentimento dos investidores e pressionado as políticas de sustentação de preços nos países produtores. Para economias altamente dependentes do cacau, como Costa do Marfim e Gana, o desafio é equilibrar as contas públicas sem provocar um colapso na renda rural.

Possível alinhamento com Gana

Fontes do governo marfinense indicaram que o país avalia reduzir o preço fixo pago aos agricultores para alinhar sua política à decisão recente de Gana, que cortou os valores pagos aos produtores em aproximadamente um terço .

Caso confirmada, a redução pode representar um impacto significativo para milhões de pequenos agricultores que dependem do cacau como principal fonte de renda. Ao mesmo tempo, a medida busca adequar o país à nova realidade de mercado, marcada por volatilidade e pressão baixista persistente.

Impactos globais e reflexos no Brasil

Como maior produtor mundial de cacau, a Costa do Marfim exerce influência direta sobre o equilíbrio entre oferta e preço global. Qualquer alteração no preço interno pago aos agricultores pode afetar decisões de plantio, manutenção de lavouras e investimentos na próxima temporada.

Para o Brasil — que vem tentando retomar protagonismo na produção e ampliar a competitividade do cacau nacional — a movimentação africana é acompanhada de perto. Quedas bruscas nas cotações internacionais podem pressionar margens dos produtores brasileiros, especialmente em um momento de custos elevados e desafios climáticos.

Ao antecipar a definição do preço, o governo marfinense envia um sinal claro ao mercado: o cenário exige respostas rápidas e ajustes estruturais. A decisão que será anunciada nos próximos dias poderá redefinir o equilíbrio da cadeia global da commodity e influenciar o comportamento dos preços ao longo de 2026.

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