COP30 lança plano para intensificar ações contra desmatamento e combustíveis fósseis

Mecanismo global proposto pelo Brasil busca destravar o financiamento climático e transformar os tratados diplomáticos em soluções imediatas para a transição energética e a proteção das florestas até 2030

A urgência climática global exige que os debates e tratados diplomáticos deem lugar à execução imediata. Foi com esse pragmatismo que as presidências da 30ª e da 31ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP) apresentaram, na última semana, na Dinamarca, a proposta preliminar do Acelerador Global de Implementação Climática. A iniciativa é a espinha dorsal de um ambicioso plano para intensificar ações contra desmatamento e combustíveis fósseis, priorizando soluções com alto potencial de escala e rapidez na entrega de resultados práticos.

Apresentado a representantes de cerca de 40 países durante a tradicional Reunião Ministerial do Clima de Copenhague, o projeto visa transformar textos jurídicos em ações concretas já para a próxima conferência do clima, que ocorrerá em Antália (Turquia), sob a co-presidência turca e australiana. O encontro na capital dinamarquesa marcou a última grande articulação de alto nível antes das sessões preparatórias de meio de ano em Bonn, na Alemanha.

O motor do plano para intensificar ações contra desmatamento e combustíveis fósseis

As diretrizes do Acelerador Global foram lançadas originalmente durante a COP30, em Belém (PA), sob o comando da presidência brasileira. O mecanismo propõe um diferencial estratégico voltado à economia real.

De acordo com Ana Toni, CEO da COP30 e integrante da delegação brasileira, o Acelerador funcionará como uma engrenagem voluntária e cooperativa projetada para gerar impactos em cadeia. “A proposta é acelerar soluções, como tecnologias, procedimentos e metodologias, incluídas em Planos de Aceleração de Soluções nas diferentes iniciativas e objetivos da Agenda de Ação”, explicou.

Mapas do Caminho e a barreira do financiamento

Para pavimentar a transição energética e ambiental até o fim desta década — um compromisso firmado na COP28, em Dubai —, os chefes de delegação debateram os chamados Roadmaps (Mapas do Caminho). Apenas entre fevereiro e abril, a Presidência da COP30 recebeu 444 contribuições internacionais voltadas especificamente para essas metas.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que o mundo já detém o conhecimento científico e as tecnologias necessárias para manter o aquecimento global no limite seguro de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais (meta do Acordo de Paris). O gargalo atual, no entanto, reside na viabilização econômica.

Segundo o diplomata, o verdadeiro desafio da crise climática é garantir o financiamento robusto e a transferência tecnológica para que as nações implementem mudanças a tempo. “A Presidência da COP30 está se esforçando para trazer as melhores informações para que os debates sobre desmatamento e combustíveis fósseis tenham o melhor embasamento possível. Assim, os caminhos traçados serão viáveis e permitirão acelerar o combate à mudança do clima”, assegurou Corrêa do Lago.

Autocrítica e a nova fase do Regime Climático

Além da adaptação aos impactos climáticos e da implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o evento na Dinamarca marcou um momento de autocrítica diplomática. O chamado “regime climático” — a engrenagem de tratados que gere a crise global — está mudando de foco.

Para a embaixadora Liliam Chagas, diretora de Clima da Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), os países atingiram um nível de amadurecimento que exige negociações mais objetivas e focadas na redução real das emissões de gases de efeito estufa.

“O regime está passando por uma fase de transição, da negociação, dos compromissos, para uma fase de implementação daquilo que já foi acordado”, avaliou a diretora. Mais de uma década após a adoção do Acordo de Paris (2015), o foco global migra definitivamente das promessas para a urgência de garantir os recursos financeiros que custearão a transição para uma economia global de baixo carbono.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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