Com uma estrutura que integra desde a produção de fertilizantes até a exportação direta, o gaúcho José Antônio Gorgen, o Zezão, redesenhou o mapa da produtividade no Matopiba
O sucesso do agronegócio brasileiro no Cerrado nordestino possui nomes e sobrenomes, mas poucos são tão emblemáticos quanto o de José Antônio Gorgen. O que começou com uma viagem de caminhão em 1984 transformou-se em um império bilionário no agro, ancorado na Risa S/A.
Com um faturamento que ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão anual (base 2020), a empresa não é apenas uma produtora de grãos, mas uma gigante verticalizada que domina todas as etapas da cadeia produtiva, garantindo margens e eficiência logística raras no setor.
O motor do império bilionário no agro
Um dos pilares que sustenta a robustez do império bilionário no agro de Zezão é a sua autonomia logística. Enquanto muitos produtores sofrem com a dependência de fretes terceirizados e gargalos de escoamento, a Risa S/A opera com uma frota própria de mais de 400 veículos.
A operação é pesada e estratégica:
- Composição da Frota: Predominância de cavalos mecânicos Mercedes-Benz e Volvo.
- Capacidade de Carga: Uso intensivo de implementos de alta performance, como rodotrens e tritrens da marca Librelato, fundamentais para o transporte de grandes volumes de grãos e insumos entre Maranhão e Piauí.
- Verticalização: Ao controlar o transporte, Zezão elimina intermediários e garante que a safra chegue ao porto ou ao cliente final com agilidade máxima.
Tecnologia “da Porteira para Dentro”
A produção agrícola da Risa cobre aproximadamente 45 mil hectares dedicados à soja e ao milho. No entanto, o diferencial competitivo deste império bilionário no agro reside na fabricação do que vai para o solo.
O grupo possui cinco fazendas estratégicas e opera três misturadoras de fertilizantes. Um detalhe técnico relevante: a unidade instalada no Piauí é a única misturadora em operação em todo o estado, o que confere à Risa uma posição de monopólio logístico na região para o fornecimento de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio). Além disso, o grupo é revendedor autorizado da Kepler Weber, líder em soluções de armazenagem (silos), garantindo que a estrutura de pós-colheita seja tão eficiente quanto o plantio.
Exportação e Mercado Global

A visão de Zezão mudou radicalmente em 1994, quando ele compreendeu que o lucro real não estava apenas na produtividade por hectare, mas na gestão comercial. Ao olhar “da porteira para fora”, ele transformou a Risa em uma trading.
Hoje, o grupo não depende de atravessadores para acessar o mercado internacional. A empresa foi pioneira no Sul do Maranhão ao realizar exportações diretas para a China, o maior comprador de soja do mundo. Essa conexão direta com o mercado global é o que permite o reinvestimento constante em tecnologia, como os sistemas de pivôs de irrigação que garantem a segurança hídrica das lavouras contra as irregularidades climáticas do sertão.
O fator humano na Risa S/A
Apesar da escala industrial, o império bilionário no agro mantém valores de proximidade. O grupo adota um modelo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) estruturado por consultoria especializada, que utiliza aceleradores baseados no tempo de casa e metas de desempenho. Segundo o próprio Zezão, do gerente ao estivador, todos são engajados no resultado final, o que reduz a rotatividade e aumenta a eficiência operacional.
Zezão resume sua trajetória como um crescimento natural: “Sempre inventando alguma coisa nova, sempre crescendo”. É essa mentalidade desbravadora que mantém a Risa como a maior força do agronegócio na região de Balsas.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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