Com crescimento de 32,1% sobre 2024 e mais de R$ 500 bilhões em créditos comercializados, modalidade avança como alternativa ao financiamento tradicional em cenário de juros elevados
O Sistema de Consórcios alcançou, em 2025, a marca histórica de R$ 500 bilhões em créditos comercializados, registrando crescimento de 32,1% em relação a 2024. O desempenho confirma o aquecimento do mercado e consolida o consórcio como uma das principais alternativas de aquisição e planejamento financeiro no país. Apenas o mês de agosto apresentou desempenho levemente inferior ao mesmo período do ano anterior — todos os demais meses superaram os números de 2024.
O consórcio é uma modalidade de compra baseada na união de pessoas físicas ou jurídicas em grupos administrados por empresas autorizadas pelo Banco Central do Brasil. Os participantes contribuem mensalmente para a formação de um fundo comum, utilizado para contemplar integrantes por meio de sorteios ou lances.
A principal diferença em relação ao financiamento convencional está na ausência de juros. No consórcio, o participante paga taxa de administração e fundo de reserva, mas não há incidência de juros remuneratórios típicos do crédito bancário. No financiamento, por sua vez, o consumidor recebe o bem de imediato mediante contrato de crédito, arcando com juros que, em cenários de taxa básica elevada, podem encarecer substancialmente o custo final da operação.
O recorde de 2025 revela uma mudança de comportamento. O consumidor brasileiro demonstra maior disposição para planejamento financeiro de médio e longo prazo. Em vez da aquisição imediata via crédito oneroso, cresce a preferência por modelos que exigem disciplina e organização orçamentária.
O consórcio se encaixa nesse perfil: exige previsibilidade de pagamento e oferece ao participante a possibilidade de se organizar para aquisição de imóveis, veículos, serviços ou bens de maior valor agregado sem comprometer excessivamente o fluxo de caixa.
O ambiente macroeconômico também ajuda a explicar o avanço do setor. Em um cenário de juros elevados, financiamentos tradicionais tornam-se menos atrativos. As parcelas aumentam, o custo efetivo total se eleva e o endividamento se torna mais arriscado.
Sem juros bancários, o consórcio surge como alternativa racional para quem pode aguardar a contemplação. A economia no custo financeiro, especialmente em contratos de longo prazo, pode representar diferença significativa no valor final desembolsado.
Mais do que uma simples forma de compra parcelada, o consórcio tem sido utilizado como instrumento estratégico. Empresários utilizam a modalidade para aquisição programada de ativos produtivos; famílias recorrem ao modelo para planejar a troca de imóvel ou veículo; investidores adotam cartas de crédito como mecanismo de alavancagem planejada.
Ao permitir a oferta de lances com recursos próprios, o consórcio também possibilita antecipação estratégica da contemplação, funcionando como ferramenta híbrida entre poupança programada e crédito organizado.
Tem consórcio para produtor rural?
O produtor rural também pode acessar o consórcio como ferramenta de aquisição e expansão patrimonial. A modalidade permite a compra planejada de máquinas agrícolas — como tratores, colheitadeiras e implementos — sem a incidência de juros bancários, o que reduz significativamente o custo final do investimento.
Em um setor altamente dependente de tecnologia e mecanização para ganho de produtividade, o consórcio surge como alternativa estratégica para renovar frota, ampliar capacidade operacional e manter competitividade, especialmente em períodos de crédito rural mais restritivo.
Além de equipamentos, o consórcio pode ser utilizado para aquisição de terras e até mesmo para investimento em genética e capital de giro na pecuária, incluindo a compra de animais de alto valor zootécnico. Ao permitir planejamento de médio e longo prazo, a modalidade auxilia o produtor a estruturar crescimento sustentável, preservando fluxo de caixa e evitando o impacto dos juros elevados que, muitas vezes, inviabilizam projetos de expansão no campo.
Juros elevados e o impacto nos investimentos
Os juros altos continuam sendo um dos principais entraves ao investimento no país. O custo do capital afeta empresas, encarece o crédito ao consumidor e reduz a capacidade de expansão produtiva. Muitos projetos deixam de sair do papel diante do encarecimento do financiamento tradicional.
Nesse contexto, o crescimento histórico do Sistema de Consórcios em 2025 sinaliza uma resposta do mercado. Ao oferecer acesso a bens e ativos sem a incidência de juros bancários, o consórcio se consolida como alternativa viável em períodos de crédito restritivo, funcionando não apenas como modalidade de compra, mas como ferramenta de planejamento e estratégia financeira em um país onde o custo do dinheiro ainda impõe limites ao desenvolvimento.
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