Da criação semisselvagem nas montanhas asiáticas às linhas industriais automatizadas, galinhas de carne e ovos escuros unem tradição, genética rara e alto valor econômico. Conheça as Ayam Cemani
Milhões de galinhas pretas já fazem parte de uma cadeia produtiva estruturada e altamente valorizada, que combina métodos tradicionais de criação ao ar livre com automação industrial moderna para atender à crescente demanda global por sua carne e ovos exclusivos. Raças como Ayam Cemani, Silkie e Kadaknath deixaram de ser apenas aves exóticas e passaram a ocupar um espaço relevante em mercados ligados à gastronomia sofisticada, à medicina tradicional e aos alimentos funcionais.
O grande diferencial dessas aves está na fibromelanose, uma mutação genética rara responsável pela hiperpigmentação extrema que torna penas, pele, carne, ossos e até órgãos internos completamente escuros. Para garantir a manutenção dessas características, o processo produtivo começa com uma incubação altamente controlada. Os ovos permanecem por 21 dias em incubadoras especializadas, onde temperatura, umidade e fluxo de ar são monitorados com precisão, assegurando uniformidade genética e pintinhos de alta qualidade.
Em regiões da China e do Sudeste Asiático, milhões de galinhas pretas são criadas em fazendas de montanha com manejo semisselvagem. Nessas áreas, as aves têm acesso à forragem natural, composta por insetos, grama e grãos disponíveis no ambiente.
Esse sistema é amplamente associado a menor estresse animal, além de contribuir para um sabor mais intenso da carne e para as propriedades medicinais tradicionalmente atribuídas ao frango preto, especialmente na cultura asiática.
Ao mesmo tempo, grandes operações adotam modelos sustentáveis de produção, como a rotação de áreas de criação, permitindo que o solo se regenere naturalmente. Os dejetos das aves são reaproveitados como fertilizante, integrando a produção animal à recuperação do solo e reduzindo a dependência de insumos químicos.

Mesmo valorizadas como aves “criadas soltas”, a produção em larga escala incorpora dietas balanceadas, combinando grãos, suplementos proteicos e forragem natural. Esse modelo reduz custos com ração e melhora o perfil nutricional da carne, conhecida pelo alto teor de proteína, colágeno e ferro, além do baixo teor de gordura.
Em sistemas mais eficientes, a intervenção humana é mínima, o que reduz o estresse das aves e resulta em ovos com gemas mais firmes e cascas mais resistentes, outro atributo valorizado pelo mercado.
Após o período de crescimento, que geralmente varia entre quatro e seis meses, as aves seguem para o abate. O processamento ocorre em linhas automatizadas de alta tecnologia, semelhantes às utilizadas na avicultura convencional, mas com cuidados específicos para preservar a coloração escura da pele e dos ossos — um dos principais diferenciais comerciais.
As etapas incluem atordoamento controlado, escaldagem, depenagem mecânica e evisceração automatizada, sempre sob rigorosos protocolos sanitários.

Por se tratar de um produto premium ou medicinal, a carne costuma ser embalada a vácuo, garantindo segurança alimentar e conservação das características únicas. O destino principal são restaurantes sofisticados, mercados refrigerados de alto padrão e preparações tradicionais, como caldos e sopas terapêuticas amplamente consumidas na Ásia.
O mercado de carne de frango preto é considerado um dos nichos mais exclusivos da avicultura mundial. O consumo anual ultrapassa 100 milhões de quilos, concentrado principalmente na Ásia, mas com interesse crescente em outros países.
Consumidores e chefs buscam o produto pelo sabor diferenciado e pelos benefícios percebidos à saúde, como fortalecimento do sistema imunológico e propriedades antienvelhecimento associadas à medicina tradicional chinesa.
Os preços refletem essa exclusividade. Aves comuns de galinhas pretas já custam significativamente mais que frangos brancos, enquanto raças raras, como o Ayam Cemani, podem atingir valores de até US$ 6.000 por exemplar, sobretudo quando destinadas a fins ornamentais ou simbólicos.
Embora profundamente enraizadas em tradições culinárias e medicinais asiáticas, as galinhas pretas hoje representam uma fusão entre conhecimento ancestral e produção agrícola moderna. O setor avança com foco em sustentabilidade, bem-estar animal, rastreabilidade e padrões internacionais de segurança alimentar, deixando para trás o rótulo de curiosidade regional.
O resultado é uma cadeia produtiva que transforma aves de aparência incomum em ativos econômicos de alto valor, consolidando as galinhas pretas como símbolo de inovação, tradição e rentabilidade dentro da avicultura global.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.